Lanzarote – Um paraíso de Mergulho com o primeiro Museu Subaquático da Europa

Por: Carlos Campaña

Nesta terça-feira, 10 de janeiro de 2017, abriu oficialmente o primeiro museu subaquático da Europa, mas precisamente nas águas claras perto da costa sul de Lanzarote na baía de Las Coloradas, Espanha, chama-se Museu Atlântico. Turistas já poderão mergulhar para observar as 300 esculturas em tamanho natural, esculturas feitas em betão de pH neutro, inócuo para o ambiente. As esculturas foram feitas a partir de pessoas reais e agrupadas em diferentes instalações que chamam a atenção para questões como as alterações climáticas, conservação e migração, com uma área aproximada de 2.500 metros quadrados, a uma profundidade de 12 a 15 metros.

Mais do que beleza cênica e entretenimento para mergulhadores as 300 esculturas mudam a percepção do mergulhador ao observá-las pousando tranquilamente no fundo do mar, num território declarado Reserva da Biosfera pela Unesco.

As esculturas são do escultor britânico Jaison deCaires Taylor, e cada uma delas pretende criar uma conversação. Uma das séries, intitulada The Raft of Lampedusa, inclui esculturas que pretendem alertar para “a responsabilidade coletiva que temos agora na comunidade global” fazendo referência à crise de refugiados e as vidas que se perderam no mar.

Museo Atlántico © Jason deCaires Taylor

Museu Atlântico não é só um museu, é um recife artificial, onde os peixes podem nadar livremente entre as esculturas e se proteger de ameaças, também como uma forma de preservar a fauna do local.

O museu subaquático esta situado em Playa Blanca na parte Sul da ilha de Lanzarote, na baía de Las Coloradas, a uns 200 metros da costa, numa área protegida por lei e que tem as melhores condições para a instalação, por estar protegida das grandes correntes que afetam a costa norte da ilha. 2% da arrecadação paga pelos visitantes serão atribuídos à investigação e divulgação das espécies e faunas marinhas de Lanzarote.

Todos os direitos reservados

O museu é visitado diariamente por mergulhadores de todas as partes do mundo. As tarifas são: Adultos Scuba: 12,00 € Adultos Snorkel: 8,00 €

Dicas

Na ilha, pode-se realizar o que chamo de mergulho das três ilhas, que são pacotes de mergulhos com grupos com 4 ou mais mergulhadores, onde normalmente incluímos o mergulho em 3 ilhas, como a ilha “La Graciosa” e a “Isla de Lobos”.

Conforme a certificação e experiência do mergulhador é possível conhecer cavernas, naufrágios, cordilheiras e a grandiosa vida marinha. Assim como em Canárias é o único lugar de Europa onde é possível mergulhar diariamente com o tubarão Angelote (Squatina Squatina).

Outra vantagem de Lanzarote é a facilidade de encontrar hotéis, apartamentos, carros de aluguel, bicicletas, motos, dentre outros, e com preços para todos os gostos.

Nós mesmos oferecemos a possibilidade de encontrar acomodações, assim como, fazer suas reservas de carro, hotel e demais.

Realizamos também, o transfer dos clientes desde o aeroporto até o hotel e buscamos diariamente para os mergulhos programados.

Conforme o grupo de mergulhadores, deixamos a possibilidade do grupo escolher o local de mergulho desejado.

Faça o download do Guia de Mergulho em Lanzarote – 11.4Mb

Mais informações podem ser obtidas através dos contatos abaixo:

Lanzarote Non Stop Divers

Cel: +00 34 690-808508
E-mail: info@lanzarotenonstopdivers.com
http://lanzarotenonstopdivers.com/

Carlos Campaña
5 Star Padi Dive Center, Lanzarote Non Stop Divers
+ 34 928.517.277 | + 34 690.808.508
info@lanzarotenonstopdivers.com http://www.lanzarotenonstopdivers.com
Av.Papagayo 18 - Centro Comercial Papagayo 67D - 35.580 Playa Blanca - Lanzarote - Spain

10 anos de live aboard

Em 2006 os amigos Maurício Carvalho, biólogo, instrutor de mergulho e especialista em naufrágios, e o Patrick Muller, da Atlantis Divers, me convidaram para embarcar no live aboard do catamarã Voyager, para captar imagens dos naufrágios de Recife e Maceió para um programa de TV. Começava ali um romance com os naufrágios do nordeste que já dura uma década!

O programa, que só iria ao ar em 25/06/2007, era o SBT Realidade, que você pode ver na íntegra abaixo. Mais tarde foi reeditado e deu origem a uma versão resumida no SBT Repórter, que você também pode assistir aqui.

Depois do convite de 2006, embarquei em mais dez live aboards. Na maioria deles, liderando grupos de mergulhadores interessados em embarcar na aventura de fazer uma expedição pela rota dos naufrágios nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Tendo os catamarãs Voyager e Enterprise como nossos portos seguros, sempre acompanhados de um staff competente.

As primeiras expedições que embarquei foram lideradas pelo próprio Maurício Carvalho, depois, assumi o trabalho de agendar, organizar e formar os grupos para a aventura no catamarã Voyager.
Este ano comemorei junto com amigos e amigas 10 anos de live aboard pelos naufrágios do nordeste. Devo ressaltar que ao longo do tempo alguns mergulhadores são reincidentes nesta aventura, alguns participando pela quarta vez, outros quase tanto tempo quanto eu, provando que mergulhar nesses naufrágios é sempre uma fonte inesgotável de prazer. Recebemos neste grupo mergulhadores de todas as partes do Brasil, inclusive do próprio nordeste.

Mergulhadores do live aboard - 2016

Mergulhadores do live aboard Voyager – Brasil H2O – 2016

Para comemorar a data, que para mim é importante, pedi aos parceiros FUN DIVE e Atlantis Divers alguns brindes para sortearmos. Todos os integrantes do grupo receberam alguma lembrança. Tivemos t-shirts, refil de wet notes, canetas, faca X-BLADE para colete, deco marker e adesivos e o melhor, muitas risadas, muitos amigos, muitas histórias, mergulhos, fotos e passeios.

A todos que de alguma forma contribuíram para o sucesso de nossas expedições, deixo aqui meu muito obrigado.


 

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José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

Minha Bonaire desempacotada

Sempre preferi organizar minhas próprias viagens.

Hoje com internet, facebook, tripadvisor, o trabalho do viajante está muito fácil. Lembro de ter que comprar guias e usar o telefone, o que saia muito mais caro. Importante é usar fontes confiáveis e sites oficiais. Eu evito sites de desconto e compra através de terceiros, geralmente vou na fonte, vou direto na cia aérea. Mesma coisa com hotéis. Já usei booking.com, mas já tive problemas com site do tipo. Fiz uma reserva que precisei cancelar e nunca recebi retorno. O site enviava comunicação para a pousada com copia para mim e esta não retornou nunca. Enfim. Direto é muito mais fácil, quanto mais intermediários para lidar acho mais complicado.

A Bonaire eu fui três vezes, todas “desempacotadas”: 2004, 2006 e 2014. Assim como Noronha, Bonaire é aquele lugar para voltar sempre, o repouso do mergulhador, o lugar certo para se sentir de férias e mergulhar muito.

Bonaire para mim não é lugar para ir em multidão. Mais um motivo para evitar os pacotes. Se a graça da viagem é a liberdade de escolher a hora e o ponto de mergulho, se junta muita gente ainda mais desconhecida essa parte se perde. O ideal é uma dupla ou grupo pequeno bem afinado. Assim, gente que esteja no mesmo ritmo ou bem disposto a se adaptar ao ritmo dos outros, geralmente a gente só faz isso com pessoas que gostamos muito. Também tem a questão da cozinha, a questão do carro… melhor ir em dupla ou grupo muito harmônico.Bonaire_1

Molinho e mais barato organizar a viagem “out of” pacote. Porque não fico presa ao mega resort dos pacotes. Além da liberdade com datas – eu preferi fazer uma viagem mais longa das duas primeiras vezes que fui, para valer a pena o vôo que nem sempre é muito favorável. Prefiro ficar dez dias ao invés de uma semana. Enfim, faço a minha viagem, do meu jeito.

Já fiquei nos hotéis: Yatch Club Apartments, Coco Palm Garden & Casa Oleander e Den Laman

Indico o primeiro, o Yatch Club sem medo. Preços super em conta, localização muito boa embora não esteja na beira da praia, apartamentos completos e agradáveis, comércio próximo. Só atravessar a rua e pode usufruir da praia e do bar do hotel em frente, Eden Beach Resort. A praia, dá para usar a do Eden Beach, pagando US$ 10,00 pela espreguiçadeira com ombrelone.

O Eden Beach tem um agito (ok, agito em Bonaire é algo bem relativo…) no fim de tarde.

A operadora de mergulho (Wanna Dive Bonaire) que atende o Yatch Club Apartments também é a do hotel em frente e é bem prática para pegar e deixar os cilindros, dá para fazer isso a qualquer hora.

Como intervalo de superfície, geralmente opto por uma parada em alguma praia, são poucas. Ou passar no hotel, ou ficar vendo a paisagem, enfim, rodeando.

Bonaire_6Na minha última viagem, no último dia fomos até o Sorobon Beach Resort, à beira de Lac Bay, sul da ilha, onde novamente por US$ 10,00 você “ganha” um ombrelone com duas espreguiçadeiras e o direito à infra local, que inclui banheiros, bar, restaurante. Além da paz e do píer… Dá uma preguiça… repouso merecido depois de tantos dias de mergulho. Aquela água quase parada, quente, transparente e rasinha… um ventinho bom… hum…

Já quando fiquei hospedada no Coco Palm nos sentimos meio isolados, é meio ermo lá. Meio mão de obra para tudo, compras e pegar cilindros. E o quarto – não é exatamente um apartamento, é um quarto – é pequeno, a mini cozinha fica quase em cima da cama, o que não cria um ambiente agradável. Além de me sentir insegura… seria muito fácil alguém invadir o quarto. Aliás, nunca fui assaltada em Bonaire, mas já ouvi relatos.

Bonaire_5O Den Laman é perto do Yatch Club, perto de comércio (tem um pequeno mercado), também permite ir a pé até o Eden Beach Resort, e fica em frente ao mar. Não tem exatamente uma praia, só uma pequena faixa de areia (cascalho). A vantagem é estar de frente para o mar; ter um píer de onde é possível mergulhar; ter a própria operadora de mergulho, quer dizer, os cilindros ficam por lá mesmo e o equipamento em um grande depósito. Mas apresenta algumas desvantagens. A operadora só abre as 9 horas e fecha 17 horas. Então, se você não separou cedo os cilindros que vai usar na manhã do dia seguinte, vai ter que esperar abrir e começa muito tarde os mergulhos do dia. Isso  chegou a causar algum transtorno. Porque fomos duas vezes mergulhar nos pontos do Washington Slagbaai National Park, onde tem que ir cedo, pois se não entrar cedo não dá tempo de mergulhar. Aí, o melhor é fazer um lanche por lá e talvez emendar com um terceiro mergulho no caminho. Só que se chegar no Hotel depois das 17 horas já não consegue separar os cilindros do dia seguinte… Enfim, tem que conhecer as regras de cada dive center e se programar direitinho para aproveitar bem os tais mergulhos ilimitados.

Bonaire_3Em termos de viagem (ainda mais) econômica, falam do Dive Hut, simples  mas com o necessário (ar condicionado, banho quente…), não na frente do mar mas muito bem localizado, ainda vou experimentar. Mas uma outra opção econômica, de ficar no Rincon, um bairro tradicional habitado por nativos, já meio fora do caminho dos dive centers, comércio e pontos de mergulho, é uma ideia que não me agrada.

Ah, essa propaganda de mergulhos super tranquilos… a entrada nem sempre é suave! Mar se mexe! Ás vezes tem ondinha, às vezes tem correnteza… e muitas pedras e corais de fogo. Dá para tomar um belo tombo e se machucar. E a correnteza pode pegar de surpresa às vezes. Mar é sempre mar, tem onda, tem corrente… Tomei um tombo, nem estava mergulhando, já tinha tirado o neoprene, caí em cima de um coral de fogo, não foi muito gostoso. Mas o tombo que deu o maior prejuízo foi o da entrada do Hilma Hooker. Não foi um grande tombo, mas a câmara estava na mão, bateu em alguma coisa e alagou; só vi quando já estava chegando no naufrágio. Não dava mais para subir rápido, tive que subir lentamente, fazer a parada, assistindo aquela aguinha dentro da caixa…

Mas a maioria é bem tranquilo mesmo. A gente vai pegando a manha de equipar no carro e colocar as nadadeiras na água. Só procurar as pedrinhas amarelas, parar o carro, observar a bóia, entrada e a corrente… claro que a cada viagem sempre leio sobre a característica dos pontos.Bonaire_4

O parque Washington Slagbaai reserva bons mergulhos, um pouco diferentes do restante da ilha. Nas duas primeiras viagens não mergulhei lá pois o que se dizia é que os pontos estavam ainda devastados pelo furacão que passou por lá.

Na próxima vez que eu voltar à ilha não me escapará o mergulho embarcado East coast Diving Que leva para o lado desabrigado da ilha, onde as entradas de costa não são possíveis (quer dizer, entrar até dá, passo do gigante, mas voltar…rs…) e, dizem, alguns animais maiores são avistados. Pode ser, porque de resto a ilha não é mesmo habitat dos grandes. Em 2006 eu vi um tubarão na ilha, mas foi só uma vez.

Bonaire_7Como nesta última viagem eramos duas vegetarianas – uma vegana, eu nem tanto – optamos por preparar a maioria das refeições no hotel. O supermercado segue o padrão holandês, tem muita mercadoria europeia e/ou que refletem hábitos europeus e também americanos. Portanto, ficou fácil encontrar orgânicos, sugar free, lactose free, pães de grãos de vários tipos… e também veganos. Levamos para casa tofu e cogumelos, a maioria das refeições foi a base deles, além de creme de amendoin para passar no pão. Quem disse que vegano come mal? O tofu em cubinhos, refogado com bastante cebola e no molho de tomate fez uma ótima macarronada vegetariana. Shitake nem se fala… macarrão com  shitake, batata com shitake… Ervilha, tomates, verduras, deu para variar bastante.

Na rua também não foi difícil, encontramos um excelente sorvete com opções sem lactose e hambúrgueres veganos; não precisamos ficar restritas às saladas. Tomamos conhecimento de um restaurante Ayruveda, porém com horário muito restrito, tipo de 12 as 13 horas. Nem fomos, afinal de férias não dá para ficar tão preso a horário.

Bonaire é bom para comprar equipamentos de mergulho, não tem assim uma variedade infinita, mas para nós brasileiros já vale a pena. Mas não dá para comprar muito mais coisa não, só souvenir. Canecas, camisetas, artesanato. E sal – da última vez trouxe sal.

Então acabo gastando muito pouco em Bonaire. Férias perfeitas. Só falhei em não agendar uma massagem para o último dia – tem vários studios/ spas, nos resorts e fora deles. Mas só agendando.

Ao longo desses anos o que melhorou na ilha foi que agora dá para pagar tudo em dólar – nas duas primeiras vezes que fui era um saco, tinha que ficar trocando dólar pelo dinheiro local no banco no centro da cidade. Outra coisa que melhorou foi a oferta de nitrox, praticamente em todos os dive centers agora é free. A primeira viagem eu fiz sem nitrox e os mergulhos ficaram bem limitados.

O que piorou foi a vida marinha, mas isso parece inevitável no mundo todo.

E uma coisa é certa: vou voltar muitas vezes ainda.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

As nossas capitais mundiais dos naufrágios

Por Adair Ribeiro

Sempre ouvimos falar de viagens maravilhosas e novos pontos de mergulho a cada dia. Relatos com “indescritíveis” mergulhos feitos ao redor do mundo, sobre visibilidades enormes e temperatura de água acima 27º C e grande vida marinha. Comentários sobre “live aboards” com excelente estrutura, comida deliciosa e operação de mergulho impecável que fazem os diferenciais que todo mergulhador procura na hora da escolha de sua próxima viagem.

Ao contrário do que muitos imaginam, está no Brasil, mais precisamente no Nordeste, uma das melhores regiões de mergulho em naufrágios do mundo. São mais de 150 naufrágios registrados pelo pesquisador Maurício Carvalho, distribuídos pela região. E, para os que exigem operações e estrutura impecáveis, não terão surpresas, pois temos uma das melhores operações de mergulho em naufrágios do mundo!

Além disso, há grande quantidade e diversidade de vida marinha e os mais variados perfis de mergulhos.

Já há alguns anos, sempre no mês de janeiro, o cinegrafista subaquático José Dias reúne um grupo de mergulhadores (as) técnicos, mas sempre com a participação e espaço para mergulhadores recreacionais com experiência comprovada e partimos para uma expedição aos naufrágios do nordeste. Mergulhamos em aproximadamente 20 destes naufrágios.

Já utilizamos, em algumas dessas viagens, o ENTERPRISE, um catamarã de 75’, com oito confortáveis suítes, que atualmente está em operação em Parati e Ilha Grande.

Atualmente, os nossos live aboards são feitos a bordo do charmoso VOYAGER. Um catamarã vela/motor de 60’, todo construído com a finalidade única de proporcionar todo o conforto e estrutura necessária às operações de mergulho, tanto com perfis recreacionais, como para mergulhadores técnicos de todos os níveis.

Voyager_PLANTAUm dos grandes diferenciais destas expedições é a qualidade insuperável da tripulação:

– O experiente Nico, coordenando toda a operação de mergulho, desde a colocação dos mergulhadores na água até a logística de fornecimento de todos os gases necessários aos mergulhos;

– O mestre Rodrigues, que substituiu o mestre Djalma, que se aposentou. Experiente navegador que transmite toda a segurança em nossas navegações, sejam elas durante o dia ou à noite.

– A cada ano, temos um dive master/safety diver, responsável pela amarração da boia nos naufrágios e segurança dos mergulhadores na água. Já contamos com o profissionalismo do Henrique Maranhão, Nascimento (PQD), Juarez, Nilo e o Marcel do Espírito Santo, entre outros. Todos sempre atenciosos e simpáticos.

All Rights Reserved / Todos os Direitos Reservados. Proibido a reprodução sem autorização por escrito dos autores. Todos os textos e fotos estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais nº 9.610, de 19.02.98.
Chef Cícero Foto © Paulo Menezes

No comando da cozinha, uma das atrações à parte da expedição, temos as delícias preparadas pelo Chef Cícero, vindo de Noronha. É impossível resistir aos famosos bolos de chocolate e pães de queijo nos intervalos dos mergulhos. As saborosas e diversas refeições realizadas ao longo do dia nos deixam com pelo menos 2 kg a mais ao final da viagem.

Mergulhadores de várias partes do Brasil já tiveram a oportunidade de se reunir nestas expedições e conhecer de perto as maravilhas de nossos naufrágios e a grande diversidade de nossa vida marinha.

Já mergulhamos desde as agitadas águas do Rio Grande do Norte, conhecendo as maravilhas e a história dos naufrágios São Luis e Comandante Pessoa; e descobrindo os mistérios da Risca do Zumbi e Batente das Agulhas, que segundo a opinião do geólogo e mergulhador Cláudio Couto, que já participou de nossas expedições, seriam:


“ Arenitos de praia submersos, também conhecidos como recifes inorgânicos, ou seja, areias de praia cimentadas pela precipitação de carbonato de cálcio da água do mar. Agora, uma coisa é entender como as rochas se formaram, outra, seria saber como a erosão produziu aquelas formas (colunas e buracos) que vimos nos nossos mergulhos. Não encontrei nada na literatura científica sobre a erosão que produziu essas formas inusitadas do relevo submarino. Mas uma erosão forte normalmente acontece com exposição aérea. Ou seja, nos seus avanços e recuos cíclicos, o nível do mar deve ter deixado tais rochas expostas e a ação do vento, chuva, rios e etc fizeram seu trabalho. As partes mais resistentes ou mais cimentadas sobrevivem mais e ficam como um registro da história do planeta.”


De Natal, após navegação nem sempre muito tranquila para os mais novatos, já descobrimos as maravilhas dos mares da Paraíba. Do pequeno naufrágio Alvarenga ao vapor Queimado (Erie).

Em Pernambuco, a conhecida capital brasileira dos naufrágios, e uma das capitais mundiais dos naufrágios, não nos cansamos de filmar e fotografar toda a exuberância de moreias, arraias, tartarugas, cardumes de enxadas, meros, cardumes de piragicas gigantes, barracudas, pampos, xaréus, cirurgiões, peixes de passagem, lambarus enormes e toda a vida marinha que habita os seus naufrágios.

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Vapor Bahia Foto © Roberto Palmer

Da majestade do Vapor Bahia às profundezas da Corveta Camaquã e Vapor dos 48, da história do Pirapama aos rebocadores Flórida, Mercurius, Marte e o Servemar I, do não identificado Vapor de Baixo ao polêmico Gonçalo Coelho, das dragas Dragão (que o biólogo e pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho, em uma das expedições, identificou como André Rebouças) e Draguinha, às chatas Sequipe e chata de Noronha, do recente naufrágio artificial Walsa aos tantos outros naufrágios da região, não nos cansamos de efetuar, a cada ano, mergulhos e mais mergulhos.

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Carlão Foto © Paulo Menezes

Em Alagoas, o Itapagé, um dos mais belos naufrágios do Brasil e do mundo, com sua história nos remetendo à 2º Guerra Mundial, quando foi atingido por dois torpedos lançados pelo U-Boat U-161, afundando na altura da Lagoa Azeda. Meu primeiro mergulho neste naufrágio foi em 1989, saindo da Barra de São Miguel, a bordo de uma “janga”, pequena embarcação típica de Alagoas. E, não nos cansamos de dizer que em uma única expedição – uma semana de mergulhos, com aproximadamente 18 mergulhos – não seria suficiente para conhece toda a grandeza do Itapagé.

Em cada imersão, uma nova descoberta, novas imagens e novas emoções que atraem a atenção dos mergulhadores, dos fotógrafos e cinegrafistas de plantão. Noturnos incríveis que nos mostram uma exuberante e diferente fauna marinha que habitam os naufrágios longe da luz do sol.

Como já tive a sorte de conhecer, em duas expedições, o sonho de consumo de 10 em cada 10 mergulhadores de naufrágios – TRUK LAGOON – e já ter mergulhado em vários dos naufrágios existentes na Flórida e no Caribe, não tenho receio de fazer uma comparação que pode deixar muita gente perplexa: Os nossos mergulhos no nordeste não deixam nada a desejar para lugar nenhum do mundo.

As águas com temperaturas médias de 28ºC, visibilidade de 20-30 metros, uma vida marinha rica e diversificada, fazem a alegria dos mergulhadores, principalmente, para os amantes de naufrágios e para os mergulhadores que não abrem mão de uma operação segura e estruturada em saídas técnicas. Com disponibilidade de vários tipos de misturas, inclusive trimix e com facilidades para mergulhadores de rebreather.

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Marte Foto © Roberto Palmer

Isto é o que encontramos aqui bem perto, sem precisar sair do Brasil e com a qualidade que todo mergulhador deseja!

E como se não bastasse, ainda temos as belezas de Recife, Olinda, Maceió, Itamaracá, Jacaré e tantos outros lugares que visitamos nas nossas expedições, seja para tomar uma “gelada” ou somente para esticar as pernas. Tudo isso completa o melhor live-aboard do Brasil.

Dicas para um melhor aproveitamento na expedição:

– Certificação: Mergulhador Avançado, Nitrox e de Naufrágios com preferência para Nitrox Avançado e acima.

Para maiores informações sobre naufrágios existentes no Brasil, consultar: www.naufragiosdobrasil.com.br.

Se quiser receber informações das expedições aos naufrágios do nordeste. Preencha o formulário abaixo.


Como (quase) tudo começou

O melhor mergulho do Brasil é Fernando de Noronha, disso ninguém duvida. E lá já fui três vezes.

Aliás, foi lá que o “bichinho Tech” me mordeu. No mergulho da corveta.

A corveta era um sonho desde a primeira visita a Noronha, que só fui realizar na terceira.

Fui e fui capturada pela rapture of the deep.

Noronha é um bom lugar para se apaixonar pelas profundezas, pois alguns mergulhos lindos vão até os 40 e poucos metros. A Ponta da Sapata é apaixonante, uma paisagem subaquática linda.

Corveta V17
Corveta V17 – Fernando de Noronha
Foto © Zaira Matheus

Nesses mergulhos foi possível testar a narcose[1] e sentir a delicia de estar fora do mundo dentro do mundo.

Mas o mergulho na Corveta V17 foi que me introduziu a uma nova fronteira. Descer no meio do nada para 55 metros (na média) num navio afundado imponente em posição de navegação com só um barquinho te esperando lá em cima e uma descompressão obrigatória no meio do caminho.

Surpreendentemente tudo muito tranquilo e lindo. Um cardume de 7 arraias chita apareceu no início do mergulho para deixar claro que valia a pena.

O naufrágio intrigante. Jaz ali uma máquina imensa, de dezenas de toneladas de ferro, que provavelmente custou milhões e muito tempo de trabalho, foi cuidadosamente planejada e aparelhada para um determinado fim… Um dia o acaso, uma seqüência de fatos, e a força da natureza resolvem que todo aquele esforço e investimento terá agora outro fim, uma morada inusitada, um local ao qual não pertence… Lá está o gigante corpo estranho no meio do oceano, desempenhando um papel num ecossistema para o qual não foi desenhado. Inusitado no meio do nada. Com sua história impregnada em cada peça, assim como impregnado de vida, uma vida também não desenvolvida para viver em um objeto construído por mãos humanas. Mas que ali se instala a vontade, sem duvidas sobre o pertencimento àquele lugar, sem questionamentos sobre a morada bizarra. Abrigo providencial. Celeiro de vida. Fonte de alimento.

É percorrido agora de outras maneiras, apresentando perigos bem diferentes do seu tempo sobre o mar. Os desafios são maiores, abriga recantos desconhecidos.

E não se oferece a qualquer um. Para chegar lá é necessário passar pelo rito – o rito da formação do mergulhador – mas um mergulhador tranquilo, seguro, habilidoso. Aquele que já quase criou guelras e se sente às vezes mais a vontade embaixo da água do que com os pés pesadamente colados a terra.

Corveta V17
Corveta V17 – Fernando de Noronha
Foto © Zaira Matheus

Um naufrágio é vivo, evolui. Não só em relação à vida que por ali circula – um mero que fica ali por anos, depois some (caçado?), moreias, tartarugas que por um tempo estabelecem residência fixa, depois ou morrem, ou mudam… Mas também pela ação do tempo, das marés que castigam suas estruturas não projetadas para esse esforço. As vezes encontramos uma escada de lado, um vaso sanitário de cabeça para baixo.. Uma porta no chão… e a imaginação corre solta, vemos antigos marinheiros usando as peças na sua posição original pela última vez, será que eles imaginariam como aquela peça poderia repousar definitivamente de uma forma tão inusitada em tão pouco tempo? Mais apaixonante ainda é encontrar objetos. Projetados, fabricados, embalados para uso humano, agora jazem se oferecendo aos poucos atrevidos. Não chegarão nunca ao destino estabelecido pelos humanos. Mas será menos nobre sua posição? Muitos desses objetos nunca são visitados por humanos. Não estarão no entanto tendo sua segunda vida? “se uma árvore cai na floresta e não há ninguém por perto, ela faz barulho?” me vem à mente o antigo dilema.

Tem aqueles que têm obsessão por levar objetos dos naufrágios para casa e exibi-los na sala como troféu. Eu sou daquelas que não gosta nem de tocar nos objetos, como se de alguma forma fosse maculá-los ao modificar a ação silenciosa e constante do magnífico oceano que os acolhe e organiza conforme sua vontade, assentando-os de uma forma que faz parecer que para isso foram projetados. Prefiro deixa-los ali, e saber que num próximo mergulho os encontrarei talvez de uma outra forma, oferecendo novas surpresas. E que, para merecer a majestade dos naufrágios, tem que pagar o preço: mergulhar. Mas as pessoas são diferentes.

Já havia adquirido a tranquilidade e segurança como mergulhadora avançada, já conhecia muitos naufrágios, mas senti falta de ir até a última fronteira, ir mais fundo e ficar mais tempo, assim como disse o célebre alpinista… por que escalar o Everest? Porque ele está lá.

Preciso ir aos naufrágios porque eles estão lá. E se um ser humano é capaz de fazê-lo, eu também sou.

Há também os naufrágios propositais, para criação de recifes artificiais e mergulho. Não carregam uma história tão intrigante e foram cuidadosamente preparados, mas não são menos interessantes. A forma como repousam no leito do oceano nem sempre respeitam o planejamento humano e evoluem com as marés e tempestades. A vida que lá vai se instalar não é programada por ninguém. E os navios tem sim, sua história, apenas com menos ação do acaso.

Vamos ao segundo melhor mergulho do Brasil: os naufrágios do nordeste. Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte. A mesma água e a mesma vida de Noronha, mas que só existe em torno destes pontos perdidos no oceano.

O treinamento

O objetivo veio naturalmente, o treinamento lentamente.

Comecei usando roupa seca[2] (desnecessária nos naufrágios do nordeste, claro, mas parte da minha preparação para mergulhar mais fundo), passei pelo curso rescue, deep, naufrágio, sidemount, e muitos mergulhos para consolidar todas as novidades.

Visitei Serrambi, mergulhando nos naufrágios do Marte e Gonçalo Coelho. Mergulhei no Victory 8 B. Fui à Flórida, conhecer o Duane, o Spiegel Grove e o Benwood. O Pinguino (Angra) e o Buenos Aires (Rio) são velhos conhecidos, também visitei o Califórnia, Bezerra de Menezes, Parnaioca e outros da região, naufrágio não é exatamente uma novidade, há muitos no log book, mas ver um monte de ferro e entender sua lógica e história são coisas diferentes. Para isso escolhi o curso de um dos maiores especialistas no assunto, o biólogo e pesquisador Maurício Carvalho. Duvidei, mas ele conseguiu fazer com que eu me interessasse por um monte de sucata e mudou definitivamente minha visão de um naufrágio.

Mas a fronteira tech ainda estava lá: precisava ganhar mais profundidade e tempo.

“A gente repete que quer mas não busca e de um modo abstrato se ilude que fez”

Veio à minha mente (frase de uma música brega, não conto qual). Desde sempre, como mergulhadora, eu sabia que iria fundo e faria mergulho descompressivo[3]. Por que então ainda não estava fazendo?

Escolhi um mestre para essa empreitada e não fiz por menos, o fera Stavros (course director da PADI). Podia ser outra certificadora, whatever, o importante é aprender direito.

Naufrágio Marte
Naufrágio Marte
Foto © José Dias

Como proposta do instrutor, começamos pelo side mount[4], ainda em uso recreativo[5]. Isso me familiarizaria com procedimentos do Tech[6] e novos equipamentos, e me abre flexibilidade para fazer Tech em qualquer local que tenha cilindro AL80 (os mais comuns).

Mas um motivo importante, bem importante, foi a coluna. Side mount é muito legal para a coluna e permite retirar os cilindros na água um a um com facilidade.

Encomenda do instrutor para ir para o Tech: logar (registrar) pelo menos 20 mergulhos de side. Toca mergulhar com side em mergulhos recreativos.

Já comecei a ser aquele bicho estranho no barco, cheia de equipamentos pesados e complexos.

Aprendendo a usar carretilha, aprendendo a fotografar (sim, no meio disso ainda fiz um curso de foto sub), aprendendo a manejar deco marker e outros instrumentos, ou seja, aumentando o task load passo a passo. O side mount apresenta um novo desafio, muda toda a configuração que usei durante 20 anos.

Engajado nessa empreitada estava o mestre Stavros, sempre preciso (e rigoroso, chato mesmo, fazer o que né).

Duas viagens para os EUA para comprar equipamentos e sempre falta alguma coisa. Ao passar para o mergulho tech, esqueça de fazer contas. Vai sair caro, vai levar a maior parte do seu dinheiro, e é melhor não pensar nisso.

Primeiro vem a consciência da responsabilidade e dos riscos. Foco, o mestre ordenava.

Naufrágio Foto © Monica Di Masi
Naufrágio
Foto © Monica Di Masi

No entanto, o princípio ainda é o mesmo: respiração. Respirar sempre, com calma. Tranquiliza e economiza o gás. Todo o resto se resolve com calma e conhecimento; se o treinamento foi bem feito e o equipamento está bem configurado e checado, suas ferramentas estão lá e os procedimentos de emergência você sabe fazer.

Paraceu fácil, mas não é nem um pouco.

Ainda tem a limitação física, colocar uma dupla de cilindros nas costas não é realmente a coisa mais ergonômica da face da terra. Dentro d´água não faz muita diferença, mas entre se equipar até entrar na água e depois subir de volta ao barco e sentar são grandes dramas para mim. Para falar a verdade foi a maior fonte de ansiedade na viagem, justificadamente.

A teoria do Tech é bastante assustadora, manual feito para o aluno desistir,

Início a turma com mais três colegas, todos instrutores de mergulho. Turma de elite, me sinto inferior. Para piorar não consegui me entender com a configuração side + stage[7] + task load[8] do Tech! me atrapalhando na configuração e no gerenciamento do gás. Não consegui acompanhar a turma e fazer os exercícios necessários. Sentimento de que não vai rolar.

Course director em ação, vamos passar para a dupla! Dupla de alumínio AL80.

Os procedimentos eu já conhecia desde o sidemount, então enfim a coisa andou e consegui corresponder ao exigido.

Reagi bem e cumpri as tarefas, s drill, enroscos, cilindro fechado, falta de ar simulada do dupla… Carretilha, lift bag…. Algumas distrações durante o curso, algumas broncas.

Mas passei com elogio do instrutor pela dedicação e persistência.

Budião Papagaio Foto © Monica Di Masi
Budião Papagaio
Foto © Monica Di Masi

Estar fundo sabendo que existe um longo (lento) caminho até a superfície não causa mais desconforto. O mergulho tech aos poucos vai se tornando natural para mim, como foi se tornando o mergulho recreativo. E se tornar natural não significa negligenciar qualquer etapa, mas cumprir todas com segurança e tranquilidade.

Muito para aprender ainda, mas a certeza que estou me tornando quem eu sou.

“Que você escolha o que a faça dançar, não andar pesadamente nem cochilar, pelo tempo afora”.

Me lembro quando novinha (20 e poucos) e tinha moto. Uma vez parei ao lado de um carro com janela aberta onde tinha uma menininha muito linda. Abri o capacete para sorrir e brincar com ela. A menina vira para a mãe e pergunta: mãe, mulher também anda de moto?

Choque! Era final do século XX… Recado para as mamães: digam as suas filhas que elas podem ir aonde elas quiserem, à lua, às profundezas do oceano. E que podem andar de moto, pilotar foguetes. Sim, mulheres podem ser mergulhadoras tech. O equipamento pesa, mas se der um jeito nisso, é só.

Tiro alguma vantagem de ser mulher. Como sou muito medrosa, checo tudo mil vezes, penso no mergulho, pergunto, planejo, penso em todos os meus receios e o que fazer para enfrenta-los e se ainda assim não me sentir confortável, aborto o mergulho; não sou obrigada a fazer nenhum mergulho, e esse pensamento me tranquiliza. Nessa hora é bom ser mulher, ninguém te cobrará pela fraqueza.

A expedição Voyager 2015

Essa era a hora de conhecer os naufrágios mais fascinantes do Brasil, vários deles em conjunto.

A expedição respira mergulho tech, embora nem todo mundo faça descompressivo. Um ou outro desce na configuração recreativa, com cilindro de aço de 15 litros. Sim, porque dá vontade de ficar mais… é para ficar o quanto o computador deixar.

Voyager Foto © Roberto Palmer
Catamarã Voyager
Foto © Roberto Palmer

JDias, instrutor de mergulho, foto e vídeo, mergulhador tech e de cavernas, comanda essa expedição anual, exclusiva e muito especial.

No barco, a super equipe da Atlantis, só tem fera!
A operação é toda redondinha, afinal aquele mar não é para principiantes. E a tripulação, muito experiente, se desdobra para que as férias sejam leves e divertidas e os mergulhos fantásticos.

O barco, preparado para aventuras, é apertado, já que tem que ser ágil, mas super funcional. Acaba tendo lugar para tudo, até para os excessos de bagagem.

Tudo gira em torno do mergulho, montar, ajustar, checar gás, checar equipamento… planejar cada mergulho, escolher o que vai para o fundo.

Não há “quantidade” de mergulho, mas qualidade. Tranquilidade para fazer cada um deles e descansar adequadamente, além de liberar umas bolhinhas.

Mas também tem passeio, as descidas em terra. Muito legal chegar em praias diferentes. Descemos em Recife, passeamos por Olinda. Desembarcamos também em Itamaracá, visitando o forte Orange e o Projeto Peixe Boi. Em Maceió passamos pela praia do Francês e Barra de São Miguel, a parada final.

Forte Orange - Itamaraca Foto © José Antonio Alvares
Forte Orange – Itamaraca
Foto © José Antonio Alvares

Nos intervalos de superfície, muitas histórias de mergulho e muito aprendizado.

Rivalizando com o mergulho, só a arte de comer e dormir.

A turma é constituída na maioria por reincidentes, quer dizer, a maioria já fez a expedição outras vezes. Então já sabem o que fazer, e eu vou imitando.

Os primeiros mergulhos foram tensos. Primeira vez de tech, primeira vez de dupla após o curso, mar de Recife chatinho. Mergulho tech é assim, geralmente em locais mais complicados, faz parte.

A entrada na água precisa ser rápida para aproveitar o posicionamento do barco em relação à correnteza e ir direto para a boia. São muitos os equipamentos de foto para passar aos mergulhadores, então, algumas vezes não tive ajuda para levantar do banco… acabei aprendendo a levantar sozinha, o corpo vai aprendendo a se ajeitar com aquele peso.

Com os dias, fui entendendo a estratégia do posicionamento com a correnteza e comecei a descer direto. Tudo vai ficando mais natural com a prática.

A maioria dos mergulhos é tech “light”, usamos um EAN 32[9] ou menos e fazemos decos de 5 a 7 minutos, com o gás da dupla mesmo. Nos três primeiros mergulhos não levei a câmera, para completar minha adaptação. Mas chega muito rápido a hora da verdade, a hora do Vapor 48… faríamos a ar… ansiedade total, como será a minha narcose! Quase não consegui dormir. Então, pensei: eu não preciso fazer esse mergulho! Ao pensar isso, simplesmente passou a ansiedade… e eu fiz o mergulho, a narcose foi leve, e o mergulho muito, muito bom.

Outra fronteira foi a Corveta Camaquã, essa com Trimix[10]. 55 metros. Já tinha feito a de Noronha, então não fiquei tão tensa.

Corveta Camaquã Foto © Paulo Meneses
Corveta Camaquã
Foto © Paulo Meneses

Estes dois mergulhos estão um pouco acima do meu nível de certificação, mas foi devidamente acompanhado por profissionais mais do que competentes. Quanto à descompressão eu estava mais do que tranquila. Saber que não posso sair da água de repente não chega a ser uma notícia ruim.

Ao usar dois stages optei pela configuração com a qual já estou mais familiarizada por conta do sidemount, um stage de cada lado, indo contra a preferência geral de usar os dois do mesmo lado, mas que se mostrou perfeita para mim. Não queria abrir chance para confundir os stages, usar o de oxigênio na profundidade errada, ter uma convulsão e morrer afogada (mergulho tech é muito assustador às vezes…ok, eu dramatizei).

Graças ao meu treinamento de side, retirar o(s) stage(s) no caminho de volta para o barco foi natural, chegando com ele pronto para entregar. Fundamental com o mar meio de bode.

Havia um mergulhador de apoio também, que nas decos mais longas recolheu câmeras, stages usadas… sentir tudo funcionando de maneira precisa e tranquila era o que eu precisava para aproveitar os mergulhos seguintes.

Lá pelo meio da viagem as costas doíam muito e tive que lidar com isso, comprar spray… Pensei em desistir. Mas as dores melhoraram e fiz todos os mergulhos.

Tive sempre uma mão para subir no barco.

Meu consumo de ar como sempre causando inveja aos meninos. De muitos mergulhos voltei com 120 bar[11], ou seja, um AL80 teria bastado.

Sinal de que não estava estressada.

O lastro, graças ao chato do JDias, fui tirando e no segundo dia não usava nenhum.

Os companheiros de viagem, além de divertidos, são excelentes mergulhadores e fotógrafos de mão cheia. Voltei praticamente com um “book” sub. Para eles deve ter sido divertido também, não é todo dia que surge uma modelo sub aos 48 metros de profundidade.

Usei minha câmera em alguns mergulhos, ainda sou aprendiz nessa arte. Ainda bem que o local ajuda!

Tartaruga Foto © Monica Di Masi
Tartaruga
Foto © Monica Di Masi

Depois de alguns dias de muito mar, muitos naufrágios pouco visitados, vapor de roda, naufrágio fundo, distante, inteiro ou desmantelado, real ou provocado, golfinhos no caminho, mero, tartarugas, moreias, arraias, lagostas e todos os tamanhos de peixe, começo a perceber que a brincadeira está passando rápido demais e quase é hora de voltar para casa! Ninguém precisa perguntar aos outros se estão gostando. O sorriso constante no rosto denuncia. E a vida no barco, a vista da costa, os pores do sol, garantem uma paz pouco vivenciada no dia a dia das metrópoles.

Grupo Voyager 2015 Foto © Paulo Meneses
Grupo Voyager 2015
Foto © Paulo Meneses

Feliz com o resultado do treinamento e das broncas levadas; não fico em desvantagem em relação aos mergulhadores mais experientes, sempre sabia o que fazer, até mesmo auxiliar quando necessário, não precisei de ajuda exceto para subir no barco, me virei bem quando o bocal do regulador soltou na minha boca.

Volto com o log book recheado de novas experiências, alma lavada e enxaguada, provavelmente algumas bolhas de nitrogênio já devidamente desfeitas, sentindo a terra balançar, feliz e agradecida por tudo e por todos. Vamos em frente, ou melhor, para o fundo.

Coloquei abaixo o log book com os tempos que incluem as decos, quando houve. Os gases usados nos mergulhos foram EAN 32, Trimix 20/20, EAN 50 e Oxigênio.

logbook

Agradecimentos especiais a dois grandes mergulhadores “chatos”: JDias e Stavros. Eu gosto de mergulhadores chatos. Graças a eles eu aprendo e melhoro a cada dia com muita responsabilidade, dominando a técnica com paciência e dedicação. Podem continuar a me dar broncas.

A propósito de toda essa conversa… não sou apaixonada especialmente por naufrágios, mas sim por todo tipo de mergulho, e naufrágio é um deles. Sou apaixonada também por mergulho noturno e amo os grandes – tubarões, golfinhos, arraias. Só não sou apaixonada por cavernas porque ainda não desbravei essa fronteira!

Naufrágio Taurus Foto © José Dias
Naufrágio Taurus
Foto © José Dias
Nico e Mestre Rodrigues Foto © José Dias
Nico e Mestre Rodrigues
Foto © José Dias
Mestre Rodrigues Foto © José Dias
Mestre Rodrigues
Foto © José Dias

Monica
TRIPULAÇÃO: Nico, Nilo, Juarez, Rodrigues e Erotides
MERGULHADORES: Alexandre Alvares, Catarina Tardin e José Antonio Alvares (Cuiabá), José Dias, Paulo Menezes, Ronaldo Spinelli e Monica Di Masi (Rio de Janeiro), Sérgio Schuler da Rocha (Recife) e Roberto Palmer (Brasília).


[1] Narcose é a chamada “embriaguez das profundezas”.

[2] Roupa Seca – Roupa usada no mergulho que proporciona isolamento térmico ou proteção térmica passiva enquanto se está imerso em água.

[3] Mergulho descompressivo – O mergulhador não pode ascender a superfície sem antes permanece determinado tempo em profundidades menores, muitas vezes utilizando outras misturas gasosas.

[4] Sidemount é uma técnica onde se usam dois cilindros ao lado do corpo

[5] Mergulho recreativo fica dentro de limites de profundidade e não tem descompressão

[6] Mergulho “Tech” ou técnico é o mergulho que extrapola os limites do recreativo, em profundidade e por usar descompressão

[7] Stage é um cilindro extra carregado geralmente ao lado do corpo, com gás para descompressão

[8] Literalmente “carga de tarefas”, tarefas a mais a serem executadas

[9] Mistura com 32% de oxigênio, ao invés de ar, que tem 21% de oxigênio.

[10] Trimix – Mistura gasosa onde um percentual de Nitrogênio é substituído pelo gás Hélio que reduz o efeito da narcose.

[11] A quantidade de ar dos cilindros é medida pela pressão, geralmente em “bar”, geralmente 200 no início do mergulho.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Expedição Rebreather

No ano de 2012 realizamos o 1º Live aboard exclusivo para mergulhadores de rebreather no Brasil a bordo do catamarã Atlantis Voyager.
Participaram os mergulhadores: Adair Ribeiro, André Domingues, Carlos Janovitch e José Maurício Rodrigues.

Voyager Foto © Roberto Palmer
Voyager
Foto © Roberto Palmer


O Voyager é um motor-sailer de 60 pés para até 10 passageiros.
Ele foi construído especialmente para alcançar pontos remotos e entrar em lugares de difícil acesso (calado = 1,40m).
Acomodações:
– 2 cabines com cama de casal na proa.
– 4 cabines com 2 camas (beliche) nos corredores.
– 2 banheiros com chuveiro (1 em cada casco).
Ficha técnica:
Fabricação: Dolphin Catamarans (2004)
Motorsailer / catamarã 60 pés (18,00m x 8,30m).
Tripulação: 4.
Vel. max: 18 nos / Vel. trab.: 11 nos
2 motores inboard 6cil / 170 HP / Mercedes Benz
Óleo: 2700 lts / Água: 2500 lts
Ar condicionado / 2 Geradores Kohler / Dessalinizador
Cozinha externa
2 Compressores

Voyager_PLANTAPara conhecer a história dos naufrágios que iremos mergulhar, vá ao site do biólogo e pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho em Naufrágios do Brasil.

Veja algumas fotos do que rolou no nosso live aboard no Voyager em 2012.


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José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias