Cilindros para mergulho

Vez por outra precisamos de informações sobre peso, capacidade etc. dos cilindros. Neste artigo, que pretende ajudar na pesquisa, juntei algumas informações. Na lista abaixo estão os principais cilindros que são usados no mundo do mergulho.
As informações a seguir foram recolhidas a partir de uma variedade de fontes, incluindo os fabricantes Luxfer, Catalina, os antigos Pressed Steel Tank (PST) e OMS e mais alguns manuais e sites especializados.
Você deve, antes de planejar qualquer uso destas informações apresentadas, confirma-las com os fabricantes. Lembre-se, é de sua responsabilidade o planejamento dos seus mergulhos.

Mas antes de sair por ai solicitando o cilindro A ou B, você sabe “ler” as informações contidas nos cilindros?
Abaixo as informações dos cilindros de alumínio LUXFER.luxfer_markingsmarcas_luxferAs marcações diferenciam um pouco de fabricante para fabricante e de cilindros de alumínio para os de aço, mas as informações básicas são as mesmas. No final desta matéria existem links em que você poderá se aprofundar mais nas especificações técnicas de alguns fabricantes.

As principais informações para a maioria dos mergulhadores são:

Peso total do cilindro – cilindros enormes e pesados, incompatíveis com o tamanho dos mergulhadores (as) não são uma boa ideia;

Flutuabilidade do cilindro vazio – isto afeta a quantidade de lastro que você terá que adicionar para compensar a flutuação do cilindro vazio;

Flutuabilidade do cilindro cheio – dá uma diretriz para a quantidade de lastro que você precisará para afundar no início do mergulho;

Quantidade de ar – escolher o cilindro correto para o uso que deseja e a capacidade que necessita.

Cilindros LUXFER de alumínio (unidade métrica)
info_luxfer* na água salgada e com válvula


aco_imperial al_imperial* Pesos vazios não incluem válvulas (exceto Pressed Steel e OMS), acrescentar 0,5/1,0 Kilo.

alum_cilindrosA matemática – quantidade de ar
Sempre falei para os meus alunos que aprender a mergulhar não era difícil, o que atrapalhava era a matemática! Para relembrar, vou deixar a “matemática” abaixo.

A formula que determina a quantidade de ar no cilindro é:
Q = pressão de trabalho em atm X volume hidrostático em litros.
Lembre-se que estes dados são apresentados em cilindros brasileiros e europeus.

Nos americanos, que são os mais usados, são apresentadas as informações de pressão de trabalho e a quantidade de ar em pés cúbicos, na pressão de trabalho. Sendo necessário fazer a conversão: 1 pé cúbico = 28,317 litros.

Calculadora on-line de flutuabilidade de cilindros.

Faça o download da SCUBA Safety Guide

Sites dos fabricantes, clique para visitar:

Mais informações técnicas sobre cilindros.
ABNT NBR 13183 – Inspeção e ensaios de cilindros de liga de alumínio sem costura para gases – Procedimento
ABNT 12274 – Inspeção em cilindros de aço, sem costura, para gases
ABNT NBR 13243 – Cilindros de aço para gases comprimidos – Ensaio hidrostático pelo método de camisa d’ água – Método de ensaio
Compressed Gas Association
DOT Cylinder Maintenance,
Retest and Certification Requirements
Treinamento para Inspetor Visual de cilindros PSI-PC

Como disse anteriormente: É de sua responsabilidade o planejamento dos seus mergulhos. Planeje seu mergulho e mergulhe seu plano.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

O dia em que quase tudo deu errado ou o jogo dos sete erros.

O título também poderia ser: Dormindo mal e suas consequências para o mergulho tech.

Passei uma semana envolvida com vários problemas e com pouco sono.

O mergulho estava previsto para domingo, aparentemente haveria tempo para me recuperar. Sexta feira uma happy hour com amigos se transformou numa noitada com  direito a cachaça. Mas tinha o sábado para me recuperar… dia em que também não consegui dormir cedo.

Acordo domingo tudo aparentemente normal, porém passei ao lado do meu carro com o equipamento e NÃO VI. Continuei procurando o carro até me lembrar onde tinha deixado. Já comecei a ficar meio preocupada – eu passei DO LADO arrastando o equipamento e meu carro não é prata ou preto, é azul.

Mas vamos lá, perdoável, eu estava olhando para longe, onde achava que o carro estava.

Missão do dia, eu e mais um tech já credenciados íamos descer junto com o instrutor e três alunos em check out de tech. Alguém ia carretilhar e íamos mergulhar no nada, só para treinar, mas com descompressão real.mergulho01_02

Montei o equipamento perfeitamente, eu achava. Fui de sidemount e resolvi reduzir 2 kg de lastro em relação ao último mergulho, pois estive muito pesada. Coloquei os 8 kg na “placa” de pesos que fica atrás do colete, excelente para uso com side. Assim, só precisava de mais dois na cintura para completar os 10 kg que eu queria. Coloquei os lastros – eu tinha certeza – e aparafusei a placa, uma tarefa meio chata, principalmente com todos os lastros, que repito, eu tinha certeza que estavam lá…

Montagem dos três cilindros (dois S80 do side e o stage), revisão do planejamento, acerto do computador, análise do gás, marcação do cilindro… fui fazendo com calma, e, eu achava, com a devida atenção.

Seguindo as orientações do instrutor, eu tinha certeza de qual era a missão e meu papel – eu e meu dupla já credenciados passaríamos a carretilha e faríamos o nosso mergulho enquanto os outros faziam sua aula. Eu estava convicta da tarefa e eu estava certa também que meu dupla iria passar a carretilha. Só esqueci de conferir com ele se ele estava tão convicto quanto eu…

Começa o mergulho, chego ao fundo e percebo que estou mais para neutra, não estou pesada como é de se esperar no início de um mergulho tech com dois S80 e um S40 tudo cheio. Já fico meio preocupada ponderando se devo fazer descompressão ou devo parar o mergulho antes.

Os alunos acabam levantando muita suspensão, um salseiro danado, e é complicado achar meu dupla. Lá pelas tantas, acho meu dupla, mas o cabo eu já não sei onde está. Meu dupla está parado, esperando não sei o que. Quando o instrutor irritado e/ou assustado aborta o mergulho e manda todo mundo subir…

Segundo erro: não combinei com meu dupla. Embora eu estivesse certa da missão eu não perguntei a ele se ele estava certo também.

Fiquei até aliviada, pois eu já estava pensando em abortar o mergulho mesmo, devido ao lastro insuficiente. Subimos, o instrutor foi dando a bronca e revendo o planejamento para retornar ao mergulho. Eu decidi ir buscar mais lastro. Pensava em acrescentar os 2 kg que eu pensava ter reduzido.

Primeiro pedi ao barco um cinto com 2 kg e tentamos colocar dentro d´água. Tenta assim, tenta assado, cansa, desisti. Resolvi subir, desequipar e colocar o cinto.

A tripulação estava ocupada com qualquer coisa, tirei o stage, chamei para alguém vir pegar, mas tive dificuldade para tirar o cilindro do lado esquerdo, e sem ajuda tentei  subir com os dois, fiquei entalada na escada, voltei para a água, já sem as nadadeiras, mar balançando, apanhei um pouco para tirar, fechei o cilindro para desconectar a mangueira da roupa seca… acabei subindo já estressada e cansada. Coloquei o cinto, mas resolvi esperar um pouco… pensei, não, isso não está legal. Já gastei muito ar, já estou cansada, nada de descompressivo hoje. Largamos os stages no barco.

Talvez uma das únicas decisões sensatas do dia.

Resolvemos fazer um recreativo mesmo nas pedrinhas.

Ao iniciar a descida resolvi trocar logo o regulador para o cilindro da esquerda, pois o da direita já estava com só 120 bar. Eis que estava fechado, pois tinha fechado para desconectar a mangueira da roupa seca e não abri novamente… e foi a primeira vez na minha vida que lembro de levar um regulador à boca sem purgar para testar, logo essa, que estava fechado. Volta para o regulador do cilindro da direita, abre a torneira… Eu estava melhor lastreada, mas ainda com dificuldade para descer. E sem entender. Pior, sem notar que algo teria que estar errado. Meu dupla me ajuda a descer, a roupa seca começa a me apertar, levo o dedo ao botão para inflar a roupa, eis que a mangueira está desconectada… bora conectar. Isso me rendeu algumas manchinhas roxas nos braços…

Começo o mergulho bem e tal… mas lá pela metade começo a ficar MUITO positiva. Meu dupla arruma uma pedra e eu passo mais da metade do mergulho agarrada a ela, mas por duas vezes ela caiu e fiz um enorme esforço para pegá-la.mergulho01_03

Acabamos o mergulho sem grandes incidentes, volto para o barco, e ao desmontar o equipamento… só tinham QUATRO kilos na placa de lastro ao invés dos oito que deveriam estar lá. Desvendado o segredo da flutuabilidade descontrolada.

Depois disso, só me restava chegar em casa e ajoelhar no milho.

Uma sequencia de erros que poderia ter levado a problemas BEM sérios.

E nunca mais pensar em fazer mergulho tech sem estar bem descansada, bem dormida, bem atenta.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

As nossas capitais mundiais dos naufrágios

Por Adair Ribeiro

Sempre ouvimos falar de viagens maravilhosas e novos pontos de mergulho a cada dia. Relatos com “indescritíveis” mergulhos feitos ao redor do mundo, sobre visibilidades enormes e temperatura de água acima 27º C e grande vida marinha. Comentários sobre “live aboards” com excelente estrutura, comida deliciosa e operação de mergulho impecável que fazem os diferenciais que todo mergulhador procura na hora da escolha de sua próxima viagem.

Ao contrário do que muitos imaginam, está no Brasil, mais precisamente no Nordeste, uma das melhores regiões de mergulho em naufrágios do mundo. São mais de 150 naufrágios registrados pelo pesquisador Maurício Carvalho, distribuídos pela região. E, para os que exigem operações e estrutura impecáveis, não terão surpresas, pois temos uma das melhores operações de mergulho em naufrágios do mundo!

Além disso, há grande quantidade e diversidade de vida marinha e os mais variados perfis de mergulhos.

Já há alguns anos, sempre no mês de janeiro, o cinegrafista subaquático José Dias reúne um grupo de mergulhadores (as) técnicos, mas sempre com a participação e espaço para mergulhadores recreacionais com experiência comprovada e partimos para uma expedição aos naufrágios do nordeste. Mergulhamos em aproximadamente 20 destes naufrágios.

Já utilizamos, em algumas dessas viagens, o ENTERPRISE, um catamarã de 75’, com oito confortáveis suítes, que atualmente está em operação em Parati e Ilha Grande.

Atualmente, os nossos live aboards são feitos a bordo do charmoso VOYAGER. Um catamarã vela/motor de 60’, todo construído com a finalidade única de proporcionar todo o conforto e estrutura necessária às operações de mergulho, tanto com perfis recreacionais, como para mergulhadores técnicos de todos os níveis.

Voyager_PLANTAUm dos grandes diferenciais destas expedições é a qualidade insuperável da tripulação:

– O experiente Nico, coordenando toda a operação de mergulho, desde a colocação dos mergulhadores na água até a logística de fornecimento de todos os gases necessários aos mergulhos;

– O mestre Rodrigues, que substituiu o mestre Djalma, que se aposentou. Experiente navegador que transmite toda a segurança em nossas navegações, sejam elas durante o dia ou à noite.

– A cada ano, temos um dive master/safety diver, responsável pela amarração da boia nos naufrágios e segurança dos mergulhadores na água. Já contamos com o profissionalismo do Henrique Maranhão, Nascimento (PQD), Juarez, Nilo e o Marcel do Espírito Santo, entre outros. Todos sempre atenciosos e simpáticos.

All Rights Reserved / Todos os Direitos Reservados. Proibido a reprodução sem autorização por escrito dos autores. Todos os textos e fotos estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais nº 9.610, de 19.02.98.
Chef Cícero Foto © Paulo Menezes

No comando da cozinha, uma das atrações à parte da expedição, temos as delícias preparadas pelo Chef Cícero, vindo de Noronha. É impossível resistir aos famosos bolos de chocolate e pães de queijo nos intervalos dos mergulhos. As saborosas e diversas refeições realizadas ao longo do dia nos deixam com pelo menos 2 kg a mais ao final da viagem.

Mergulhadores de várias partes do Brasil já tiveram a oportunidade de se reunir nestas expedições e conhecer de perto as maravilhas de nossos naufrágios e a grande diversidade de nossa vida marinha.

Já mergulhamos desde as agitadas águas do Rio Grande do Norte, conhecendo as maravilhas e a história dos naufrágios São Luis e Comandante Pessoa; e descobrindo os mistérios da Risca do Zumbi e Batente das Agulhas, que segundo a opinião do geólogo e mergulhador Cláudio Couto, que já participou de nossas expedições, seriam:


“ Arenitos de praia submersos, também conhecidos como recifes inorgânicos, ou seja, areias de praia cimentadas pela precipitação de carbonato de cálcio da água do mar. Agora, uma coisa é entender como as rochas se formaram, outra, seria saber como a erosão produziu aquelas formas (colunas e buracos) que vimos nos nossos mergulhos. Não encontrei nada na literatura científica sobre a erosão que produziu essas formas inusitadas do relevo submarino. Mas uma erosão forte normalmente acontece com exposição aérea. Ou seja, nos seus avanços e recuos cíclicos, o nível do mar deve ter deixado tais rochas expostas e a ação do vento, chuva, rios e etc fizeram seu trabalho. As partes mais resistentes ou mais cimentadas sobrevivem mais e ficam como um registro da história do planeta.”


De Natal, após navegação nem sempre muito tranquila para os mais novatos, já descobrimos as maravilhas dos mares da Paraíba. Do pequeno naufrágio Alvarenga ao vapor Queimado (Erie).

Em Pernambuco, a conhecida capital brasileira dos naufrágios, e uma das capitais mundiais dos naufrágios, não nos cansamos de filmar e fotografar toda a exuberância de moreias, arraias, tartarugas, cardumes de enxadas, meros, cardumes de piragicas gigantes, barracudas, pampos, xaréus, cirurgiões, peixes de passagem, lambarus enormes e toda a vida marinha que habita os seus naufrágios.

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Vapor Bahia Foto © Roberto Palmer

Da majestade do Vapor Bahia às profundezas da Corveta Camaquã e Vapor dos 48, da história do Pirapama aos rebocadores Flórida, Mercurius, Marte e o Servemar I, do não identificado Vapor de Baixo ao polêmico Gonçalo Coelho, das dragas Dragão (que o biólogo e pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho, em uma das expedições, identificou como André Rebouças) e Draguinha, às chatas Sequipe e chata de Noronha, do recente naufrágio artificial Walsa aos tantos outros naufrágios da região, não nos cansamos de efetuar, a cada ano, mergulhos e mais mergulhos.

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Carlão Foto © Paulo Menezes

Em Alagoas, o Itapagé, um dos mais belos naufrágios do Brasil e do mundo, com sua história nos remetendo à 2º Guerra Mundial, quando foi atingido por dois torpedos lançados pelo U-Boat U-161, afundando na altura da Lagoa Azeda. Meu primeiro mergulho neste naufrágio foi em 1989, saindo da Barra de São Miguel, a bordo de uma “janga”, pequena embarcação típica de Alagoas. E, não nos cansamos de dizer que em uma única expedição – uma semana de mergulhos, com aproximadamente 18 mergulhos – não seria suficiente para conhece toda a grandeza do Itapagé.

Em cada imersão, uma nova descoberta, novas imagens e novas emoções que atraem a atenção dos mergulhadores, dos fotógrafos e cinegrafistas de plantão. Noturnos incríveis que nos mostram uma exuberante e diferente fauna marinha que habitam os naufrágios longe da luz do sol.

Como já tive a sorte de conhecer, em duas expedições, o sonho de consumo de 10 em cada 10 mergulhadores de naufrágios – TRUK LAGOON – e já ter mergulhado em vários dos naufrágios existentes na Flórida e no Caribe, não tenho receio de fazer uma comparação que pode deixar muita gente perplexa: Os nossos mergulhos no nordeste não deixam nada a desejar para lugar nenhum do mundo.

As águas com temperaturas médias de 28ºC, visibilidade de 20-30 metros, uma vida marinha rica e diversificada, fazem a alegria dos mergulhadores, principalmente, para os amantes de naufrágios e para os mergulhadores que não abrem mão de uma operação segura e estruturada em saídas técnicas. Com disponibilidade de vários tipos de misturas, inclusive trimix e com facilidades para mergulhadores de rebreather.

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Marte Foto © Roberto Palmer

Isto é o que encontramos aqui bem perto, sem precisar sair do Brasil e com a qualidade que todo mergulhador deseja!

E como se não bastasse, ainda temos as belezas de Recife, Olinda, Maceió, Itamaracá, Jacaré e tantos outros lugares que visitamos nas nossas expedições, seja para tomar uma “gelada” ou somente para esticar as pernas. Tudo isso completa o melhor live-aboard do Brasil.

Dicas para um melhor aproveitamento na expedição:

– Certificação: Mergulhador Avançado, Nitrox e de Naufrágios com preferência para Nitrox Avançado e acima.

Para maiores informações sobre naufrágios existentes no Brasil, consultar: www.naufragiosdobrasil.com.br.

Se quiser receber informações das expedições aos naufrágios do nordeste. Preencha o formulário abaixo.


Como (quase) tudo começou

O melhor mergulho do Brasil é Fernando de Noronha, disso ninguém duvida. E lá já fui três vezes.

Aliás, foi lá que o “bichinho Tech” me mordeu. No mergulho da corveta.

A corveta era um sonho desde a primeira visita a Noronha, que só fui realizar na terceira.

Fui e fui capturada pela rapture of the deep.

Noronha é um bom lugar para se apaixonar pelas profundezas, pois alguns mergulhos lindos vão até os 40 e poucos metros. A Ponta da Sapata é apaixonante, uma paisagem subaquática linda.

Corveta V17
Corveta V17 – Fernando de Noronha
Foto © Zaira Matheus

Nesses mergulhos foi possível testar a narcose[1] e sentir a delicia de estar fora do mundo dentro do mundo.

Mas o mergulho na Corveta V17 foi que me introduziu a uma nova fronteira. Descer no meio do nada para 55 metros (na média) num navio afundado imponente em posição de navegação com só um barquinho te esperando lá em cima e uma descompressão obrigatória no meio do caminho.

Surpreendentemente tudo muito tranquilo e lindo. Um cardume de 7 arraias chita apareceu no início do mergulho para deixar claro que valia a pena.

O naufrágio intrigante. Jaz ali uma máquina imensa, de dezenas de toneladas de ferro, que provavelmente custou milhões e muito tempo de trabalho, foi cuidadosamente planejada e aparelhada para um determinado fim… Um dia o acaso, uma seqüência de fatos, e a força da natureza resolvem que todo aquele esforço e investimento terá agora outro fim, uma morada inusitada, um local ao qual não pertence… Lá está o gigante corpo estranho no meio do oceano, desempenhando um papel num ecossistema para o qual não foi desenhado. Inusitado no meio do nada. Com sua história impregnada em cada peça, assim como impregnado de vida, uma vida também não desenvolvida para viver em um objeto construído por mãos humanas. Mas que ali se instala a vontade, sem duvidas sobre o pertencimento àquele lugar, sem questionamentos sobre a morada bizarra. Abrigo providencial. Celeiro de vida. Fonte de alimento.

É percorrido agora de outras maneiras, apresentando perigos bem diferentes do seu tempo sobre o mar. Os desafios são maiores, abriga recantos desconhecidos.

E não se oferece a qualquer um. Para chegar lá é necessário passar pelo rito – o rito da formação do mergulhador – mas um mergulhador tranquilo, seguro, habilidoso. Aquele que já quase criou guelras e se sente às vezes mais a vontade embaixo da água do que com os pés pesadamente colados a terra.

Corveta V17
Corveta V17 – Fernando de Noronha
Foto © Zaira Matheus

Um naufrágio é vivo, evolui. Não só em relação à vida que por ali circula – um mero que fica ali por anos, depois some (caçado?), moreias, tartarugas que por um tempo estabelecem residência fixa, depois ou morrem, ou mudam… Mas também pela ação do tempo, das marés que castigam suas estruturas não projetadas para esse esforço. As vezes encontramos uma escada de lado, um vaso sanitário de cabeça para baixo.. Uma porta no chão… e a imaginação corre solta, vemos antigos marinheiros usando as peças na sua posição original pela última vez, será que eles imaginariam como aquela peça poderia repousar definitivamente de uma forma tão inusitada em tão pouco tempo? Mais apaixonante ainda é encontrar objetos. Projetados, fabricados, embalados para uso humano, agora jazem se oferecendo aos poucos atrevidos. Não chegarão nunca ao destino estabelecido pelos humanos. Mas será menos nobre sua posição? Muitos desses objetos nunca são visitados por humanos. Não estarão no entanto tendo sua segunda vida? “se uma árvore cai na floresta e não há ninguém por perto, ela faz barulho?” me vem à mente o antigo dilema.

Tem aqueles que têm obsessão por levar objetos dos naufrágios para casa e exibi-los na sala como troféu. Eu sou daquelas que não gosta nem de tocar nos objetos, como se de alguma forma fosse maculá-los ao modificar a ação silenciosa e constante do magnífico oceano que os acolhe e organiza conforme sua vontade, assentando-os de uma forma que faz parecer que para isso foram projetados. Prefiro deixa-los ali, e saber que num próximo mergulho os encontrarei talvez de uma outra forma, oferecendo novas surpresas. E que, para merecer a majestade dos naufrágios, tem que pagar o preço: mergulhar. Mas as pessoas são diferentes.

Já havia adquirido a tranquilidade e segurança como mergulhadora avançada, já conhecia muitos naufrágios, mas senti falta de ir até a última fronteira, ir mais fundo e ficar mais tempo, assim como disse o célebre alpinista… por que escalar o Everest? Porque ele está lá.

Preciso ir aos naufrágios porque eles estão lá. E se um ser humano é capaz de fazê-lo, eu também sou.

Há também os naufrágios propositais, para criação de recifes artificiais e mergulho. Não carregam uma história tão intrigante e foram cuidadosamente preparados, mas não são menos interessantes. A forma como repousam no leito do oceano nem sempre respeitam o planejamento humano e evoluem com as marés e tempestades. A vida que lá vai se instalar não é programada por ninguém. E os navios tem sim, sua história, apenas com menos ação do acaso.

Vamos ao segundo melhor mergulho do Brasil: os naufrágios do nordeste. Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte. A mesma água e a mesma vida de Noronha, mas que só existe em torno destes pontos perdidos no oceano.

O treinamento

O objetivo veio naturalmente, o treinamento lentamente.

Comecei usando roupa seca[2] (desnecessária nos naufrágios do nordeste, claro, mas parte da minha preparação para mergulhar mais fundo), passei pelo curso rescue, deep, naufrágio, sidemount, e muitos mergulhos para consolidar todas as novidades.

Visitei Serrambi, mergulhando nos naufrágios do Marte e Gonçalo Coelho. Mergulhei no Victory 8 B. Fui à Flórida, conhecer o Duane, o Spiegel Grove e o Benwood. O Pinguino (Angra) e o Buenos Aires (Rio) são velhos conhecidos, também visitei o Califórnia, Bezerra de Menezes, Parnaioca e outros da região, naufrágio não é exatamente uma novidade, há muitos no log book, mas ver um monte de ferro e entender sua lógica e história são coisas diferentes. Para isso escolhi o curso de um dos maiores especialistas no assunto, o biólogo e pesquisador Maurício Carvalho. Duvidei, mas ele conseguiu fazer com que eu me interessasse por um monte de sucata e mudou definitivamente minha visão de um naufrágio.

Mas a fronteira tech ainda estava lá: precisava ganhar mais profundidade e tempo.

“A gente repete que quer mas não busca e de um modo abstrato se ilude que fez”

Veio à minha mente (frase de uma música brega, não conto qual). Desde sempre, como mergulhadora, eu sabia que iria fundo e faria mergulho descompressivo[3]. Por que então ainda não estava fazendo?

Escolhi um mestre para essa empreitada e não fiz por menos, o fera Stavros (course director da PADI). Podia ser outra certificadora, whatever, o importante é aprender direito.

Naufrágio Marte
Naufrágio Marte
Foto © José Dias

Como proposta do instrutor, começamos pelo side mount[4], ainda em uso recreativo[5]. Isso me familiarizaria com procedimentos do Tech[6] e novos equipamentos, e me abre flexibilidade para fazer Tech em qualquer local que tenha cilindro AL80 (os mais comuns).

Mas um motivo importante, bem importante, foi a coluna. Side mount é muito legal para a coluna e permite retirar os cilindros na água um a um com facilidade.

Encomenda do instrutor para ir para o Tech: logar (registrar) pelo menos 20 mergulhos de side. Toca mergulhar com side em mergulhos recreativos.

Já comecei a ser aquele bicho estranho no barco, cheia de equipamentos pesados e complexos.

Aprendendo a usar carretilha, aprendendo a fotografar (sim, no meio disso ainda fiz um curso de foto sub), aprendendo a manejar deco marker e outros instrumentos, ou seja, aumentando o task load passo a passo. O side mount apresenta um novo desafio, muda toda a configuração que usei durante 20 anos.

Engajado nessa empreitada estava o mestre Stavros, sempre preciso (e rigoroso, chato mesmo, fazer o que né).

Duas viagens para os EUA para comprar equipamentos e sempre falta alguma coisa. Ao passar para o mergulho tech, esqueça de fazer contas. Vai sair caro, vai levar a maior parte do seu dinheiro, e é melhor não pensar nisso.

Primeiro vem a consciência da responsabilidade e dos riscos. Foco, o mestre ordenava.

Naufrágio Foto © Monica Di Masi
Naufrágio
Foto © Monica Di Masi

No entanto, o princípio ainda é o mesmo: respiração. Respirar sempre, com calma. Tranquiliza e economiza o gás. Todo o resto se resolve com calma e conhecimento; se o treinamento foi bem feito e o equipamento está bem configurado e checado, suas ferramentas estão lá e os procedimentos de emergência você sabe fazer.

Paraceu fácil, mas não é nem um pouco.

Ainda tem a limitação física, colocar uma dupla de cilindros nas costas não é realmente a coisa mais ergonômica da face da terra. Dentro d´água não faz muita diferença, mas entre se equipar até entrar na água e depois subir de volta ao barco e sentar são grandes dramas para mim. Para falar a verdade foi a maior fonte de ansiedade na viagem, justificadamente.

A teoria do Tech é bastante assustadora, manual feito para o aluno desistir,

Início a turma com mais três colegas, todos instrutores de mergulho. Turma de elite, me sinto inferior. Para piorar não consegui me entender com a configuração side + stage[7] + task load[8] do Tech! me atrapalhando na configuração e no gerenciamento do gás. Não consegui acompanhar a turma e fazer os exercícios necessários. Sentimento de que não vai rolar.

Course director em ação, vamos passar para a dupla! Dupla de alumínio AL80.

Os procedimentos eu já conhecia desde o sidemount, então enfim a coisa andou e consegui corresponder ao exigido.

Reagi bem e cumpri as tarefas, s drill, enroscos, cilindro fechado, falta de ar simulada do dupla… Carretilha, lift bag…. Algumas distrações durante o curso, algumas broncas.

Mas passei com elogio do instrutor pela dedicação e persistência.

Budião Papagaio Foto © Monica Di Masi
Budião Papagaio
Foto © Monica Di Masi

Estar fundo sabendo que existe um longo (lento) caminho até a superfície não causa mais desconforto. O mergulho tech aos poucos vai se tornando natural para mim, como foi se tornando o mergulho recreativo. E se tornar natural não significa negligenciar qualquer etapa, mas cumprir todas com segurança e tranquilidade.

Muito para aprender ainda, mas a certeza que estou me tornando quem eu sou.

“Que você escolha o que a faça dançar, não andar pesadamente nem cochilar, pelo tempo afora”.

Me lembro quando novinha (20 e poucos) e tinha moto. Uma vez parei ao lado de um carro com janela aberta onde tinha uma menininha muito linda. Abri o capacete para sorrir e brincar com ela. A menina vira para a mãe e pergunta: mãe, mulher também anda de moto?

Choque! Era final do século XX… Recado para as mamães: digam as suas filhas que elas podem ir aonde elas quiserem, à lua, às profundezas do oceano. E que podem andar de moto, pilotar foguetes. Sim, mulheres podem ser mergulhadoras tech. O equipamento pesa, mas se der um jeito nisso, é só.

Tiro alguma vantagem de ser mulher. Como sou muito medrosa, checo tudo mil vezes, penso no mergulho, pergunto, planejo, penso em todos os meus receios e o que fazer para enfrenta-los e se ainda assim não me sentir confortável, aborto o mergulho; não sou obrigada a fazer nenhum mergulho, e esse pensamento me tranquiliza. Nessa hora é bom ser mulher, ninguém te cobrará pela fraqueza.

A expedição Voyager 2015

Essa era a hora de conhecer os naufrágios mais fascinantes do Brasil, vários deles em conjunto.

A expedição respira mergulho tech, embora nem todo mundo faça descompressivo. Um ou outro desce na configuração recreativa, com cilindro de aço de 15 litros. Sim, porque dá vontade de ficar mais… é para ficar o quanto o computador deixar.

Voyager Foto © Roberto Palmer
Catamarã Voyager
Foto © Roberto Palmer

JDias, instrutor de mergulho, foto e vídeo, mergulhador tech e de cavernas, comanda essa expedição anual, exclusiva e muito especial.

No barco, a super equipe da Atlantis, só tem fera!
A operação é toda redondinha, afinal aquele mar não é para principiantes. E a tripulação, muito experiente, se desdobra para que as férias sejam leves e divertidas e os mergulhos fantásticos.

O barco, preparado para aventuras, é apertado, já que tem que ser ágil, mas super funcional. Acaba tendo lugar para tudo, até para os excessos de bagagem.

Tudo gira em torno do mergulho, montar, ajustar, checar gás, checar equipamento… planejar cada mergulho, escolher o que vai para o fundo.

Não há “quantidade” de mergulho, mas qualidade. Tranquilidade para fazer cada um deles e descansar adequadamente, além de liberar umas bolhinhas.

Mas também tem passeio, as descidas em terra. Muito legal chegar em praias diferentes. Descemos em Recife, passeamos por Olinda. Desembarcamos também em Itamaracá, visitando o forte Orange e o Projeto Peixe Boi. Em Maceió passamos pela praia do Francês e Barra de São Miguel, a parada final.

Forte Orange - Itamaraca Foto © José Antonio Alvares
Forte Orange – Itamaraca
Foto © José Antonio Alvares

Nos intervalos de superfície, muitas histórias de mergulho e muito aprendizado.

Rivalizando com o mergulho, só a arte de comer e dormir.

A turma é constituída na maioria por reincidentes, quer dizer, a maioria já fez a expedição outras vezes. Então já sabem o que fazer, e eu vou imitando.

Os primeiros mergulhos foram tensos. Primeira vez de tech, primeira vez de dupla após o curso, mar de Recife chatinho. Mergulho tech é assim, geralmente em locais mais complicados, faz parte.

A entrada na água precisa ser rápida para aproveitar o posicionamento do barco em relação à correnteza e ir direto para a boia. São muitos os equipamentos de foto para passar aos mergulhadores, então, algumas vezes não tive ajuda para levantar do banco… acabei aprendendo a levantar sozinha, o corpo vai aprendendo a se ajeitar com aquele peso.

Com os dias, fui entendendo a estratégia do posicionamento com a correnteza e comecei a descer direto. Tudo vai ficando mais natural com a prática.

A maioria dos mergulhos é tech “light”, usamos um EAN 32[9] ou menos e fazemos decos de 5 a 7 minutos, com o gás da dupla mesmo. Nos três primeiros mergulhos não levei a câmera, para completar minha adaptação. Mas chega muito rápido a hora da verdade, a hora do Vapor 48… faríamos a ar… ansiedade total, como será a minha narcose! Quase não consegui dormir. Então, pensei: eu não preciso fazer esse mergulho! Ao pensar isso, simplesmente passou a ansiedade… e eu fiz o mergulho, a narcose foi leve, e o mergulho muito, muito bom.

Outra fronteira foi a Corveta Camaquã, essa com Trimix[10]. 55 metros. Já tinha feito a de Noronha, então não fiquei tão tensa.

Corveta Camaquã Foto © Paulo Meneses
Corveta Camaquã
Foto © Paulo Meneses

Estes dois mergulhos estão um pouco acima do meu nível de certificação, mas foi devidamente acompanhado por profissionais mais do que competentes. Quanto à descompressão eu estava mais do que tranquila. Saber que não posso sair da água de repente não chega a ser uma notícia ruim.

Ao usar dois stages optei pela configuração com a qual já estou mais familiarizada por conta do sidemount, um stage de cada lado, indo contra a preferência geral de usar os dois do mesmo lado, mas que se mostrou perfeita para mim. Não queria abrir chance para confundir os stages, usar o de oxigênio na profundidade errada, ter uma convulsão e morrer afogada (mergulho tech é muito assustador às vezes…ok, eu dramatizei).

Graças ao meu treinamento de side, retirar o(s) stage(s) no caminho de volta para o barco foi natural, chegando com ele pronto para entregar. Fundamental com o mar meio de bode.

Havia um mergulhador de apoio também, que nas decos mais longas recolheu câmeras, stages usadas… sentir tudo funcionando de maneira precisa e tranquila era o que eu precisava para aproveitar os mergulhos seguintes.

Lá pelo meio da viagem as costas doíam muito e tive que lidar com isso, comprar spray… Pensei em desistir. Mas as dores melhoraram e fiz todos os mergulhos.

Tive sempre uma mão para subir no barco.

Meu consumo de ar como sempre causando inveja aos meninos. De muitos mergulhos voltei com 120 bar[11], ou seja, um AL80 teria bastado.

Sinal de que não estava estressada.

O lastro, graças ao chato do JDias, fui tirando e no segundo dia não usava nenhum.

Os companheiros de viagem, além de divertidos, são excelentes mergulhadores e fotógrafos de mão cheia. Voltei praticamente com um “book” sub. Para eles deve ter sido divertido também, não é todo dia que surge uma modelo sub aos 48 metros de profundidade.

Usei minha câmera em alguns mergulhos, ainda sou aprendiz nessa arte. Ainda bem que o local ajuda!

Tartaruga Foto © Monica Di Masi
Tartaruga
Foto © Monica Di Masi

Depois de alguns dias de muito mar, muitos naufrágios pouco visitados, vapor de roda, naufrágio fundo, distante, inteiro ou desmantelado, real ou provocado, golfinhos no caminho, mero, tartarugas, moreias, arraias, lagostas e todos os tamanhos de peixe, começo a perceber que a brincadeira está passando rápido demais e quase é hora de voltar para casa! Ninguém precisa perguntar aos outros se estão gostando. O sorriso constante no rosto denuncia. E a vida no barco, a vista da costa, os pores do sol, garantem uma paz pouco vivenciada no dia a dia das metrópoles.

Grupo Voyager 2015 Foto © Paulo Meneses
Grupo Voyager 2015
Foto © Paulo Meneses

Feliz com o resultado do treinamento e das broncas levadas; não fico em desvantagem em relação aos mergulhadores mais experientes, sempre sabia o que fazer, até mesmo auxiliar quando necessário, não precisei de ajuda exceto para subir no barco, me virei bem quando o bocal do regulador soltou na minha boca.

Volto com o log book recheado de novas experiências, alma lavada e enxaguada, provavelmente algumas bolhas de nitrogênio já devidamente desfeitas, sentindo a terra balançar, feliz e agradecida por tudo e por todos. Vamos em frente, ou melhor, para o fundo.

Coloquei abaixo o log book com os tempos que incluem as decos, quando houve. Os gases usados nos mergulhos foram EAN 32, Trimix 20/20, EAN 50 e Oxigênio.

logbook

Agradecimentos especiais a dois grandes mergulhadores “chatos”: JDias e Stavros. Eu gosto de mergulhadores chatos. Graças a eles eu aprendo e melhoro a cada dia com muita responsabilidade, dominando a técnica com paciência e dedicação. Podem continuar a me dar broncas.

A propósito de toda essa conversa… não sou apaixonada especialmente por naufrágios, mas sim por todo tipo de mergulho, e naufrágio é um deles. Sou apaixonada também por mergulho noturno e amo os grandes – tubarões, golfinhos, arraias. Só não sou apaixonada por cavernas porque ainda não desbravei essa fronteira!

Naufrágio Taurus Foto © José Dias
Naufrágio Taurus
Foto © José Dias
Nico e Mestre Rodrigues Foto © José Dias
Nico e Mestre Rodrigues
Foto © José Dias
Mestre Rodrigues Foto © José Dias
Mestre Rodrigues
Foto © José Dias

Monica
TRIPULAÇÃO: Nico, Nilo, Juarez, Rodrigues e Erotides
MERGULHADORES: Alexandre Alvares, Catarina Tardin e José Antonio Alvares (Cuiabá), José Dias, Paulo Menezes, Ronaldo Spinelli e Monica Di Masi (Rio de Janeiro), Sérgio Schuler da Rocha (Recife) e Roberto Palmer (Brasília).


[1] Narcose é a chamada “embriaguez das profundezas”.

[2] Roupa Seca – Roupa usada no mergulho que proporciona isolamento térmico ou proteção térmica passiva enquanto se está imerso em água.

[3] Mergulho descompressivo – O mergulhador não pode ascender a superfície sem antes permanece determinado tempo em profundidades menores, muitas vezes utilizando outras misturas gasosas.

[4] Sidemount é uma técnica onde se usam dois cilindros ao lado do corpo

[5] Mergulho recreativo fica dentro de limites de profundidade e não tem descompressão

[6] Mergulho “Tech” ou técnico é o mergulho que extrapola os limites do recreativo, em profundidade e por usar descompressão

[7] Stage é um cilindro extra carregado geralmente ao lado do corpo, com gás para descompressão

[8] Literalmente “carga de tarefas”, tarefas a mais a serem executadas

[9] Mistura com 32% de oxigênio, ao invés de ar, que tem 21% de oxigênio.

[10] Trimix – Mistura gasosa onde um percentual de Nitrogênio é substituído pelo gás Hélio que reduz o efeito da narcose.

[11] A quantidade de ar dos cilindros é medida pela pressão, geralmente em “bar”, geralmente 200 no início do mergulho.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Live-aboard no Catamarã Atlantis Voyager – 2010

Pelo quarto ano consecutivo e a pedidos de vários mergulhadores organizamos mais uma expedição pelos melhores naufrágios do nordeste brasileiro, a bordo do catamarã Voyager, um catamarã de 60 pés com toda a infra estrutura necessária para um live-aboard seguro e confortável.

voyager-supO embarque aconteceu no dia 9 de janeiro de 2010, na base da Aquáticos/Atlantis em Recife, que também está totalmente equipada, inclusive para mergulhos técnicos, fazendo suas saídas com o belo e espaçoso catamarã Galileu.

img_4561 img_4503Nossa aventura de 7 dias foi organizada pelo cinegrafista subaquático José Dias com o apoio da Atlantis. Nosso objetivo como sempre era de mergulhar nos naufrágios de Recife (PE) à Maceió (AL) e conhecer o novo naufrágio do rebocador Walsa, afundado propositalmente pela AEMPE – Associação das Empresas de Mergulho do Estado de Pernambuco, juntamente com a empresa Wilson, sons em parceria com as universidades UFPE e UFRPE.

Para conhecer a história do Walsa e de todos os naufrágios que visitamos, vá ao site do biólogo e pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho em Naufrágios do Brasil.

Após a montagem dos equipamentos, Nico, o responsável pela operação realizou o briefing para todos os mergulhadores.

briffingDia 10 – Primeiro dia de mergulho, depois de um ótimo café da manhã, zarpamos para o primeiro mergulho do dia, nada mais nada menos do que o Vapor Bahia. Sem dúvida um dos naufrágios mais bonitos do Brasil. De tão bom fizemos dois mergulhos no mesmo dia.

rap1741 Para fechar o nosso primeiro dia com chave de ouro, fizemos nosso terceiro mergulho, logo após um almoço dos Deuses, preparado pelo Chef Cícero, no Pirapama. Onde o fotógrafo Roberto Palmer pode registrar as tartarugas que fazem a festa dos mergulhadores.

O Pirapama está localizado a 6 milhas da costa, entre Olinda e Recife e é frequentemente visitado pelas operadoras de Recife. Contudo, nos mergulhos que fizemos, tivemos o privilégio de ter esse naufrágio só para nós.

pirapama1 pirapama2jpgO mergulhador Adair Ribeiro realizou o primeiro dia de mergulho com o rebreather Optima, fabricado pela Dive Rite. Infelizmente no último mergulho do dia, ao chegar à superfície foi verificado que o backplate de “plástico” estava quebrado. O backplate é a peça básica onde são fixados todos os outros itens. Para tristeza de Adair, não houve a possibilidade da Dive Rite enviar um novo backplate, este de alumínio, para Recife. Mas com o auxílio do Nico, rapidamente um setup de duplas AL80 foi disponibilizado para o restante da viagem.

Dia 11 – Acordamos cedo e ansiosos para conhecer o Walsa, um reborcador que repousa em posição de navegação aos 40 metros de profundidade. O naufrágio está inteiro, ainda com pouca vida devido ao pouco tempo no fundo, desde 28/05/2009. Ainda é possível ver o nome do rebocador Walsa no costado e na popa. O Walsa é mais uma bela opção para o mergulho técnico.

walsa1_pm walsa2O segundo mergulho do dia foi no naufrágio conhecido como Chata de Noronha. Segundo o que é relatado, esta chata fazia transporte de material entre recife e a Ilha de Fernando de Noronha e que teria naufragado durante uma forte tempestade.

chata2_pm chata1 Após o almoço, realizamos um mergulho no Vapor de Baixo.

vapor5_pm vapor3_pm

Aproveitamos que ainda estávamos ancorados na base da Aquáticos e antes do jantar fomos passear por Recife. Compramos algumas lembranças para familiares, baterias e pilhas e visitar o Shopping Center Paço Alfândega.

Dia 12 – Depois de prepararmos as misturas de trimix e separarmos as stages para descompressão, partimos em direção ao Vapor dos 48. Este naufrágio, também desconhecido é assim denominado devido a sua profundidade e não por ser seu nome real.

Neste mergulho, pegamos uma leve correnteza, a única em toda a viagem, mas que não impossibilitou em nada desfrutar deste ótimo naufrágio.

Como este mergulho é profundo e no dia seguinte teríamos outro mergulho, ainda mais profundo, fizemos um intervalo de superfície bem longo e finalizamos o dia com um mergulho ao cair da noite no Pirapama.

No retorno, preparamos novas misturas e stages para o naufrágio mais esperado e um dos melhores de Recife, a Corveta Camaquã.

Dia 13 – Eu e o Adair já havíamos feitos alguns mergulhos na corveta, mas confesso que nunca havíamos pego uma condição de mar tão perfeita. A estratégia do Nico em chegarmos ao ponto de mergulho no momento correto do estofo da maré foi perfeita. Nenhuma correnteza, uma visibilidade de 40 metros e uma água por volta de 28º, possibilitou, o que eu considero um dos melhores mergulhos que realizamos naquele naufrágio. A Corveta Camaquã está em uma profundidade de 55 metros e foi possível mesmo nesta profundidade, ver a proa do hélice. Melhor condição impossível!

camaqua camaqua1 Como o retorno à Recife foi cedo, fomos “esticar as pernas” em Olinda.

Dia 14 – O primeiro mergulho do dia foi o rebocador Marte (1998). Este naufrágio artificial está inteiro. Localizado em Serrambi possui bastante vida e é diversão garantida.

Para completar o dia realizamos dois mergulhos no naufrágio do Gonçalo Coelho. Originalmente um navio de desembarque de carros de combate LST (Landing Ship Tank), depois, durante alguns anos realizou o transporte de carga entre Recife e a Ilha de Fernando de Noronha, até que em 1999 afundou próximo ao Marte.

marte gcoelhoLogo após mais um maravilhoso jantar, partimos em direção a Maceió (AL). Uma das noites mais estreladas que me recordo de ter visto.

A previsão era de navegarmos a noite inteira para estarmos no local do nosso próximo mergulho às 7 horas da manhã.

Dia 15 – Navegamos a noite inteira e as 7 da manhã em ponto estávamos sobre o Navelloyde Nº4, conhecido como Sequipe, que só teve sua identificação confirmada em 2007, pelo pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho durante a Expedição de 2007. Este naufrágio encontra-se inteiro a 30 metros de profundidade. Possui um enorme guincho sobre seu casco onde vários cardumes costumam se abrigar.

sequipe1_pm sequipe2_pmApós um belo lanche durante intervalo de superfície zarpamos para mais um mergulho, este no naufrágio do Draguinha. O Draguinha é na realidade a Draga Nº 9, que também foi identificada em 2006 pelo pesquisador Maurício Carvalho.

Depois de um ótimo almoço preparado pelo Chef Cícero, partimos para mergulhar no André Rebouças, conhecido como Dragão.

drag4_pm drag2_pm drag3_pmDurante a navegação para Barra de São Miguel, onde a Atlantis possui sua base, o Adair, moderador do fórum ScubaBR sorteou alguns brindes. Anotamos os nomes de todos os participantes, inclusive da tripulação e chamamos o Nico para sortear os ganhadores. Ele avisou de ante mão: Eu sempre tiro o meu nome. Ninguém acreditou. A foto está abaixo para comprovar.

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Para não corrermos o risco com o Nico, chamamos para o segundo sorteio o chef Cícero, o que não adiantou nada. Tirou o próprio nome! A sorte da tripulação só foi quebrada após mestre Djalma ter sorteado o Paulo Menezes.

Os brindes foram:
T-Shirt ScubaBR – Nico e Paulo Menezes;
Mini-ferramentas – Cícero.

Depois de uma noite navegando e três mergulhos maravilhosos nas águas calmas e quentes de Alagoas, fomos dar uma volta em Barra de São Miguel. Pelo sorriso estampado no rosto de todos, percebe-se que a noite foi divertida.

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Dia 16 – Os dois mergulhos do último dia seriam no Itapagé. Naufrágio com 120 metros de comprimento e que merece muitos mergulhos. Sempre repleto de vida para diversão dos fotógrafos e cinegrafistas.

O Itapagé. é um dos mais belos naufrágios de Alagoas e sua história nos remete a 2º Guerra Mundial, quando foi atingido por dois torpedos lançados pelo U-Boat U-161, afundando na altura da Lagoa Azeda.

itapage1 itapage2 itapage4 itapage5 banho2 ita_pmÉ possível ver várias peças dos caminhões que o navio carregava e muita louça, inclusive uma enorme variedade de garrafas. Os motores a diesel, com 6 metros de altura merecem atenção especial, logo ao lado é possível encontrar máquinas a vapor.

Para finalizar nossa expedição, mestre Djalma nos brindou com um atum fresquinho, que ele mesmo pescou durante a navegação. E como não podia ser diferente, o Chef Cícero, mais uma vez nos surpreendeu.

sashimi ciceroturma_4754E assim finalizamos com chave de ouro nosso live-aboard. Todos felizes com os mergulhos, acomodações, atendimento, segurança, novas amizades e a certeza de que no próximo ano estaremos lá novamente!

TRIPULAÇÃO: Nico, Djalma, Juan, Cícero e Rodrigues.
MERGULHADORES: Adair Ribeiro (São Paulo), Alexandre e José Antonio Alvares (Cuiabá), Rafael, Daniel e Alberto Oda (São Paulo), Paulo Menezes e José Dias (Rio de Janeiro) e Roberto Palmer (Brasília).

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

Live-aboard no Catamarã Atlantis Enterprise

Pelo terceiro ano consecutivo mergulhamos pelos naufrágios e por alguns outros pontos interessantes do nordeste brasileiro. Em 2008 e 2009, essa aventura aconteceu a bordo do confortabilíssimo Catamarã Enterprise.

Em 10 de janeiro de 2009, sob o calor de Recife embarcamos em uma viagem de 7 dias organizada pelo cinegrafista subaquático José Dias com o apoio da Atlantis. Nosso objetivo: mergulhar nos naufrágios de Recife (PE) e Maceió (AL), muita descontração e alegria. Além do 1º Curso de Vídeo Sub a bordo do Enterprise.

O ponto de encontro dos 10 mergulhadores foi o Porto de Recife, no Marco Zero. Vindos dos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo nosso grupo foi recebido pelos 7 tripulantes altamente qualificados da bela embarcação.

Como de costume, montamos os equipamentos de mergulho no fim do dia, logo após o briefing e o cocktail de boas vindas.

No primeiro dia de mergulho partimos ainda cedo, logo após o café da manhã e às 10:00 horas já estávamos na água mergulhando no Reboque Flórida.

Florida-(9)Depois de um pequeno lanche para acompanhar o intervalo de superfície, estávamos pronto para o segundo mergulho do dia, Servemar I.

Depois de um ótimo almoço, preparado pelo Chef Ítalo Sales e de um bom descanso, fomos para o nosso terceiro mergulho do dia no Vapor de Baixo.

Com uma água com mais de 20 metros de visibilidade e 27º de temperatura, fizemos um mergulho de 45 minutos neste naufrágio, que embora pequeno, oferece a rara possibilidade de se observar um vapor com as suas duas rodas de propulsão ainda na posição de uso.

Vapor-de-Baixo-1o-(33) Servemar-(6)Acordamos cedo para o nosso segundo dia de mergulho, que começaria no Vapor Bahia. O Bahia dispensa qualquer comentário, um dos naufrágios mais bonitos e curiosos, principalmente pela sua trágica história de colisão com o Pirapama. Realizamos dois mergulhos com aproximadamente 60 minutos cada.

Vapor-Bahia-1o-(4) Vapor-Bahia-1o Vapor-Bahia-1o-(3)

Depois de um magnífico almoço e um bom descanso partimos em direção ao Porto de Recife. No caminho, ao cair da tarde, um mergulho no Pirapama.

O Pirapama está localizado a 6 milhas da costa, entre Olinda e Recife e é frequentemente visitado pelas operadoras de Recife. Contudo, nos mergulhos que fizemos, tivemos o privilégio de ter esse naufrágio só para nós.

Depois de ancorarmos no Porto de Recife para o pernoite e de nos deliciarmos com o jantar, o grupo se espalhou por passeios em Recife. Todos retornaram cedo ao Enterprise, pois no dia seguinte começariam os mergulhos mais profundos e um bom descanso com uma boa noite de sono cairia muito bem.

Acordamos e tomamos nosso café da manhã partindo para o Vapor dos 48. Este vapor é assim denominado devido a sua profundidade e não por ser seu nome real. Como vários naufrágios de Recife, sua origem também é desconhecida.

Vapor-dos-48-(31)No Vapor dos 48 foram usadas misturas gasosas para garantir a segurança e podermos desfrutar ao máximo este lindo naufrágio.

No retorno, fizemos um segundo mergulho no Vapor de Baixo.

Seguindo com os mergulhos profundos, chegou a hora do naufrágio mais esperado e um dos melhores de Recife. A Corveta Camaquã

A Corveta Camaquã foi ao fundo devido às péssimas condições de mar. Hoje, as cargas de profundidade usadas para combater os submarinos do eixo na 2ª Guerra Mundial estão espalhadas pelo fundo próximo da popa e continuam intactas.

A Corveta Camaquã está a 55 metros de profundidade apoiada no fundo de areia pelo bordo de boreste. Seu estado de conservação é perfeito, embora as chapas internas já estejam bastantes fragilizadas.

Depois de um mergulho profundo realizado com absoluto sucesso, só nos restava retornar a Recife para o pernoite. Isso seria o normal em qualquer operação de mergulho, mas não no Enterprise. Encerrarmos o dia com mais um mergulho no maravilhoso Pirapama.

Nossa estada em Recife estava chegando ao fim e, portanto, resolvemos encerrar o dia visitando Olinda.

Na manhã seguinte, ainda muito cedo partimos para Serrambi para mergulharmos no Rebocador Marte. O Marte é um naufrágio artificial criado em 1998.

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Saimos do Marte para realizarmos dois mergulhos no naufrágio do Gonçalo Coelho.

O Gonçalo Coelho era um navio de desembarque de carros de combate LST (Landing Ship Tank). Após a 2ª Guerra Mundial foi reformado para outros serviços. Fez durante alguns anos o transporte de carga entre Recife e Fernando de Noronha. Com o intuito de servir de recife artificial foi afundado em 1999.

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Depois de dois maravilhosos mergulhos no Gonçalo Coelho, zarpamos em direção a Alagoas. Nossa navegação duraria a noite toda e a previsão era de que no dia seguinte, amanhecêssemos em cima do naufrágio do Dragão – André Rebouças.

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Embora tenha naufragado em 1927, este naufrágio só foi identificado em janeiro de 2006, pelo pesquisador e biólogo Maurício Carvalho, na expedição a bordo do Catamarã Voyager. O nome correto deste naufrágio é André Rebouças.

Depois de uma hora de mergulho e um lanche para acompanhar o intervalo de superfície, partimos para o segundo mergulho do dia no Draguinha. O Draguinha é na realidade a Draga Nº 9. Foi identificada também em 2006 pelo pesquisador Maurício Carvalho. O tempo em Alagoas estava nublado e com uma chuva fina, mas o mar estava totalmente parado.

Nosso terceiro mergulho do dia foi no naufrágio do Sequipe, uma chata cujo nome correto é Novelloyde Nº 4. Este naufrágio encontra-se inteiro a 30 metros de profundidade. Possui um enorme guincho sobre seu casco onde vários cardumes costumam se abrigar.

Nosso último dia de mergulho! Para fecharmos com chave de ouro, 120 metros de naufrágio. O Itapagé é um dos mais belos naufrágios de Alagoas e sua história nos remete a 2º Guerra Mundial, quando foi atingido por dois torpedos lançados pelo U-Boat U-161, afundando na altura da Lagoa Azeda.

Itapage-1o-(10) Itapage-1o-(13) Itapage-1o-(44)

É possível ver várias peças dos caminhões que o navio carregava e muita louça, inclusive uma enorme variedade de garrafas. Os motores a diesel, com 6 metros de altura merecem atenção especial, logo ao lado é possível encontrar máquinas a vapor.

Enterprise_2009-072TRIPULAÇÃO: Nico, Djalma, Jacson, Bruno Noronha, Ítalo, Luciana e Edilka.
MERGULHADORES:
Adair Ribeiro, Carlos Augusto Bruno, Cláudio Couto, Consuelo Magalhães, Renzo Martins, Eduardo Tellechea, Pedro Máximo, Vivian Szterling, Maurício Carvalho e Jose Dias.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias