Dicas de Noronha – atualizações

O ambiente turístico de Fernando de Noronha é bem dinâmico, então convém que as dicas estejam sempre atualizadas.

A taxa do ingresso do Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha custa agora R$ 99,00 para brasileiros e R$ 198,00 para estrangeiros.
Estão isentos de pagar a taxa:
– Crianças menores de 12 anos e  maiores de 60 anos;
– Crianças acima de 5 anos precisam solicitar Cartão de Acesso.
Este ingresso, válido por 10 dias, dá ao visitante o direito de acessar todas as áreas deste Parque Nacional destinadas ao uso público. Os ingressos podem ser comprados pelo site https://www.parnanoronha.com.br.

Todos os direitos reservados © José Dias

As regras de agendamento dos passeios, por exemplo, estavam sendo discutidas na época que estávamos na ilha e à esta altura já devem estar alteradas.

Também estava sendo programado para março deste ano o projeto intitulado Dia do Morador. Significa que quem tiver comprovante de residência na ilha terá um dia exclusivo para desfrutar de um atrativo do parque sem precisar fazer agendamento prévio.

Nesses dias, os turistas não terão acesso ao atrativo que estiver reservado para a população local, mas poderão curtir as demais atrações. Nos demais dias da semana, serão mantidas as regras normais de visitação, sendo necessário o agendamento tanto de moradores quanto de turistas.

Nos deparamos com a mudança do restaurante Tricolor, que voltou ao seu local original, na beira da BR ali um pouco antes da sede do  Projeto Tamar, na Vila do Boldró.

Uma boa surpresa foi o restaurante Corveta, com um cardápio mais ou menos enxuto, mas tudo excelente e com um preço bem justo. Os pratos são saborosos e caprichados e os preços se sairiam muito bem aqui no Rio de Janeiro. Só não fiquei tão apaixonada pela sobremesa, com preço mais alto que alguns pratos (!!!). Para comer só a sobremesa, prefiro ir ao Cacimba Bistrô.

O restaurante Xica da Silva continua super cheio, geralmente com fila. O preço é alto mas a comida é de fato boa.

Surpresa agradabilíssima foi a tapioca da Ceça – já havia sido recomendada por uma moradora ano passado, mas somente agora fui. Tapiocas a dez reais, super bem recheadas, cerveja a 6 reais (dependendo da cerveja), um local bem simples ali ao lado da sede da Atlantis Divers, bom para dar aquela parada relaxada no fim da tarde, vendo o movimento (relativo) de pessoas no “centro” da cidade.

Já o restaurante Mergulhão, no Porto, que eu considerava uma opção deliciosa para o fim de tarde, embora com comida cara para o que oferece, não está mais tão agradável, pois virou “point” de por do sol, fica lotado e precisa agendar. Há agora um certo corre corre dos garçons e muitas trocas de mesa, já não atende ao objetivo de relaxar vendo o movimento dos barcos, os pássaros e o sol se pondo. E a conta vem salgada.

Continua sendo fácil circular na ilha, a passagem do ônibus estava 5 reais, quer dizer, um bom aumento desde o ano passado. Mas pegamos alguns ônibus bem cheios, será que os turistas estão descobrindo esta forma de transporte? Carona quem oferece geralmente é morador da ilha.

Com um movimento grande de turistas as regras restritivas para trilhas e algumas piscinas acabam aumentando.  Não é mais possível tomar banho em algumas piscinas.

As piscinas naturais dos Abreus / Todos os direitos reservados © José Dias

Uma dica extra é conhecer a tábua de marés, a Atlantis Divers disponibilizou em vários locais da ilha a tabela, mas você pode consulta-la no site do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM). A maioria das praias fica bem mais agradável para o banho no horário da maré baixa. A praia do Leão, por exemplo, minha preferida – o mar costuma ser um pouco agressivo, mas no horário de maré baixa um recife de pedras forma uma área protegida.

Mas o conselho principal continua sendo: vá!

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Dicas sobre Noronha para marinheiros de primeira viagem

Estas dicas são bem pessoais, um guiazinho mesmo, preparei para amigos e resolvi publicar, especialmente para quem está indo pela primeira vez, mergulhador ou não. Na segunda vez você já não vai precisar de dica nenhuma!

Caso ainda não tenha planejado a viagem, minha sugestão é estende-la o máximo que puder. É caro mesmo, mas vale a pena. Eu escolho não pensar muito em quanto a viagem está custando… e curtir o paraíso.

  • Tem pousada para todos os bolsos, quer dizer quase todos, já que nada em Noronha é barato. Antigamente as pousadas domiciliares eram conhecidas pela precariedade, mas esta realidade mudou. Hoje há uma maior profissionalização e mesmo nas pousadas mais simples é possível ter conforto suficiente para não estragar a estadia. Minha sugestão é ficar onde dê para ir a pé (sem andar demais) até a Praça Flamboyant e a Vila dos Remédios.  Ali pela Vila dos Remédios, Floresta Nova, Floresta Velha, Vila dos Trinta.
    Pode ver aqui: http://www.ilhadenoronha.com.br/pt/index.php
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  • A pousada deve ter transfer mas de qualquer forma os táxis não são caros e têm preço tabelado. Pegadinha de algumas pousadas: dizem oferecer o transfer, mas este está atrelado à compra posterior de algum passeio.  Se não comprar o passeio, na hora de ir embora da ilha não terá o transfer. Os únicos “passeios” que acho válidos são o planasub e a trilha do Capim Açu (a do Atalaia é discutível…). De resto não precisa de guia para nada. Não ter transfer não chega a ser nenhum problema, pois o custo do táxi não é o problema da viagem.
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  • Pague a taxa de preservação pela internet pelo menos dois dias antes de viajar e leve impresso. Tem a TPA e tem a taxa de entrada do parque, as duas podem pagar pela internet. Mas só a TPA tem que ser apresentada no aeroporto, e a taxa do parque tem que ser trocada pela carteirinha na ilha. O pagamento da TPA pode ser feito antecipadamente através do site do governo http://www.noronha.pe.gov.br/
    A taxa do ingresso do Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha é de R$ 89,00 para brasileiros e R$ 178,00 para estrangeiros. Este ingresso, válido por 10 dias, dá ao visitante o direito de acessar todas as áreas deste Parque Nacional destinadas ao uso público. Os ingressos podem ser comprados pelo site https://www.parnanoronha.com.br.
Guia Turístico de Fernando de Noronha
Guia Turístico de Fernando de Noronha
  • Como os voos chegam sempre à tarde, vá até a Praia do Cachorro – essa praia é bem no centro, dessa praia dá para ir até a Praia do Meio e a Praia da Conceição; entre a do Cachorro e a Praia do Meio tem um bar, é um lugar bom para ver o primeiro por do sol na ilha.

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  • Faça logo no dia que chegar a carteira para entrada no parque, no meio da Praça Flamboyant tem um quiosque onde faz e sempre ande com a carteira. Meu programa de primeiro dia costuma ser: pegar a carteira do parque, ir a uma praia ali pelo centro e passar na Atlantis (nossa operadora de mergulho do coração). Passe na loja logo no dia que chegar quando estiver voltando do por do sol (fica bem na Vila dos Remédios) para programar o batismo ou os mergulhos se já credenciado
  • Só existem duas companhias aéreas fazendo voos para Fernando de Noronha, a Gol e a Azul. Os voos saem de Natal ou Recife.
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  • Os táxis são confiáveis e o preço das corridas tabelado (veja o link), pode pedir táxi na NORTAX – Associação Noronhense de Taxistas, pelo telefone (81) 36191314; as pessoas na ilha são confiáveis. Dá para se locomover bem na ilha com ônibus – custa R$ 3,00, é seguro e leva perto de todas as praias, não tão perto quanto carro ou táxis levam, mas é perfeitamente possível a caminhada. Também é comum pegar carona na volta das praias, isso é normal.  Para sair dos locais de passeio de táxi é um pouco mais complicado, mas dá para chamar por telefone ou deixar agendado um horário. De qualquer forma não estará muito longe da estrada e do ônibus em nenhum ponto da ilha (com exceção da trilha do Capim Açu, mas esta tem que fazer com guia mesmo), que será sempre uma opção.
  • Ilhatur: dura umas 8 horas, acho que não vale a pena, principalmente se a ideia é alugar buggy. A ilha é muito simples de entender e circular, está razoavelmente bem sinalizada. De qualquer forma, se optar pelo Ilhatur, só faz algum sentido se for no primeiro dia (dia seguinte ao da chegada). Eu prefiro já usar este dia para mergulhar.
  • Programas de índio na minha opinião: Praia do Atalaia e sair de madrugada para a Baia dos Golfinhos – tem que pagar um guia, tem fila, e não se perde nada não indo. No Atalaia depois de horas de fila só pode ficar 20 minutos com um fiscal do IBAMA te enchendo o saco para não encostar em nada. Na Baia dos Golfinhos os bichos nem sempre aparecem ou aparecem só de longe. Vá no mirante outra hora do dia.
  • Programa que todo mundo diz que é legal mas eu nunca senti vontade de fazer na ilha: palestra do IBAMA, tem todas as noites. De qualquer forma, vale dar uma parada na lojinha do TAMAR em algum horário. Bom para levar algum souvenir.
  • No segundo ou terceiro dia: para quem não mergulha, batismo de mergulho – sugiro a Atlantis –  Vá logo, pode dar vontade de mergulhar outras vezes. Para quem mergulha: já chegou na ilha com mergulho agendado para todos os dias, com certeza. As saídas são cedo, o carro da operadora pega e devolve na pousada sem custo adicional, estará de volta antes do almoço. Dá para mergulhar todos os dias e ainda aproveitar bem a ilha.  Tem saída à tarde também, mas eu acho que deixa o dia meio comprometido. Tem noturno segunda, quarta e sexta, para os viciados em mergulho vale a pena.
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  • Planasub (“snorkel” a reboque de uma lancha) é muito legal também.  Atenção quem  estará  praticando mergulho autônomo: Doença Descompressiva é uma questão real aqui… o sobe e desce rápido do planasub pode bagunçar eventuais bolhinhas no seu corpo. Não será o primeiro… Não acho tão legal o barco com fundo de vidro, é claustrofóbico e ruim para quem enjoa. Mas para quem não quer se molhar pode ser uma opção.
  • Há uma operadora nova trabalhando com mergulho autônomo de praia – permite visitar o naufrágio do Porto que é bem legal.
  • Duas praias imperdíveis pela beleza: Sancho e Praia do Leão. As duas tem uma caminhada para chegar, mas são muito especiais. A  praia do Sueste é fácil de chegar (chega de carro ou ônibus) e mansinha, mas eu nem gosto tanto. Essas praias ficam dentro do “parque” e existe uma estrutura com quiosque, banheiro e é necessário apresentar a carteira do parque na entrada.
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  • Por do sol: Mirante do Boldró (onde tem um bar e toca o bolero de Ravel) eu acho chato, é badalado, bom para quem quer ver o movimento, mas também tem vários pontos nesse mesmo lado da ilha onde dá para ver o por do sol. Também é legal na praia Cacimba do Padre.
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  • O Forte dos Remédios é legal de visitar, bom para o fim de tarde também.
  • Vá a todas as praias – Cachorro, Conceição, Meio, dos Ingleses, Boldró, Cacimba, Sancho, Sueste, Leão… algumas são “ligadas” e dá para ir andando de uma para a outra; deixe alguns dias para repetir o que gostou mais. Eu pessoalmente gosto muito da Cacimba do Padre, pena que colocaram umas barracas, nada a ver…
  • Tem trilhas mais pesadas para quem gosta, eu fiz uma de 10 km, a trilha do Capim  Açu que é a do farol voltando pelas pedras e terminando na Praia do Leão, mas essa tem que ir com guia. Pode ser um  programa para o ultimo dia, sem mergulho.  Subir no Morro do Pico está proibido, infelizmente.
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  • No ultimo dia, como o voo é sempre à tarde, e melhor ainda se pegar o último horário, ainda dá para curtir uma praia.
  • Reserve um dia para almoço tardio/ fim de tarde no Restaurante Mergulhão, no porto – é meio (bem) caro, melhor ficar nos belisquetes. A vista é linda, não cansa. Vai dar vontade de ir mais vezes.
  • Os restaurantes das pousadas Maravilha e Zé Maria são chiques mas muito caros. Geralmente quem vai reclama que o preço não vale. Nunca fui. O restaurante da pousada Teju Açu é elogiado, eu fui só para a sobremesa.
  • Para refeições corriqueiras: Empório São Miguel  e Flamboyant (quilo) – este último, no meio da Praça Flamboyant, é onde todo mundo vai, mas o primeiro, quase em frente, é bem melhor, tanto que os locais frequentam.
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  • Para a noite sem gastar muito, Pizzaria na Moita (na BR em direção ao Porto, dá para ir a pé da Praça Flamboyant) – bom e barato; lanche no Açaí da Vila (onde tem o Mundo Verde, no “alto”, Floresta Nova, perto da escola) – tem açaí, tapioca, sanduíches bem feitos, é point dos surfistas. Eu amo comer o açaí Noronha, metade açaí e metade creme de cupuaçu.
  • Restaurante simples: tipo arroz, feijão e peixe: tem um na vila dos remédios decente, o Jacaré.
  • Noitada só bem depois da meia noite, na Vila dos Remédios: Bar do Cachorro e pizzaria ao lado da igreja (ou é forró, ou reggae, ou samba). Como sempre estou mergulhando todos os dias, não sou frequentadora… poderia começar mais cedo, né?
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  • A ilha tem banco Santander, Bradesco e tem caixa do Banco do Brasil no correio; praticamente todos os bares e restaurantes tem máquina de cartão, embora a conexão seja ruim. Alguns bares de praia não aceitam cartão, por não terem conexão.
  • Tem mercado (para comprar água, por exemplo), farmácia, etc mas presta atenção no horário de funcionamento, domingo fecha, etc. O preço não é o do continente, o que já é de se esperar.
  • Boné, filtro solar e água, sempre!
  • Muita disposição para andar no sol, nas ruas esburacadas e pirambeiras. Às vezes falta água na ilha. Mas nada apaga o brilho de Noronha.
  • Esqueça o salto alto!
  • Interaja com o povo da ilha. São simpaticíssimos. E assista o filme “Sangue Azul” antes de ir, vai dar uma outra visão da ilha.

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  • O melhor da ilha está embaixo da água. Não perca. Se não mergulha, faça logo o batismo e porque não o curso básico na ilha. Quem foi a Noronha e não mergulhou viu só um pedacinho. Dica para os iniciantes no mergulho: respire sempre, respire com calma. Aconteça o que acontecer, mantenha a respiração calma.  Tem arraia, tartaruga, moreia, tubarão, tubarão, tubarão…
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  • A internet é uma bosta, o sinal de telefone some… mas você vai esquecer disso!
    Em 2017 fiz uma atualização das dicas. Dá uma lida clicando aqui.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

 

 

Com Nautilus Lifeline regitrado, protagonista de Mar Aberto nunca mais.

Ok, o filme Mar Aberto é horrível. Mas a inspiração para o filme foi um fato real e coisas assim acontecem mesmo. É um pesadelo recorrente entre mergulhadores – emergir longe da vista do barco e não conseguir voltar. Todo mergulhador experiente provavelmente já passou por um sufoquinho de estar um pouco longe do barco enfrentando ondas e correnteza e percebeu como isso pode se tornar complicado. Neblina, ondas altas, estar atrás de uma ilha, correnteza afastar rápido demais ou o barco simplesmente ter ido embora… neblinaNão são incomuns os mergulhadores “deixados para trás”. Acompanhei algumas histórias recentes, algumas resultando no pior. Aqui dois exemplos:

http://www.deweyhammond.com/travel/lost-in-the-carribean-sea

http://edition.cnn.com/2014/02/17/travel/bali-divers-search/

Como tenho planejado viagens para locais mais remotos, como Revillagigedo (onde fui recentemente), Galápagos, Indonésia etc, a preocupação em não ser protagonista de um filme horrível como Mar Aberto cresceu.IMG_3644_h2o

Enfim, numa das minhas viagens aos EUA para adquirir equipamento Tech, comprei um Nautilus Lifeline – rádio marítimo com GPS à prova d´água que permite a comunicação do mergulhador com qualquer embarcação próxima, e até com os serviços de emergência locais (guarda costeira, bombeiros etc).

Já havia sido informada que no Brasil não era possível registrar o rádio e obter o tal número MMSI (Maritime Mobile Service Identity), pois a ANATEL só daria esse registro para rádio em embarcações, mas que isso só impediria de usar o botão vermelho. O rádio tem três botões, verde, laranja e vermelho. O vermelho é o sinal de socorro; se apertar este botão, sua posição em GPS é enviada para todos as embarcações num raio de até 55 Km, além da guarda costeira.

Não sei se este botão é absolutamente necessário, já que o verde permite conversar com qualquer barco próximo (vem ajustado para o canal 68) e o laranja é o canal de socorro internacional, o canal 16.  Mas como somente nesta função a posição em GPS é enviada automaticamente, me pareceu prudente ativá-la.

Quando comprei, em julho de 2014, a notícia era que no Brasil não era possível registrar um rádio sem estar atrelado a uma embarcação. Conheci algumas pessoas que tinham o rádio e nenhuma delas tinha registrado. Até que recebi a notícia que um conhecido de um amigo tinha conseguido registrar. Que tinha sido difícil demorou e tal, mas não consegui receber informação sobre o processo.

Como boa funcionária pública, estou acostumada a lidar com burocracia e a ter paciência. Então não me intimidei.

Busquei no site da ANATEL o procedimento para registro de rádio marítimo.

Bom, como o site vive mudando, a busca foi mais ou menos assim: serviço regulado  – outorga – serviço móvel marítimo.

Aqui o texto que encontrei na página.

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Bom, tudo muito bem explicado, menos a parte do rádio não estar ligado a uma embarcação.

Vantagem de morar numa capital, preenchi previamente o formulário e fui na sede da ANATEL, no endereço:  Praça XV de novembro, 20, 9 andar. É o prédio da antiga bolsa de valores, e a entrada é pela rua do Mercado, pelo subsolo.

Cada capital tem uma sala do cidadão (vi em consumidor, canais de atendimento). Reproduzo a página abaixo.

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Aqui a placa com o horário de atendimento.
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Sugiro ir no horário em que os dois tipos de atendimento estão funcionando, o protocolo e o atendimento ao público.

Cheguei lá com  o formulário parcialmente preenchido, pois não sabia como preencher os campos de informação da embarcação e outros detalhes do rádio.

Expliquei para a moça do protocolo, que sabia vagamente algo sobre o assunto e chamou um rapaz que poderia me ajudar. De fato, veio me atender um rapaz que sabia do caso (aparentemente trabalhou na regulamentação) e me ajudou a completar o formulário, e anexou a homologação do Nautilus Lifeline ao meu processo. Soube então que este rádio já está homologado na ANATEL.

Aqui as duas páginas do formulário:

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Dei entrada com a moça do protocolo, que me deu um número para acompanhar pela internet. A previsão seria de duas semanas para receber os boletos.

Eis que,  uma semana depois, recebo a correspondência.

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O que parecia estar resolvido de repente não estava, pediram os dados da embarcação.

Fui pessoalmente de novo, encontrei a mesma moça no protocolo, mencionei o problema e pedi para falar com o mesmo rapaz, e logo fui atendida.

Ele pegou meu processo e logo detectou o problema, um dos campos do formulário não havia sido preenchido – e então o preenchemos com uma informação do tipo “equipamento para salvamento de mergulhador”, pode ser qualquer descrição que deixe claro que não é equipamento para barco e sim para mergulhador.
Feito, o processo seguiu, 15 dias depois recebo os boletos para pagamento, com um prazo de vencimento bem longo.

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Paguei um pouco antes do prazo, para não atrasar muito o processo.

Uma semana depois de pagas as taxas, recebo em casa a licença e o número MMSI.

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Já havia instalado o “desktop software” do Nautilus Lifeline no meu PC, necessário para fazer atualizações e o registro. Conectei o radinho ao PC e segui os procedimentos. Pronto, rádio registrado! Menos de dois meses para o processo todo. Pode ser menos de um mês, se não houver pendência e se o pagamento for imediato.

De qualquer forma, espero nunca precisar usar o botão vermelho…

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

O dia em que quase tudo deu errado ou o jogo dos sete erros.

O título também poderia ser: Dormindo mal e suas consequências para o mergulho tech.

Passei uma semana envolvida com vários problemas e com pouco sono.

O mergulho estava previsto para domingo, aparentemente haveria tempo para me recuperar. Sexta feira uma happy hour com amigos se transformou numa noitada com  direito a cachaça. Mas tinha o sábado para me recuperar… dia em que também não consegui dormir cedo.

Acordo domingo tudo aparentemente normal, porém passei ao lado do meu carro com o equipamento e NÃO VI. Continuei procurando o carro até me lembrar onde tinha deixado. Já comecei a ficar meio preocupada – eu passei DO LADO arrastando o equipamento e meu carro não é prata ou preto, é azul.

Mas vamos lá, perdoável, eu estava olhando para longe, onde achava que o carro estava.

Missão do dia, eu e mais um tech já credenciados íamos descer junto com o instrutor e três alunos em check out de tech. Alguém ia carretilhar e íamos mergulhar no nada, só para treinar, mas com descompressão real.mergulho01_02

Montei o equipamento perfeitamente, eu achava. Fui de sidemount e resolvi reduzir 2 kg de lastro em relação ao último mergulho, pois estive muito pesada. Coloquei os 8 kg na “placa” de pesos que fica atrás do colete, excelente para uso com side. Assim, só precisava de mais dois na cintura para completar os 10 kg que eu queria. Coloquei os lastros – eu tinha certeza – e aparafusei a placa, uma tarefa meio chata, principalmente com todos os lastros, que repito, eu tinha certeza que estavam lá…

Montagem dos três cilindros (dois S80 do side e o stage), revisão do planejamento, acerto do computador, análise do gás, marcação do cilindro… fui fazendo com calma, e, eu achava, com a devida atenção.

Seguindo as orientações do instrutor, eu tinha certeza de qual era a missão e meu papel – eu e meu dupla já credenciados passaríamos a carretilha e faríamos o nosso mergulho enquanto os outros faziam sua aula. Eu estava convicta da tarefa e eu estava certa também que meu dupla iria passar a carretilha. Só esqueci de conferir com ele se ele estava tão convicto quanto eu…

Começa o mergulho, chego ao fundo e percebo que estou mais para neutra, não estou pesada como é de se esperar no início de um mergulho tech com dois S80 e um S40 tudo cheio. Já fico meio preocupada ponderando se devo fazer descompressão ou devo parar o mergulho antes.

Os alunos acabam levantando muita suspensão, um salseiro danado, e é complicado achar meu dupla. Lá pelas tantas, acho meu dupla, mas o cabo eu já não sei onde está. Meu dupla está parado, esperando não sei o que. Quando o instrutor irritado e/ou assustado aborta o mergulho e manda todo mundo subir…

Segundo erro: não combinei com meu dupla. Embora eu estivesse certa da missão eu não perguntei a ele se ele estava certo também.

Fiquei até aliviada, pois eu já estava pensando em abortar o mergulho mesmo, devido ao lastro insuficiente. Subimos, o instrutor foi dando a bronca e revendo o planejamento para retornar ao mergulho. Eu decidi ir buscar mais lastro. Pensava em acrescentar os 2 kg que eu pensava ter reduzido.

Primeiro pedi ao barco um cinto com 2 kg e tentamos colocar dentro d´água. Tenta assim, tenta assado, cansa, desisti. Resolvi subir, desequipar e colocar o cinto.

A tripulação estava ocupada com qualquer coisa, tirei o stage, chamei para alguém vir pegar, mas tive dificuldade para tirar o cilindro do lado esquerdo, e sem ajuda tentei  subir com os dois, fiquei entalada na escada, voltei para a água, já sem as nadadeiras, mar balançando, apanhei um pouco para tirar, fechei o cilindro para desconectar a mangueira da roupa seca… acabei subindo já estressada e cansada. Coloquei o cinto, mas resolvi esperar um pouco… pensei, não, isso não está legal. Já gastei muito ar, já estou cansada, nada de descompressivo hoje. Largamos os stages no barco.

Talvez uma das únicas decisões sensatas do dia.

Resolvemos fazer um recreativo mesmo nas pedrinhas.

Ao iniciar a descida resolvi trocar logo o regulador para o cilindro da esquerda, pois o da direita já estava com só 120 bar. Eis que estava fechado, pois tinha fechado para desconectar a mangueira da roupa seca e não abri novamente… e foi a primeira vez na minha vida que lembro de levar um regulador à boca sem purgar para testar, logo essa, que estava fechado. Volta para o regulador do cilindro da direita, abre a torneira… Eu estava melhor lastreada, mas ainda com dificuldade para descer. E sem entender. Pior, sem notar que algo teria que estar errado. Meu dupla me ajuda a descer, a roupa seca começa a me apertar, levo o dedo ao botão para inflar a roupa, eis que a mangueira está desconectada… bora conectar. Isso me rendeu algumas manchinhas roxas nos braços…

Começo o mergulho bem e tal… mas lá pela metade começo a ficar MUITO positiva. Meu dupla arruma uma pedra e eu passo mais da metade do mergulho agarrada a ela, mas por duas vezes ela caiu e fiz um enorme esforço para pegá-la.mergulho01_03

Acabamos o mergulho sem grandes incidentes, volto para o barco, e ao desmontar o equipamento… só tinham QUATRO kilos na placa de lastro ao invés dos oito que deveriam estar lá. Desvendado o segredo da flutuabilidade descontrolada.

Depois disso, só me restava chegar em casa e ajoelhar no milho.

Uma sequencia de erros que poderia ter levado a problemas BEM sérios.

E nunca mais pensar em fazer mergulho tech sem estar bem descansada, bem dormida, bem atenta.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Minha Bonaire desempacotada

Sempre preferi organizar minhas próprias viagens.

Hoje com internet, facebook, tripadvisor, o trabalho do viajante está muito fácil. Lembro de ter que comprar guias e usar o telefone, o que saia muito mais caro. Importante é usar fontes confiáveis e sites oficiais. Eu evito sites de desconto e compra através de terceiros, geralmente vou na fonte, vou direto na cia aérea. Mesma coisa com hotéis. Já usei booking.com, mas já tive problemas com site do tipo. Fiz uma reserva que precisei cancelar e nunca recebi retorno. O site enviava comunicação para a pousada com copia para mim e esta não retornou nunca. Enfim. Direto é muito mais fácil, quanto mais intermediários para lidar acho mais complicado.

A Bonaire eu fui três vezes, todas “desempacotadas”: 2004, 2006 e 2014. Assim como Noronha, Bonaire é aquele lugar para voltar sempre, o repouso do mergulhador, o lugar certo para se sentir de férias e mergulhar muito.

Bonaire para mim não é lugar para ir em multidão. Mais um motivo para evitar os pacotes. Se a graça da viagem é a liberdade de escolher a hora e o ponto de mergulho, se junta muita gente ainda mais desconhecida essa parte se perde. O ideal é uma dupla ou grupo pequeno bem afinado. Assim, gente que esteja no mesmo ritmo ou bem disposto a se adaptar ao ritmo dos outros, geralmente a gente só faz isso com pessoas que gostamos muito. Também tem a questão da cozinha, a questão do carro… melhor ir em dupla ou grupo muito harmônico.Bonaire_1

Molinho e mais barato organizar a viagem “out of” pacote. Porque não fico presa ao mega resort dos pacotes. Além da liberdade com datas – eu preferi fazer uma viagem mais longa das duas primeiras vezes que fui, para valer a pena o vôo que nem sempre é muito favorável. Prefiro ficar dez dias ao invés de uma semana. Enfim, faço a minha viagem, do meu jeito.

Já fiquei nos hotéis: Yatch Club Apartments, Coco Palm Garden & Casa Oleander e Den Laman

Indico o primeiro, o Yatch Club sem medo. Preços super em conta, localização muito boa embora não esteja na beira da praia, apartamentos completos e agradáveis, comércio próximo. Só atravessar a rua e pode usufruir da praia e do bar do hotel em frente, Eden Beach Resort. A praia, dá para usar a do Eden Beach, pagando US$ 10,00 pela espreguiçadeira com ombrelone.

O Eden Beach tem um agito (ok, agito em Bonaire é algo bem relativo…) no fim de tarde.

A operadora de mergulho (Wanna Dive Bonaire) que atende o Yatch Club Apartments também é a do hotel em frente e é bem prática para pegar e deixar os cilindros, dá para fazer isso a qualquer hora.

Como intervalo de superfície, geralmente opto por uma parada em alguma praia, são poucas. Ou passar no hotel, ou ficar vendo a paisagem, enfim, rodeando.

Bonaire_6Na minha última viagem, no último dia fomos até o Sorobon Beach Resort, à beira de Lac Bay, sul da ilha, onde novamente por US$ 10,00 você “ganha” um ombrelone com duas espreguiçadeiras e o direito à infra local, que inclui banheiros, bar, restaurante. Além da paz e do píer… Dá uma preguiça… repouso merecido depois de tantos dias de mergulho. Aquela água quase parada, quente, transparente e rasinha… um ventinho bom… hum…

Já quando fiquei hospedada no Coco Palm nos sentimos meio isolados, é meio ermo lá. Meio mão de obra para tudo, compras e pegar cilindros. E o quarto – não é exatamente um apartamento, é um quarto – é pequeno, a mini cozinha fica quase em cima da cama, o que não cria um ambiente agradável. Além de me sentir insegura… seria muito fácil alguém invadir o quarto. Aliás, nunca fui assaltada em Bonaire, mas já ouvi relatos.

Bonaire_5O Den Laman é perto do Yatch Club, perto de comércio (tem um pequeno mercado), também permite ir a pé até o Eden Beach Resort, e fica em frente ao mar. Não tem exatamente uma praia, só uma pequena faixa de areia (cascalho). A vantagem é estar de frente para o mar; ter um píer de onde é possível mergulhar; ter a própria operadora de mergulho, quer dizer, os cilindros ficam por lá mesmo e o equipamento em um grande depósito. Mas apresenta algumas desvantagens. A operadora só abre as 9 horas e fecha 17 horas. Então, se você não separou cedo os cilindros que vai usar na manhã do dia seguinte, vai ter que esperar abrir e começa muito tarde os mergulhos do dia. Isso  chegou a causar algum transtorno. Porque fomos duas vezes mergulhar nos pontos do Washington Slagbaai National Park, onde tem que ir cedo, pois se não entrar cedo não dá tempo de mergulhar. Aí, o melhor é fazer um lanche por lá e talvez emendar com um terceiro mergulho no caminho. Só que se chegar no Hotel depois das 17 horas já não consegue separar os cilindros do dia seguinte… Enfim, tem que conhecer as regras de cada dive center e se programar direitinho para aproveitar bem os tais mergulhos ilimitados.

Bonaire_3Em termos de viagem (ainda mais) econômica, falam do Dive Hut, simples  mas com o necessário (ar condicionado, banho quente…), não na frente do mar mas muito bem localizado, ainda vou experimentar. Mas uma outra opção econômica, de ficar no Rincon, um bairro tradicional habitado por nativos, já meio fora do caminho dos dive centers, comércio e pontos de mergulho, é uma ideia que não me agrada.

Ah, essa propaganda de mergulhos super tranquilos… a entrada nem sempre é suave! Mar se mexe! Ás vezes tem ondinha, às vezes tem correnteza… e muitas pedras e corais de fogo. Dá para tomar um belo tombo e se machucar. E a correnteza pode pegar de surpresa às vezes. Mar é sempre mar, tem onda, tem corrente… Tomei um tombo, nem estava mergulhando, já tinha tirado o neoprene, caí em cima de um coral de fogo, não foi muito gostoso. Mas o tombo que deu o maior prejuízo foi o da entrada do Hilma Hooker. Não foi um grande tombo, mas a câmara estava na mão, bateu em alguma coisa e alagou; só vi quando já estava chegando no naufrágio. Não dava mais para subir rápido, tive que subir lentamente, fazer a parada, assistindo aquela aguinha dentro da caixa…

Mas a maioria é bem tranquilo mesmo. A gente vai pegando a manha de equipar no carro e colocar as nadadeiras na água. Só procurar as pedrinhas amarelas, parar o carro, observar a bóia, entrada e a corrente… claro que a cada viagem sempre leio sobre a característica dos pontos.Bonaire_4

O parque Washington Slagbaai reserva bons mergulhos, um pouco diferentes do restante da ilha. Nas duas primeiras viagens não mergulhei lá pois o que se dizia é que os pontos estavam ainda devastados pelo furacão que passou por lá.

Na próxima vez que eu voltar à ilha não me escapará o mergulho embarcado East coast Diving Que leva para o lado desabrigado da ilha, onde as entradas de costa não são possíveis (quer dizer, entrar até dá, passo do gigante, mas voltar…rs…) e, dizem, alguns animais maiores são avistados. Pode ser, porque de resto a ilha não é mesmo habitat dos grandes. Em 2006 eu vi um tubarão na ilha, mas foi só uma vez.

Bonaire_7Como nesta última viagem eramos duas vegetarianas – uma vegana, eu nem tanto – optamos por preparar a maioria das refeições no hotel. O supermercado segue o padrão holandês, tem muita mercadoria europeia e/ou que refletem hábitos europeus e também americanos. Portanto, ficou fácil encontrar orgânicos, sugar free, lactose free, pães de grãos de vários tipos… e também veganos. Levamos para casa tofu e cogumelos, a maioria das refeições foi a base deles, além de creme de amendoin para passar no pão. Quem disse que vegano come mal? O tofu em cubinhos, refogado com bastante cebola e no molho de tomate fez uma ótima macarronada vegetariana. Shitake nem se fala… macarrão com  shitake, batata com shitake… Ervilha, tomates, verduras, deu para variar bastante.

Na rua também não foi difícil, encontramos um excelente sorvete com opções sem lactose e hambúrgueres veganos; não precisamos ficar restritas às saladas. Tomamos conhecimento de um restaurante Ayruveda, porém com horário muito restrito, tipo de 12 as 13 horas. Nem fomos, afinal de férias não dá para ficar tão preso a horário.

Bonaire é bom para comprar equipamentos de mergulho, não tem assim uma variedade infinita, mas para nós brasileiros já vale a pena. Mas não dá para comprar muito mais coisa não, só souvenir. Canecas, camisetas, artesanato. E sal – da última vez trouxe sal.

Então acabo gastando muito pouco em Bonaire. Férias perfeitas. Só falhei em não agendar uma massagem para o último dia – tem vários studios/ spas, nos resorts e fora deles. Mas só agendando.

Ao longo desses anos o que melhorou na ilha foi que agora dá para pagar tudo em dólar – nas duas primeiras vezes que fui era um saco, tinha que ficar trocando dólar pelo dinheiro local no banco no centro da cidade. Outra coisa que melhorou foi a oferta de nitrox, praticamente em todos os dive centers agora é free. A primeira viagem eu fiz sem nitrox e os mergulhos ficaram bem limitados.

O que piorou foi a vida marinha, mas isso parece inevitável no mundo todo.

E uma coisa é certa: vou voltar muitas vezes ainda.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

O Dive Master mala

Já falei do dupla mala, mas também tem o Dive Master mala. Na Florida, em Key Largo, onde fui mergulhar sozinha (e comprar equipamentos, hehehe), quis evitar um dupla mala e contratei mergulho guiado para os naufrágios. Num desses mergulhos tive que enfrentar um típico DM mala. Um alemão que queria tanto mostrar serviço que além de ser irritante acabou produzindo efeitos contrários ao pretendido, que era dar mais segurança ao mergulho.
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Na verdade não acho que ele queria dar mais segurança ao mergulho, mas sim mostrar serviço e merecer uma boa gorjeta, pois lá é costume a gorjeta para a tripulação. Mas ele se deu mal, pois sou brasileira e não dou gorjeta por esse serviço, além do mais, ele me irritou tanto que não fiquei a fim mesmo…

A postura pedante de quem te acha uma retardada, até a máscara ele arrancou da minha mão para lavar de novo. Apareceu com um cilindro gigantesco dizendo que seria para me fornecer ar caso o meu acabasse. Hum. O mergulho que estávamos fazendo exigia um certo nível de certificação. Mas vá lá…. só que ele estava tão agitado que deixou solto e o cilindro dele caiu.

Todos os direitos resaervado © Roberto Palmer
Todos os direitos reservados © Roberto Palmer

A checagem do meu equipamento incluiu desmontar tudo o que eu tinha montado. E detalhes completamente desprezíveis. Por exemplo, a alça do colete “tem que” ficar presa entre o cilindro e o regulador. Ah ta…. Me deu aula disso. Tudo o que eu ia fazer ele interrompia. Arrancou a máquina fotográfica da minha mão e tirou um monte de fotos que eu jamais tiraria, fotos minhas com todas as caretas típicas do mergulho. Pra que isso???? Eu perguntei. Ele disse que era para mostrar para minha família. OK, tenho mais de 500 mergulhos. Minha família já entendeu que faço isso. Não preciso de provas! Só de boas fotos. Vamos para o mergulho… Ufa, o mergulho não foi tão ruim, aos poucos ele relaxou e pude aproveitar. Mas a questão do equipamento me deixou irritada, sim. Conferir o equipamento é obrigação. Mas desmontar e montar de novo não é checar. E impor uma configuração sabendo que não é obrigatória e eu prefiro outra? Arrancar uma máscara que eu já tinha passado anti embaçante e lavado para lavar de novo?

Já num liveaboard encontrei um Dive Master figura que era o oposto. Ninguém conseguiu descobrir a que veio. Não fazia nada. Tentou remanejar as cabines para ganhar uma só para ele, dormia que nem um porco, pegava nossas cangas para se enrolar, era o primeiro a se servir na comida e na sobremesa, procurando sempre os melhores pedaços para ele…rs… Tomava banhos detalhados após cada mergulho (não sobra água doce num barco!)… O que faz uma figura dessas num barco? Rsrs lembro: ele não estava de férias, estava a trabalho…. Eu acho.

Outra situação ocorreu durante o curso tec. Quando eu já estava pronta para o passo do gigante – e levantar do banco com uma dupla nas costas é uma odisséia para mim – sinto algo na torneira esquerda. Era o DM “conferindo” se estava aberta! Affffffffff….. quando, posteriormente, fiz meu curso de DM, encontro no manual: nunca toque no equipamento de um mergulhador técnico! Está lá! Aliás, tem muito DM que está precisando reler o manual. Eu sigo me esforçando para não ser como nenhuma dessas figuras que encontrei nos barcos da vida.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.