Com Nautilus Lifeline regitrado, protagonista de Mar Aberto nunca mais.

Ok, o filme Mar Aberto é horrível. Mas a inspiração para o filme foi um fato real e coisas assim acontecem mesmo. É um pesadelo recorrente entre mergulhadores – emergir longe da vista do barco e não conseguir voltar. Todo mergulhador experiente provavelmente já passou por um sufoquinho de estar um pouco longe do barco enfrentando ondas e correnteza e percebeu como isso pode se tornar complicado. Neblina, ondas altas, estar atrás de uma ilha, correnteza afastar rápido demais ou o barco simplesmente ter ido embora… neblinaNão são incomuns os mergulhadores “deixados para trás”. Acompanhei algumas histórias recentes, algumas resultando no pior. Aqui dois exemplos:

http://www.deweyhammond.com/travel/lost-in-the-carribean-sea

http://edition.cnn.com/2014/02/17/travel/bali-divers-search/

Como tenho planejado viagens para locais mais remotos, como Revillagigedo (onde fui recentemente), Galápagos, Indonésia etc, a preocupação em não ser protagonista de um filme horrível como Mar Aberto cresceu.IMG_3644_h2o

Enfim, numa das minhas viagens aos EUA para adquirir equipamento Tech, comprei um Nautilus Lifeline – rádio marítimo com GPS à prova d´água que permite a comunicação do mergulhador com qualquer embarcação próxima, e até com os serviços de emergência locais (guarda costeira, bombeiros etc).

Já havia sido informada que no Brasil não era possível registrar o rádio e obter o tal número MMSI (Maritime Mobile Service Identity), pois a ANATEL só daria esse registro para rádio em embarcações, mas que isso só impediria de usar o botão vermelho. O rádio tem três botões, verde, laranja e vermelho. O vermelho é o sinal de socorro; se apertar este botão, sua posição em GPS é enviada para todos as embarcações num raio de até 55 Km, além da guarda costeira.

Não sei se este botão é absolutamente necessário, já que o verde permite conversar com qualquer barco próximo (vem ajustado para o canal 68) e o laranja é o canal de socorro internacional, o canal 16.  Mas como somente nesta função a posição em GPS é enviada automaticamente, me pareceu prudente ativá-la.

Quando comprei, em julho de 2014, a notícia era que no Brasil não era possível registrar um rádio sem estar atrelado a uma embarcação. Conheci algumas pessoas que tinham o rádio e nenhuma delas tinha registrado. Até que recebi a notícia que um conhecido de um amigo tinha conseguido registrar. Que tinha sido difícil demorou e tal, mas não consegui receber informação sobre o processo.

Como boa funcionária pública, estou acostumada a lidar com burocracia e a ter paciência. Então não me intimidei.

Busquei no site da ANATEL o procedimento para registro de rádio marítimo.

Bom, como o site vive mudando, a busca foi mais ou menos assim: serviço regulado  – outorga – serviço móvel marítimo.

Aqui o texto que encontrei na página.

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Bom, tudo muito bem explicado, menos a parte do rádio não estar ligado a uma embarcação.

Vantagem de morar numa capital, preenchi previamente o formulário e fui na sede da ANATEL, no endereço:  Praça XV de novembro, 20, 9 andar. É o prédio da antiga bolsa de valores, e a entrada é pela rua do Mercado, pelo subsolo.

Cada capital tem uma sala do cidadão (vi em consumidor, canais de atendimento). Reproduzo a página abaixo.

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Aqui a placa com o horário de atendimento.
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Sugiro ir no horário em que os dois tipos de atendimento estão funcionando, o protocolo e o atendimento ao público.

Cheguei lá com  o formulário parcialmente preenchido, pois não sabia como preencher os campos de informação da embarcação e outros detalhes do rádio.

Expliquei para a moça do protocolo, que sabia vagamente algo sobre o assunto e chamou um rapaz que poderia me ajudar. De fato, veio me atender um rapaz que sabia do caso (aparentemente trabalhou na regulamentação) e me ajudou a completar o formulário, e anexou a homologação do Nautilus Lifeline ao meu processo. Soube então que este rádio já está homologado na ANATEL.

Aqui as duas páginas do formulário:

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Dei entrada com a moça do protocolo, que me deu um número para acompanhar pela internet. A previsão seria de duas semanas para receber os boletos.

Eis que,  uma semana depois, recebo a correspondência.

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O que parecia estar resolvido de repente não estava, pediram os dados da embarcação.

Fui pessoalmente de novo, encontrei a mesma moça no protocolo, mencionei o problema e pedi para falar com o mesmo rapaz, e logo fui atendida.

Ele pegou meu processo e logo detectou o problema, um dos campos do formulário não havia sido preenchido – e então o preenchemos com uma informação do tipo “equipamento para salvamento de mergulhador”, pode ser qualquer descrição que deixe claro que não é equipamento para barco e sim para mergulhador.
Feito, o processo seguiu, 15 dias depois recebo os boletos para pagamento, com um prazo de vencimento bem longo.

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Paguei um pouco antes do prazo, para não atrasar muito o processo.

Uma semana depois de pagas as taxas, recebo em casa a licença e o número MMSI.

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Já havia instalado o “desktop software” do Nautilus Lifeline no meu PC, necessário para fazer atualizações e o registro. Conectei o radinho ao PC e segui os procedimentos. Pronto, rádio registrado! Menos de dois meses para o processo todo. Pode ser menos de um mês, se não houver pendência e se o pagamento for imediato.

De qualquer forma, espero nunca precisar usar o botão vermelho…

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

O dia em que quase tudo deu errado ou o jogo dos sete erros.

O título também poderia ser: Dormindo mal e suas consequências para o mergulho tech.

Passei uma semana envolvida com vários problemas e com pouco sono.

O mergulho estava previsto para domingo, aparentemente haveria tempo para me recuperar. Sexta feira uma happy hour com amigos se transformou numa noitada com  direito a cachaça. Mas tinha o sábado para me recuperar… dia em que também não consegui dormir cedo.

Acordo domingo tudo aparentemente normal, porém passei ao lado do meu carro com o equipamento e NÃO VI. Continuei procurando o carro até me lembrar onde tinha deixado. Já comecei a ficar meio preocupada – eu passei DO LADO arrastando o equipamento e meu carro não é prata ou preto, é azul.

Mas vamos lá, perdoável, eu estava olhando para longe, onde achava que o carro estava.

Missão do dia, eu e mais um tech já credenciados íamos descer junto com o instrutor e três alunos em check out de tech. Alguém ia carretilhar e íamos mergulhar no nada, só para treinar, mas com descompressão real.mergulho01_02

Montei o equipamento perfeitamente, eu achava. Fui de sidemount e resolvi reduzir 2 kg de lastro em relação ao último mergulho, pois estive muito pesada. Coloquei os 8 kg na “placa” de pesos que fica atrás do colete, excelente para uso com side. Assim, só precisava de mais dois na cintura para completar os 10 kg que eu queria. Coloquei os lastros – eu tinha certeza – e aparafusei a placa, uma tarefa meio chata, principalmente com todos os lastros, que repito, eu tinha certeza que estavam lá…

Montagem dos três cilindros (dois S80 do side e o stage), revisão do planejamento, acerto do computador, análise do gás, marcação do cilindro… fui fazendo com calma, e, eu achava, com a devida atenção.

Seguindo as orientações do instrutor, eu tinha certeza de qual era a missão e meu papel – eu e meu dupla já credenciados passaríamos a carretilha e faríamos o nosso mergulho enquanto os outros faziam sua aula. Eu estava convicta da tarefa e eu estava certa também que meu dupla iria passar a carretilha. Só esqueci de conferir com ele se ele estava tão convicto quanto eu…

Começa o mergulho, chego ao fundo e percebo que estou mais para neutra, não estou pesada como é de se esperar no início de um mergulho tech com dois S80 e um S40 tudo cheio. Já fico meio preocupada ponderando se devo fazer descompressão ou devo parar o mergulho antes.

Os alunos acabam levantando muita suspensão, um salseiro danado, e é complicado achar meu dupla. Lá pelas tantas, acho meu dupla, mas o cabo eu já não sei onde está. Meu dupla está parado, esperando não sei o que. Quando o instrutor irritado e/ou assustado aborta o mergulho e manda todo mundo subir…

Segundo erro: não combinei com meu dupla. Embora eu estivesse certa da missão eu não perguntei a ele se ele estava certo também.

Fiquei até aliviada, pois eu já estava pensando em abortar o mergulho mesmo, devido ao lastro insuficiente. Subimos, o instrutor foi dando a bronca e revendo o planejamento para retornar ao mergulho. Eu decidi ir buscar mais lastro. Pensava em acrescentar os 2 kg que eu pensava ter reduzido.

Primeiro pedi ao barco um cinto com 2 kg e tentamos colocar dentro d´água. Tenta assim, tenta assado, cansa, desisti. Resolvi subir, desequipar e colocar o cinto.

A tripulação estava ocupada com qualquer coisa, tirei o stage, chamei para alguém vir pegar, mas tive dificuldade para tirar o cilindro do lado esquerdo, e sem ajuda tentei  subir com os dois, fiquei entalada na escada, voltei para a água, já sem as nadadeiras, mar balançando, apanhei um pouco para tirar, fechei o cilindro para desconectar a mangueira da roupa seca… acabei subindo já estressada e cansada. Coloquei o cinto, mas resolvi esperar um pouco… pensei, não, isso não está legal. Já gastei muito ar, já estou cansada, nada de descompressivo hoje. Largamos os stages no barco.

Talvez uma das únicas decisões sensatas do dia.

Resolvemos fazer um recreativo mesmo nas pedrinhas.

Ao iniciar a descida resolvi trocar logo o regulador para o cilindro da esquerda, pois o da direita já estava com só 120 bar. Eis que estava fechado, pois tinha fechado para desconectar a mangueira da roupa seca e não abri novamente… e foi a primeira vez na minha vida que lembro de levar um regulador à boca sem purgar para testar, logo essa, que estava fechado. Volta para o regulador do cilindro da direita, abre a torneira… Eu estava melhor lastreada, mas ainda com dificuldade para descer. E sem entender. Pior, sem notar que algo teria que estar errado. Meu dupla me ajuda a descer, a roupa seca começa a me apertar, levo o dedo ao botão para inflar a roupa, eis que a mangueira está desconectada… bora conectar. Isso me rendeu algumas manchinhas roxas nos braços…

Começo o mergulho bem e tal… mas lá pela metade começo a ficar MUITO positiva. Meu dupla arruma uma pedra e eu passo mais da metade do mergulho agarrada a ela, mas por duas vezes ela caiu e fiz um enorme esforço para pegá-la.mergulho01_03

Acabamos o mergulho sem grandes incidentes, volto para o barco, e ao desmontar o equipamento… só tinham QUATRO kilos na placa de lastro ao invés dos oito que deveriam estar lá. Desvendado o segredo da flutuabilidade descontrolada.

Depois disso, só me restava chegar em casa e ajoelhar no milho.

Uma sequencia de erros que poderia ter levado a problemas BEM sérios.

E nunca mais pensar em fazer mergulho tech sem estar bem descansada, bem dormida, bem atenta.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

O Dive Master mala

Já falei do dupla mala, mas também tem o Dive Master mala. Na Florida, em Key Largo, onde fui mergulhar sozinha (e comprar equipamentos, hehehe), quis evitar um dupla mala e contratei mergulho guiado para os naufrágios. Num desses mergulhos tive que enfrentar um típico DM mala. Um alemão que queria tanto mostrar serviço que além de ser irritante acabou produzindo efeitos contrários ao pretendido, que era dar mais segurança ao mergulho.
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Na verdade não acho que ele queria dar mais segurança ao mergulho, mas sim mostrar serviço e merecer uma boa gorjeta, pois lá é costume a gorjeta para a tripulação. Mas ele se deu mal, pois sou brasileira e não dou gorjeta por esse serviço, além do mais, ele me irritou tanto que não fiquei a fim mesmo…

A postura pedante de quem te acha uma retardada, até a máscara ele arrancou da minha mão para lavar de novo. Apareceu com um cilindro gigantesco dizendo que seria para me fornecer ar caso o meu acabasse. Hum. O mergulho que estávamos fazendo exigia um certo nível de certificação. Mas vá lá…. só que ele estava tão agitado que deixou solto e o cilindro dele caiu.

Todos os direitos resaervado © Roberto Palmer
Todos os direitos reservados © Roberto Palmer

A checagem do meu equipamento incluiu desmontar tudo o que eu tinha montado. E detalhes completamente desprezíveis. Por exemplo, a alça do colete “tem que” ficar presa entre o cilindro e o regulador. Ah ta…. Me deu aula disso. Tudo o que eu ia fazer ele interrompia. Arrancou a máquina fotográfica da minha mão e tirou um monte de fotos que eu jamais tiraria, fotos minhas com todas as caretas típicas do mergulho. Pra que isso???? Eu perguntei. Ele disse que era para mostrar para minha família. OK, tenho mais de 500 mergulhos. Minha família já entendeu que faço isso. Não preciso de provas! Só de boas fotos. Vamos para o mergulho… Ufa, o mergulho não foi tão ruim, aos poucos ele relaxou e pude aproveitar. Mas a questão do equipamento me deixou irritada, sim. Conferir o equipamento é obrigação. Mas desmontar e montar de novo não é checar. E impor uma configuração sabendo que não é obrigatória e eu prefiro outra? Arrancar uma máscara que eu já tinha passado anti embaçante e lavado para lavar de novo?

Já num liveaboard encontrei um Dive Master figura que era o oposto. Ninguém conseguiu descobrir a que veio. Não fazia nada. Tentou remanejar as cabines para ganhar uma só para ele, dormia que nem um porco, pegava nossas cangas para se enrolar, era o primeiro a se servir na comida e na sobremesa, procurando sempre os melhores pedaços para ele…rs… Tomava banhos detalhados após cada mergulho (não sobra água doce num barco!)… O que faz uma figura dessas num barco? Rsrs lembro: ele não estava de férias, estava a trabalho…. Eu acho.

Outra situação ocorreu durante o curso tec. Quando eu já estava pronta para o passo do gigante – e levantar do banco com uma dupla nas costas é uma odisséia para mim – sinto algo na torneira esquerda. Era o DM “conferindo” se estava aberta! Affffffffff….. quando, posteriormente, fiz meu curso de DM, encontro no manual: nunca toque no equipamento de um mergulhador técnico! Está lá! Aliás, tem muito DM que está precisando reler o manual. Eu sigo me esforçando para não ser como nenhuma dessas figuras que encontrei nos barcos da vida.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Viajando para mergulhar sozinha e o dupla mala

Eu viajo muito sozinha e “desempacotada”, o que dá uma liberdade incrível, mas traz um probleminha: chegar ao ponto de mergulho sem dupla.

O que fazer quando chegamos para o mergulho sem dupla e calha de nós arrumarem um dupla problemático?

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Já aconteceu comigo algumas vezes.

Tem o dupla que cisma de dar um perdido. Uma vez, num ponto com baixa visibilidade, correnteza e orientação difícil, a ordem era seguir o guia. Mas o dupla teimava em se afastar. Eu tentava me posicionar entre os dois, de forma que visse ambos. Mas foi ficando difícil, difícil… Aí eu não sabia se seguia o dupla ou o guia. Optei por c@)&%#r para o dupla e seguir o guia, que sabia melhor onde estava indo. Quando chegou na parada de segurança, o dupla tinha sumido. Avisei ao guia, que largou o deco marker comigo e outra dupla e foi procurar, não encontrando, abortou a parada de segurança e subiu. Ao subirmos, encontramos a figura tranquila como se nada tivesse acontecido, um pouco distante de nós. Mas além de me deixar preocupada, ele colocou a todos em risco, pois o guia largou três mergulhadores a deriva para procurar o tal e abortou a parada preocupado. O que fazer com casos assim? Uma boa é nunca mais mergulhar com esse dupla, mas deveria haver forma de evitar esse comportamento. Mergulhadores mal formados ultimamente infelizmente abundam. Muitas vezes acabo tendo que assumir um papel que não é meu quando estou de turista: ser a única responsável pela orientação, guiando o mergulho e ainda me preocupando com o ar do dupla, que não confere quando deveria.

Quando mergulhei na Flórida me deparei com péssimos mergulhadores, infelizmente parecem comuns por lá. Duplas com nenhum controle da flutuabilidade, batendo a nadadeira no fundo ou ficando muito acima do naufrágio por não ter controle para ficar perto dele… nadando muito rápido, não sei se por ansiedade ou falta de controle de flutuabilidade também. Um dupla mala (mais um) resolveu nadar em disparada atrás de um mero, quando o melhor comportamento seria ficar imóvel, pois o peixão assim estava.
Abrolhos_AEstas experiências remetem à discussão que já acompanhei algumas vezes: é efetivo o sistema de duplas? Tem-se falado de mergulho solo. Com o nível de treinamento que tenho aliados a treinamento e equipamento específicos já não acho impossível um mergulho solo. Existem varias opiniões contrárias ao sistema de duplas, mas para mim ainda predominam as supostas vantagens. Sinceramente é sempre reconfortante ter um ser humano por perto, nunca sabemos que dificuldade pode surgir. Um mergulhador básico pode prender seu cilindro se esse soltar, por exemplo.

Eu por enquanto prefiro manter o padrão, mas espero que todos os mergulhadores se esforcem por ser um bom dupla. Talvez este aspecto deva ser mais reforçado nos cursos.

E vocês, têm alguma história de dupla mala? Cartas para a redação…rs…

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Expedição Rebreather

No ano de 2012 realizamos o 1º Live aboard exclusivo para mergulhadores de rebreather no Brasil a bordo do catamarã Atlantis Voyager.
Participaram os mergulhadores: Adair Ribeiro, André Domingues, Carlos Janovitch e José Maurício Rodrigues.

Voyager Foto © Roberto Palmer
Voyager
Foto © Roberto Palmer


O Voyager é um motor-sailer de 60 pés para até 10 passageiros.
Ele foi construído especialmente para alcançar pontos remotos e entrar em lugares de difícil acesso (calado = 1,40m).
Acomodações:
– 2 cabines com cama de casal na proa.
– 4 cabines com 2 camas (beliche) nos corredores.
– 2 banheiros com chuveiro (1 em cada casco).
Ficha técnica:
Fabricação: Dolphin Catamarans (2004)
Motorsailer / catamarã 60 pés (18,00m x 8,30m).
Tripulação: 4.
Vel. max: 18 nos / Vel. trab.: 11 nos
2 motores inboard 6cil / 170 HP / Mercedes Benz
Óleo: 2700 lts / Água: 2500 lts
Ar condicionado / 2 Geradores Kohler / Dessalinizador
Cozinha externa
2 Compressores

Voyager_PLANTAPara conhecer a história dos naufrágios que iremos mergulhar, vá ao site do biólogo e pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho em Naufrágios do Brasil.

Veja algumas fotos do que rolou no nosso live aboard no Voyager em 2012.


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José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

Live-aboard no Catamarã Atlantis Enterprise

Pelo terceiro ano consecutivo mergulhamos pelos naufrágios e por alguns outros pontos interessantes do nordeste brasileiro. Em 2008 e 2009, essa aventura aconteceu a bordo do confortabilíssimo Catamarã Enterprise.

Em 10 de janeiro de 2009, sob o calor de Recife embarcamos em uma viagem de 7 dias organizada pelo cinegrafista subaquático José Dias com o apoio da Atlantis. Nosso objetivo: mergulhar nos naufrágios de Recife (PE) e Maceió (AL), muita descontração e alegria. Além do 1º Curso de Vídeo Sub a bordo do Enterprise.

O ponto de encontro dos 10 mergulhadores foi o Porto de Recife, no Marco Zero. Vindos dos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo nosso grupo foi recebido pelos 7 tripulantes altamente qualificados da bela embarcação.

Como de costume, montamos os equipamentos de mergulho no fim do dia, logo após o briefing e o cocktail de boas vindas.

No primeiro dia de mergulho partimos ainda cedo, logo após o café da manhã e às 10:00 horas já estávamos na água mergulhando no Reboque Flórida.

Florida-(9)Depois de um pequeno lanche para acompanhar o intervalo de superfície, estávamos pronto para o segundo mergulho do dia, Servemar I.

Depois de um ótimo almoço, preparado pelo Chef Ítalo Sales e de um bom descanso, fomos para o nosso terceiro mergulho do dia no Vapor de Baixo.

Com uma água com mais de 20 metros de visibilidade e 27º de temperatura, fizemos um mergulho de 45 minutos neste naufrágio, que embora pequeno, oferece a rara possibilidade de se observar um vapor com as suas duas rodas de propulsão ainda na posição de uso.

Vapor-de-Baixo-1o-(33) Servemar-(6)Acordamos cedo para o nosso segundo dia de mergulho, que começaria no Vapor Bahia. O Bahia dispensa qualquer comentário, um dos naufrágios mais bonitos e curiosos, principalmente pela sua trágica história de colisão com o Pirapama. Realizamos dois mergulhos com aproximadamente 60 minutos cada.

Vapor-Bahia-1o-(4) Vapor-Bahia-1o Vapor-Bahia-1o-(3)

Depois de um magnífico almoço e um bom descanso partimos em direção ao Porto de Recife. No caminho, ao cair da tarde, um mergulho no Pirapama.

O Pirapama está localizado a 6 milhas da costa, entre Olinda e Recife e é frequentemente visitado pelas operadoras de Recife. Contudo, nos mergulhos que fizemos, tivemos o privilégio de ter esse naufrágio só para nós.

Depois de ancorarmos no Porto de Recife para o pernoite e de nos deliciarmos com o jantar, o grupo se espalhou por passeios em Recife. Todos retornaram cedo ao Enterprise, pois no dia seguinte começariam os mergulhos mais profundos e um bom descanso com uma boa noite de sono cairia muito bem.

Acordamos e tomamos nosso café da manhã partindo para o Vapor dos 48. Este vapor é assim denominado devido a sua profundidade e não por ser seu nome real. Como vários naufrágios de Recife, sua origem também é desconhecida.

Vapor-dos-48-(31)No Vapor dos 48 foram usadas misturas gasosas para garantir a segurança e podermos desfrutar ao máximo este lindo naufrágio.

No retorno, fizemos um segundo mergulho no Vapor de Baixo.

Seguindo com os mergulhos profundos, chegou a hora do naufrágio mais esperado e um dos melhores de Recife. A Corveta Camaquã

A Corveta Camaquã foi ao fundo devido às péssimas condições de mar. Hoje, as cargas de profundidade usadas para combater os submarinos do eixo na 2ª Guerra Mundial estão espalhadas pelo fundo próximo da popa e continuam intactas.

A Corveta Camaquã está a 55 metros de profundidade apoiada no fundo de areia pelo bordo de boreste. Seu estado de conservação é perfeito, embora as chapas internas já estejam bastantes fragilizadas.

Depois de um mergulho profundo realizado com absoluto sucesso, só nos restava retornar a Recife para o pernoite. Isso seria o normal em qualquer operação de mergulho, mas não no Enterprise. Encerrarmos o dia com mais um mergulho no maravilhoso Pirapama.

Nossa estada em Recife estava chegando ao fim e, portanto, resolvemos encerrar o dia visitando Olinda.

Na manhã seguinte, ainda muito cedo partimos para Serrambi para mergulharmos no Rebocador Marte. O Marte é um naufrágio artificial criado em 1998.

Marte-(16) Marte-(17)

Saimos do Marte para realizarmos dois mergulhos no naufrágio do Gonçalo Coelho.

O Gonçalo Coelho era um navio de desembarque de carros de combate LST (Landing Ship Tank). Após a 2ª Guerra Mundial foi reformado para outros serviços. Fez durante alguns anos o transporte de carga entre Recife e Fernando de Noronha. Com o intuito de servir de recife artificial foi afundado em 1999.

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Depois de dois maravilhosos mergulhos no Gonçalo Coelho, zarpamos em direção a Alagoas. Nossa navegação duraria a noite toda e a previsão era de que no dia seguinte, amanhecêssemos em cima do naufrágio do Dragão – André Rebouças.

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Embora tenha naufragado em 1927, este naufrágio só foi identificado em janeiro de 2006, pelo pesquisador e biólogo Maurício Carvalho, na expedição a bordo do Catamarã Voyager. O nome correto deste naufrágio é André Rebouças.

Depois de uma hora de mergulho e um lanche para acompanhar o intervalo de superfície, partimos para o segundo mergulho do dia no Draguinha. O Draguinha é na realidade a Draga Nº 9. Foi identificada também em 2006 pelo pesquisador Maurício Carvalho. O tempo em Alagoas estava nublado e com uma chuva fina, mas o mar estava totalmente parado.

Nosso terceiro mergulho do dia foi no naufrágio do Sequipe, uma chata cujo nome correto é Novelloyde Nº 4. Este naufrágio encontra-se inteiro a 30 metros de profundidade. Possui um enorme guincho sobre seu casco onde vários cardumes costumam se abrigar.

Nosso último dia de mergulho! Para fecharmos com chave de ouro, 120 metros de naufrágio. O Itapagé é um dos mais belos naufrágios de Alagoas e sua história nos remete a 2º Guerra Mundial, quando foi atingido por dois torpedos lançados pelo U-Boat U-161, afundando na altura da Lagoa Azeda.

Itapage-1o-(10) Itapage-1o-(13) Itapage-1o-(44)

É possível ver várias peças dos caminhões que o navio carregava e muita louça, inclusive uma enorme variedade de garrafas. Os motores a diesel, com 6 metros de altura merecem atenção especial, logo ao lado é possível encontrar máquinas a vapor.

Enterprise_2009-072TRIPULAÇÃO: Nico, Djalma, Jacson, Bruno Noronha, Ítalo, Luciana e Edilka.
MERGULHADORES:
Adair Ribeiro, Carlos Augusto Bruno, Cláudio Couto, Consuelo Magalhães, Renzo Martins, Eduardo Tellechea, Pedro Máximo, Vivian Szterling, Maurício Carvalho e Jose Dias.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias