Trilha dos Abreus em Fernando de Noronha

A ilha de Fernando de Noronha é famosa por suas lindas praias, pelo surf, pelos fantásticos mergulhos e pelos diversos passeios, incluindo algumas trilhas. As trilhas são um atrativo que pode ser feito junto com qualquer outro programa de sua preferência. O meu principal programa em Fernando de Noronha é o mergulho autônomo.

Normalmente faço os mergulhos pela manhã e como o retorno ao Porto de Santo Antonio sempre acontece antes do meio dia, tenho tempo de sobra para tomar um banho, almoçar e realizar outro programa, incluindo algumas trilhas.

Em janeiro de 2017, depois de levar um grupo de mergulhadores para mais um maravilhoso live aboard a bordo do Voyager pelos naufrágios de Recife e Maceió, parti para Fernando de Noronha para mais uma série de mergulhos e alguns passeios que eu ainda não tinha feito.

A intenção quando cheguei em Noronha era fazer a trilha do Capim Açu, mas acabou que resolvi deixa-la para outra oportunidade e decidi que faria a trilha dos Abreus, super-recomendada pelos amigos da ilha.

A trilha vista no mapa

Em Noronha existem trilhas para todos os níveis de dificuldades, algumas longas e que exigem bom preparo físico e outras que são passarelas suspensas facilitando assim o acesso, inclusive dos visitantes com alguma necessidade especial. A trilha dos Abreus é uma trilha de 1200 metros com um caminho bem demarcado e com uma vista do mar de fora de tirar o fôlego, somente no final da trilha é que há uma descida bem íngreme em que o visitante terá que tomar um pouco mais de cuidado e utilizar a corda de apoio. Levei por volta de uns 30 minutos até chegar à descida íngreme, fui andando e apreciando o passeio, sem pressa!

Trilha dos Abreus / Todos os direitos reservados © Monica Di Masi
Durante a caminha é possível ver o mar de fora / Todos os direitos reservados © José Dias

Ao chegar ao final da descida há um fiscal que passa algumas informações sobre o local e os cuidados necessários, além de você ter que assinar um termo de responsabilidade e uma ficha de presença. Depois disso é só curtir as piscinas naturais e a tranquilidade.

A descida bem íngreme que o visitante terá que usar a corda de apoio /
Todos os direitos reservados ©Monica Di Masi

Eu havia planejado fazer a trilha após o meu último dia de mergulho, mas quando fui a sede do ICMBio para agendar o sistema de agendamento estava fora do ar, então foi necessário retornar no dia seguinte, tudo deu certo pois consegui agendar sem dificuldades. Fique atento, pois existe o limite máximo de 24 visitantes/dia e os guias locais costumam agendar o de várias pessoas ao mesmo tempo, portanto, insista. A trilha dos Abreus não costuma ser disputada como a do Atalaia e sua praia não possui faixa de areia.

Piscinas naturais dos Abreus / Todos os direitos reservados © Monica Di Masi

O acesso ao início da trilha, que eu utilizei e que foi informado pelo funcionário do ICMBio, foi pela estrada a esquerda da praia do Sueste, uma pequena estrada ao lado do estacionamento.

O início da trilha

Como o passeio é recomendado no horário de maré baixa, o portão da trilha só abre neste horário, no meu caso, abriria às 12 horas e eu poderia ficar até às 15 horas. Então fui um pouco mais cedo para o PIC do Sueste e fiz um lanche para aguentar até a hora tardia que iria almoçar.

Lanche no Sueste / Todos os direitos reservados © Monica Di Masi

Se você está de carro alugado ou táxi é possível chegar até bem próximo do início “oficial” da trilha, evitando alguns minutos de caminhada. Se estiver de ônibus, salte no ponto final, no Sueste, e pegue a estrada que descrevi acima. Não tem erro.

Como agendar:

Para fazer a trilha é obrigatório agendar uma data na sede do ICMBio, que fica junto ao Projeto Tamar, na Vila do Boldró. O ônibus deixa na porta.

  • O passeio é grátis e pode ser feito sem guia, mas só são permitidos 24 visitantes por dia e o horário de visitação da trilha é na maré baixa;
  • É necessário apresentar o ingresso do parque, cópia do voucher ou o número de CPF do visitante;
  • Cada visitante/condutor tem o direito de agendar no máximo 6 pessoas;
  • Agendamento realizado com até 5 dias de antecedência.
Local do agendamento na sede do ICMBio / Todos os direitos reservados © José Dias

Horários do ICMBio para o agendamento de atrativos:

Segunda a sexta-feira
Das 8h30 às 12h e das 14h às 18h

Sábados e feriados
Das 15h às 18h

Domingo
Não funciona

É obrigatório a fim de preservar as piscinas naturais:

O uso de máscara, colete salva-vidas e snorkel. Estes itens visam a proteção dos ambientes e melhor experiência do visitante.

É proibido:

  • O uso de protetor solar, repelente e outros dermo-cosméticos;
  • Usar nadadeiras, sapatilhas ou luvas;
  • Tocar o fundo das piscinas;
  • Perseguir, encurralar ou tocar os animais;
  • Interferir ou coletar materiais no ambiente natural;
  • Jogar lixo na trilha, praia ou piscina.

O que levar:

  • Vá de tênis para esta trilha, mas leve um chinelo leve na bolsa;
  • 01 litro de água;
  • Boné;
  • Roupas leves;
  • Toalha;
  • Um pequeno lanche;
  • Máquina fotográfica.

Optei por usar minha máscara e snorkel, e aluguei o colete. Você não poderá alugar o equipamento no Sueste. Eu aluguei com a indicação do pessoal da Noronha Tour, eles inclusive podem agendar os melhores passeios de Noronha, deste ilhatour até todas as trilhas. Se você não quer perder nenhum minuto em Noronha com agendamentos esta é a melhor opção.

Vida marinha nas piscinas naturais dos Abreus / Todos os direitos reservados © José Dias

No caminho de volta ao Sueste, ainda podemos observar o Açude da Pedreira.

Açude da Pedreira / Todos os direitos reservados © Monica Di Masi

A partir de março deste ano, começou o projeto intitulado o Dia do Morador. Significa que quem tiver comprovante de residência na ilha terá um dia exclusivo para desfrutar de um atrativo do parque sem precisar fazer agendamento prévio.

Nesses dias, os turistas não terão acesso ao atrativo que estiver reservado para a população local, mas poderão curtir as demais atrações. Nos demais dias da semana, serão mantidas as regras normais de visitação, sendo necessário o agendamento tanto de moradores quanto de turistas.

Calendário do projeto Dia do Morador/ICMBio
Todos os direitos reservados © Monica Di Masi

A trilha dos Abreus foi uma grata surpresa, exatamente como informado pelos amigos. Passei as 3 horas que me foram permitidas me banhando naquelas piscinas deliciosas em um lugar bonito e tranquilo.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

Música grátis para seus vídeos

Com a facilidade de gravar vídeos que as câmeras têm proporcionado, muitos videomakers escolhem utilizar CDs de músicas ou MP3 baixados pelos vários sites espalhados pela internet para utilizar como trilha sonora em seus vídeos, depois se surpreendem quando o vídeo é bloqueado no Youtube ou em outro site de vídeo. Isso acontece porque nas maioria das vezes utilizar essas músicas é contra a lei, mais precisamente contra a Lei de Direito Autoral. Se você não conhece a lei, que tal visitar o link da Lei nº 9610/98?

Contratar um músico para criar uma trilha sonora para o seu vídeo é sempre a melhor opção, caso sua produção tenha verba e necessidade, mas muitas vezes trata-se de um trabalho de baixo orçamento ou até mesmo um vídeo pessoal onde a contratação de um músico teria um custo inaceitável. Isso não significa um problema na sua produção, pois existem formas legais de se obter uma trilha sonora de ótima qualidade grátis!

Vou apresentar as quatro fontes que vez por outra utilizo nos meus trabalhos.

As 3 primeiras fontes são sites que fornecem músicas prontas:

Freeplay Music http://freeplaymusic.com/ Músicas prontas para download dos mais variados estilos e durações. Há algumas exceções quanto à licença para uso em broadcast e cinema.

Royalty Free Music & Songs  http://www.danosongs.com  O artista Dan-O oferece sob a Licença Creative Commons uma coleção incrível de músicas grátis e royalty free, pedindo em troca somente que o link ou crédito seja adicionado, ou ainda um pequeno donativo.

Moby, http://www.moby.com/ O site deste músico nova-iorquino de sucesso mundial oferece o link para o Moby Gratis http://www.mobygratis.com/ que é um espaço onde o artista oferece músicas gratuitamente, bastando fazer um simples cadastro. É destinado a filmmakers independentes e não comerciais, estudantes de cinema ou qualquer um que precise de música grátis para seu trabalho independente, filmes sem fins lucrativos, curtas e vídeos.

E se for para uso comercial, o Moby oferece uma licença especial e o valor é convertido para Humane Society, uma organização de proteção animal.

A quarta opção é realmente criar sua trilha sonora. Se o seu único problema for não saber nada de música, nem ao menos tocar um instrumento, bem…mesmo assim ainda é possível!

Como? Utilizando o programa de criação de música via loops, Acid Xpress, que é a versão grátis do já consagrado software ACID. Você será capaz de criar sua própria música através de vários loops gratuitos que o próprio fabricante oferece.

A interface do Acid Xpress da Sony. Software gratuito para criação de músicas através de loops.
A interface do Acid Xpress da Sony. Software gratuito para criação de músicas através de loops.

Basta fazer um cadastro e realizar o download do Acid Xpress, pelo link http://www.acidplanet.com/downloads/xpress/ que também oferece o download gratuito do arquivo 8packs!
O 8packs é uma coleção de loops que ajuda você a começar com o Acid Xpress, foi criada uma seleção especial de 8 packs com 100 loops e 10 projetos ACID. Basta abrir qualquer um destes projetos e começar a brincar com todos os novos recursos que Acid Xpress tem para oferecer.

É claro que existem outros sites e programas grátis e também alguns pagos como o Smartsound, do qual sou usuário há anos, mas a proposta desta dica foi apresentar algumas opções grátis. Se você conhece outras, divulgue nos comentários.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

Cuidados com sua caixa estanque

E vamos falar de caixa estanque outra vez. Desta vez, algumas dicas de como conservar a sua caixa estanque e evitar problemas.

1⇒ Após o uso, lave a sua caixa com água doce. Caso isso não seja possível, deixe-a em um tanque com água salgada a fim de evitar a formação de cristais de sal. Se não houver um tanque com água que você possa coloca-la, umedeça uma toalha com água e enrole a caixa até que seja possível lava-la com água doce;

2⇒ Use graxa de silicone com moderação. A graxa não é o que veda, quem faz isso é o o-ring. Graxa de silicone demais facilita o acúmulo de sujeira e detritos. Basta usar o suficiente para manter o o-ring lubrificado;

3⇒ Não abra a caixa sem que seja absolutamente necessário. Toda vez que você abre a caixa aumenta a chance de entrar água, areia e umidade ou alguma coisa grudar na sede do o-ring ou no próprio o-ring;

4⇒ Sempre que for abrir sua caixa, procure colocar a parte da lente para cima, isso evita que qualquer coisa caia dentro da caixa ou na câmera;

5⇒ Muito cuidado ao abrir a caixa depois do mergulho, principalmente se você estiver molhado. Cuidado com o cabelo e roupas molhadas, gotas podem causar um dano enorme se caírem na sua câmera ou nas partes eletrônicas da caixa;

6⇒ Desmonte as conexões, cabos do flash, portas, espaçador etc regularmente, especialmente onde diferentes materiais se encontram. A corrosão tem uma tendência de atacar nesses lugares;

7⇒ Use sacos de sílica para absorver a umidade e evitar o embaçamento – especialmente se você tiver uma caixa de policarbonato. Certifique-se de colocá-los onde não podem tocar nos controles;

8⇒ Remova os o-rings de vedação da caixa para guarda-la. Você não tem que removê-los após cada mergulho. Preste atenção extra se você esteve mergulhando onde há areia muito fina. Se for necessário, limpe-os;

9⇒ Não use detergentes para limpar a caixa, exceto se for específico para tal. Isso pode danificar o acabamento e retirar a graxa de silicone dos anéis de vedação, especialmente nos botões. Use água morna, se você precisar dissolver cristais de sal ou quaisquer outros resíduos;

10⇒ Verifique se a caixa está seca e livre de poeira antes de guarda-la. Deixe-a fechada para evitar que poeira ou qualquer outro tipo de sujeira entre. Troque o o-ring sempre que ele perder a sua forma original ou a qualquer outro sinal de desgaste;

11⇒ Remova as baterias da câmera e dos flashs ou do kit de iluminação quando do armazenamento. Elas podem se romper e o ácido pode causar danos irreparáveis;

12⇒ Tenha cuidado com a manutenção feita por pessoas não qualificadas. Se necessário envie seu equipamento para o fabricante ou autorizada;

13⇒ No mínimo uma vez ao ano faça uma revisão geral com a trocas de todos os o-rings e ajustes dos controles. Faça isso com o fabricante ou autorizada;

14⇒ Evite pular na água com a câmera. Sempre que possível entre na água e peça para alguém passar seu equipamento. Pancadas com o equipamento podem deslocar a câmera dentro da caixa ou até mesmo deslocar a tampa de vedação;

15⇒ Entre na água com o seu equipamento desligado e antes de liga-lo verifique se não há nenhum vazamento e se tudo está correto, isso pode evitar maiores prejuízos em caso de alagamento;

16⇒ Se sua caixa possui um grande domo tenha cuidado para não desloca-lo e causar um alagamento durante o mergulho;

17⇒ Jamais, eu disse, jamais monte sua câmera dentro da caixa na correria! Isso é fatal.

Todos os direitos reservados © José Dias
Todos os direitos reservados © José Dias

Se mesmo tomando todo o cuidado o pior acontecer:

1⇒ Respeite a velocidade de subida e paradas de descompressão, se houverem. Lembre-se que nenhum equipamento vale o seu bem estar;

2⇒ Retire as baterias o mais rápidos possível, pois o ácido contidos nelas aumenta o estrago;

3⇒ Desmonte e lave sua caixa com água doce e coloque-a para secar. Um secador de cabelos ajuda;

4⇒ Retire o cartão de memória e lave-o em água doce e deixe-o secar. Dificilmente você perderá os registros das imagens em cartões alagados;

Alguns fotógrafos/cinegrafistas aconselham lavar a câmera com água doce e deixa-la secar ou usar um secador de cabelos. Uma vez alagada poucas são as chances de salvar alguma coisa da câmera, pois a água salgada fará o que o alagamento não fez, destruirá o que sobrou.
Nunca salvei câmeras fazendo isso mas já obtive sucesso salvando um monitor de LCD de uma GoPro e pelos menos uns quatro cartões de memória de amigos utilizando este método. Cabe a você decidir o que fazer.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
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Minha Bonaire desempacotada

Sempre preferi organizar minhas próprias viagens.

Hoje com internet, facebook, tripadvisor, o trabalho do viajante está muito fácil. Lembro de ter que comprar guias e usar o telefone, o que saia muito mais caro. Importante é usar fontes confiáveis e sites oficiais. Eu evito sites de desconto e compra através de terceiros, geralmente vou na fonte, vou direto na cia aérea. Mesma coisa com hotéis. Já usei booking.com, mas já tive problemas com site do tipo. Fiz uma reserva que precisei cancelar e nunca recebi retorno. O site enviava comunicação para a pousada com copia para mim e esta não retornou nunca. Enfim. Direto é muito mais fácil, quanto mais intermediários para lidar acho mais complicado.

A Bonaire eu fui três vezes, todas “desempacotadas”: 2004, 2006 e 2014. Assim como Noronha, Bonaire é aquele lugar para voltar sempre, o repouso do mergulhador, o lugar certo para se sentir de férias e mergulhar muito.

Bonaire para mim não é lugar para ir em multidão. Mais um motivo para evitar os pacotes. Se a graça da viagem é a liberdade de escolher a hora e o ponto de mergulho, se junta muita gente ainda mais desconhecida essa parte se perde. O ideal é uma dupla ou grupo pequeno bem afinado. Assim, gente que esteja no mesmo ritmo ou bem disposto a se adaptar ao ritmo dos outros, geralmente a gente só faz isso com pessoas que gostamos muito. Também tem a questão da cozinha, a questão do carro… melhor ir em dupla ou grupo muito harmônico.Bonaire_1

Molinho e mais barato organizar a viagem “out of” pacote. Porque não fico presa ao mega resort dos pacotes. Além da liberdade com datas – eu preferi fazer uma viagem mais longa das duas primeiras vezes que fui, para valer a pena o vôo que nem sempre é muito favorável. Prefiro ficar dez dias ao invés de uma semana. Enfim, faço a minha viagem, do meu jeito.

Já fiquei nos hotéis: Yatch Club Apartments, Coco Palm Garden & Casa Oleander e Den Laman

Indico o primeiro, o Yatch Club sem medo. Preços super em conta, localização muito boa embora não esteja na beira da praia, apartamentos completos e agradáveis, comércio próximo. Só atravessar a rua e pode usufruir da praia e do bar do hotel em frente, Eden Beach Resort. A praia, dá para usar a do Eden Beach, pagando US$ 10,00 pela espreguiçadeira com ombrelone.

O Eden Beach tem um agito (ok, agito em Bonaire é algo bem relativo…) no fim de tarde.

A operadora de mergulho (Wanna Dive Bonaire) que atende o Yatch Club Apartments também é a do hotel em frente e é bem prática para pegar e deixar os cilindros, dá para fazer isso a qualquer hora.

Como intervalo de superfície, geralmente opto por uma parada em alguma praia, são poucas. Ou passar no hotel, ou ficar vendo a paisagem, enfim, rodeando.

Bonaire_6Na minha última viagem, no último dia fomos até o Sorobon Beach Resort, à beira de Lac Bay, sul da ilha, onde novamente por US$ 10,00 você “ganha” um ombrelone com duas espreguiçadeiras e o direito à infra local, que inclui banheiros, bar, restaurante. Além da paz e do píer… Dá uma preguiça… repouso merecido depois de tantos dias de mergulho. Aquela água quase parada, quente, transparente e rasinha… um ventinho bom… hum…

Já quando fiquei hospedada no Coco Palm nos sentimos meio isolados, é meio ermo lá. Meio mão de obra para tudo, compras e pegar cilindros. E o quarto – não é exatamente um apartamento, é um quarto – é pequeno, a mini cozinha fica quase em cima da cama, o que não cria um ambiente agradável. Além de me sentir insegura… seria muito fácil alguém invadir o quarto. Aliás, nunca fui assaltada em Bonaire, mas já ouvi relatos.

Bonaire_5O Den Laman é perto do Yatch Club, perto de comércio (tem um pequeno mercado), também permite ir a pé até o Eden Beach Resort, e fica em frente ao mar. Não tem exatamente uma praia, só uma pequena faixa de areia (cascalho). A vantagem é estar de frente para o mar; ter um píer de onde é possível mergulhar; ter a própria operadora de mergulho, quer dizer, os cilindros ficam por lá mesmo e o equipamento em um grande depósito. Mas apresenta algumas desvantagens. A operadora só abre as 9 horas e fecha 17 horas. Então, se você não separou cedo os cilindros que vai usar na manhã do dia seguinte, vai ter que esperar abrir e começa muito tarde os mergulhos do dia. Isso  chegou a causar algum transtorno. Porque fomos duas vezes mergulhar nos pontos do Washington Slagbaai National Park, onde tem que ir cedo, pois se não entrar cedo não dá tempo de mergulhar. Aí, o melhor é fazer um lanche por lá e talvez emendar com um terceiro mergulho no caminho. Só que se chegar no Hotel depois das 17 horas já não consegue separar os cilindros do dia seguinte… Enfim, tem que conhecer as regras de cada dive center e se programar direitinho para aproveitar bem os tais mergulhos ilimitados.

Bonaire_3Em termos de viagem (ainda mais) econômica, falam do Dive Hut, simples  mas com o necessário (ar condicionado, banho quente…), não na frente do mar mas muito bem localizado, ainda vou experimentar. Mas uma outra opção econômica, de ficar no Rincon, um bairro tradicional habitado por nativos, já meio fora do caminho dos dive centers, comércio e pontos de mergulho, é uma ideia que não me agrada.

Ah, essa propaganda de mergulhos super tranquilos… a entrada nem sempre é suave! Mar se mexe! Ás vezes tem ondinha, às vezes tem correnteza… e muitas pedras e corais de fogo. Dá para tomar um belo tombo e se machucar. E a correnteza pode pegar de surpresa às vezes. Mar é sempre mar, tem onda, tem corrente… Tomei um tombo, nem estava mergulhando, já tinha tirado o neoprene, caí em cima de um coral de fogo, não foi muito gostoso. Mas o tombo que deu o maior prejuízo foi o da entrada do Hilma Hooker. Não foi um grande tombo, mas a câmara estava na mão, bateu em alguma coisa e alagou; só vi quando já estava chegando no naufrágio. Não dava mais para subir rápido, tive que subir lentamente, fazer a parada, assistindo aquela aguinha dentro da caixa…

Mas a maioria é bem tranquilo mesmo. A gente vai pegando a manha de equipar no carro e colocar as nadadeiras na água. Só procurar as pedrinhas amarelas, parar o carro, observar a bóia, entrada e a corrente… claro que a cada viagem sempre leio sobre a característica dos pontos.Bonaire_4

O parque Washington Slagbaai reserva bons mergulhos, um pouco diferentes do restante da ilha. Nas duas primeiras viagens não mergulhei lá pois o que se dizia é que os pontos estavam ainda devastados pelo furacão que passou por lá.

Na próxima vez que eu voltar à ilha não me escapará o mergulho embarcado East coast Diving Que leva para o lado desabrigado da ilha, onde as entradas de costa não são possíveis (quer dizer, entrar até dá, passo do gigante, mas voltar…rs…) e, dizem, alguns animais maiores são avistados. Pode ser, porque de resto a ilha não é mesmo habitat dos grandes. Em 2006 eu vi um tubarão na ilha, mas foi só uma vez.

Bonaire_7Como nesta última viagem eramos duas vegetarianas – uma vegana, eu nem tanto – optamos por preparar a maioria das refeições no hotel. O supermercado segue o padrão holandês, tem muita mercadoria europeia e/ou que refletem hábitos europeus e também americanos. Portanto, ficou fácil encontrar orgânicos, sugar free, lactose free, pães de grãos de vários tipos… e também veganos. Levamos para casa tofu e cogumelos, a maioria das refeições foi a base deles, além de creme de amendoin para passar no pão. Quem disse que vegano come mal? O tofu em cubinhos, refogado com bastante cebola e no molho de tomate fez uma ótima macarronada vegetariana. Shitake nem se fala… macarrão com  shitake, batata com shitake… Ervilha, tomates, verduras, deu para variar bastante.

Na rua também não foi difícil, encontramos um excelente sorvete com opções sem lactose e hambúrgueres veganos; não precisamos ficar restritas às saladas. Tomamos conhecimento de um restaurante Ayruveda, porém com horário muito restrito, tipo de 12 as 13 horas. Nem fomos, afinal de férias não dá para ficar tão preso a horário.

Bonaire é bom para comprar equipamentos de mergulho, não tem assim uma variedade infinita, mas para nós brasileiros já vale a pena. Mas não dá para comprar muito mais coisa não, só souvenir. Canecas, camisetas, artesanato. E sal – da última vez trouxe sal.

Então acabo gastando muito pouco em Bonaire. Férias perfeitas. Só falhei em não agendar uma massagem para o último dia – tem vários studios/ spas, nos resorts e fora deles. Mas só agendando.

Ao longo desses anos o que melhorou na ilha foi que agora dá para pagar tudo em dólar – nas duas primeiras vezes que fui era um saco, tinha que ficar trocando dólar pelo dinheiro local no banco no centro da cidade. Outra coisa que melhorou foi a oferta de nitrox, praticamente em todos os dive centers agora é free. A primeira viagem eu fiz sem nitrox e os mergulhos ficaram bem limitados.

O que piorou foi a vida marinha, mas isso parece inevitável no mundo todo.

E uma coisa é certa: vou voltar muitas vezes ainda.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Caixa Estanque – Levando sua câmera para debaixo d’água

housing_h2oCaixa estanque, waterproof housing, waterproof case, estojo para gravações subaquáticas ou blimp, como é conhecida no meio televisivo, refere-se a um equipamento que protege e permite que sua câmera registre imagens debaixo d’água. A caixa estanque possui uma estrutura própria para resistir às altas pressões exercidas pela água durante um mergulho, quanto mais fundo maior esta pressão.

Existem vários modelos de caixas, tanto para câmeras fotográficas quanto para filmadoras. Diferem pelo material que são fabricadas, se possuem controles manuais ou eletrônicos, se são específicas para um determinado modelo, se possuem acessórios e se permitem a instalação de filtros e troca da porta dianteira. Seja qual for o modelo é necessário estar ciente do que cada uma oferece, seja na sua utilização, controles, praticidade, resistência e principalmente na sua manutenção.

Caixa estanque da Croma customizada com domo
Caixa estanque da Croma customizada com domo da Amphibico®

No Brasil, a linha CROMA, fabricada pela Seal Pro  é capaz de produzir caixa estanque para qualquer tipo de câmera. Suas caixas são produzidas em acrílico e oferecem um ótimo custo benefício. A Seal Pro ainda oferece a possibilidade de se customizar a caixa da maneira que o cinegrafista/fotografo necessitar.

Caixa estanque da Croma customizada
Caixa estanque da Croma customizada

As caixas de custo mais elevados são as fabricadas em alumínio, pois aguentam uma maior profundidade e tem teoricamente uma maior durabilidade. Elas podem chegar a custar mais do que o dobro da própria câmera, caso você venha a adquirir os modelos com todos os acessórios. Como regra geral as caixas de alumínio possuem um custo mais elevado e as de acrílico ou PVC possuem um menor custo.

A caixa usada para fotografar surf não serve para mergulho, pois não é feita para resistir a pressões e alguns modelos não oferecem todos os controles necessários, da mesma forma que as caixas para mergulho não são adequadas para fotografar/filmar surf.
Caixa para fotografar surf

Caixa para fotografar surf

Tamanho e peso

Talvez você ainda se lembre do que foi ensinado na escola, o Princípio de Arquimedes: Um corpo imerso num líquido, total ou parcialmente, flutua com uma força igual ao peso do líquido deslocado.  Fica fácil entender a relação tamanho e peso das caixas estanques.

Quanto maior é a caixa, mais água ela desloca e, portanto mais positiva ela será, o que acarretará na necessidade de mais lastro. O que tornará o kit mais pesado fora d’água. Um kit maior e mais pesado pode ser um problema em viagens ou em barcos que não possuem boas acomodações. Todavia, uma caixa grande embaixo d’água é mais fácil de se manter estável, sem deslocamentos indesejáveis, pois a pressão da água contra sua área suavizará os movimentos. Por outro lado, o arrasto produzido por um kit pesado é grande e não deve ser desconsiderado no planejamento do seu mergulho e do tipo de trabalho que estará realizando.

As caixas de alumínio são mais pesadas fora d’água e normalmente mais compactas, o que acarretará na necessidade de menos lastro, pois possuem uma área interna menor e portanto menos ar no seu interior, o que deixará o kit muitas vezes mais leve do que as de acrílico.

Flutuabilidade e equilíbrio

Com a câmera dentro da caixa, a flutuabilidade deve ser próxima do neutro. Uma flutuabilidade mais positiva ou negativa é uma questão de preferência pessoal. Independente da sua preferência, uma caixa não deve tender a levantar a frente ou a traseira, o que acarretará uma fadiga nos seus pulsos durante o mergulho. Se você não consegue manter confortavelmente o seu kit em suas mãos, dificilmente conseguirá ficar estável e obter boas imagens.

Equilíbrio

Kits de câmera com caixa

Alguns fabricantes de câmeras possuem caixas estanques para os seus próprios produtos/modelos, a Intova, GoPro, Canon e Sony são alguns destes. Essas caixas tem uma vantagem de possuírem todos os controles necessários para manusear sua câmera, custo reduzido e normalmente suportam profundidades de até 40 metros, o que atende a uma boa parte dos mergulhadores. Além disso, alguns modelos ainda aceitam lentes conversoras e filtros, possibilitando ótima qualidade de imagem.

Como estas caixas, na sua maioria são fabricadas para digitais compactas, todo o conjunto de câmera e caixa estanque acaba ficando com seu tamanho bem reduzido, o que é uma ótima opção para quem quer proteger sua câmera da água, areia da praia ou lama.
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Este foi um dos motivos da câmera GoPro se tornar tão famosa no mercado e usada nos mais diversos segmentos.

Bolsa Estanque

Existe também no mercado bolsas/sacos estanques, mas deve-se observar que estes não possuem resistência para grandes profundidades. Estas bolsas à prova d’água possibilitam registrar imagens subaquáticas, e em alguns modelos até o movimento da objetiva zoom é permitido. Normalmente seu custo é bem baixo se comparado a uma caixa estanque, por outro lado oferece a limitação da resistência a maiores pressões. Estas bolsas são bem interessantes para serem utilizadas na praia ou sob chuva e ventania.

Ewa-Marine U-A Underwater Housing PVC laminado. Resiste até -20 m
Ewa-Marine U-A Underwater Housing
PVC laminado. Resiste até -20 m

O assunto caixa estanque é extenso, seu uso vai desde simplesmente proteger um equipamento da ação do tempo até o mais avançado uso no cinema. Hoje, graças a tecnologia e a digitalização das imagens, temos caixas para todo tipo de equipamento, facilitando bastante o trabalho de fotógrafos e cinegrafistas, bem diferente das dificuldades dos pioneiros.

Boutan (à esquerda) e suas luzes duplas. Sua câmera é vista na parte superior central.
Boutan (à esquerda) e suas luzes duplas. Sua câmera é vista na parte superior central.

História

  • Há quem credite ao inglês William Thompson a primeira foto subaquática em 1856, embora a câmera tenha se inundado e a foto não tenha saído satisfatória.
  • Em 1893 o biologista francês Louis Boutan obteve fotos subaquáticas que publicou em 1900 no seu livro La Photographie sous-marine et les progrès de la photographie. Para a tomada das fotos Boutan construiu uma caixa estanque que pesou cerca de 200 kg e usou um tempo de exposição de 30 minutos para obter fotos em chapa 5×7″.
  • Em 1927 Charles Martin e William H. Longley obtiveram a primeira fotografia subaquática a cores.
  • Em 1957 Jean De Wouters criou a câmera subaquática Calypso-Phot a pedido de Jacques-Yves Cousteau que passou a ser comercializada no ano de 1961 pela empresa La Spirotechnique. A câmera usava filmes 35mm e suportava profundidade de 50m.
  • Em 1963 a Nippon Kogaku (atualmente Nikon) lança a primeira câmera da linha Nikonos -a Nikonos I– baseada no Calypso-Phot cujos direitos adquiriu. As câmeras Nikonos (também conhecida como Calypso-Nikkor) sucederam-se até 1980, quando foram substituídas por câmeras automatizadas. A linha Nikonos sofreu descontinuidade em 1996.

Artigo publicado originalmente em 2012, atualizado em 2015

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias


Live-aboard no Catamarã Atlantis Voyager – 2010

Pelo quarto ano consecutivo e a pedidos de vários mergulhadores organizamos mais uma expedição pelos melhores naufrágios do nordeste brasileiro, a bordo do catamarã Voyager, um catamarã de 60 pés com toda a infra estrutura necessária para um live-aboard seguro e confortável.

voyager-supO embarque aconteceu no dia 9 de janeiro de 2010, na base da Aquáticos/Atlantis em Recife, que também está totalmente equipada, inclusive para mergulhos técnicos, fazendo suas saídas com o belo e espaçoso catamarã Galileu.

img_4561 img_4503Nossa aventura de 7 dias foi organizada pelo cinegrafista subaquático José Dias com o apoio da Atlantis. Nosso objetivo como sempre era de mergulhar nos naufrágios de Recife (PE) à Maceió (AL) e conhecer o novo naufrágio do rebocador Walsa, afundado propositalmente pela AEMPE – Associação das Empresas de Mergulho do Estado de Pernambuco, juntamente com a empresa Wilson, sons em parceria com as universidades UFPE e UFRPE.

Para conhecer a história do Walsa e de todos os naufrágios que visitamos, vá ao site do biólogo e pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho em Naufrágios do Brasil.

Após a montagem dos equipamentos, Nico, o responsável pela operação realizou o briefing para todos os mergulhadores.

briffingDia 10 – Primeiro dia de mergulho, depois de um ótimo café da manhã, zarpamos para o primeiro mergulho do dia, nada mais nada menos do que o Vapor Bahia. Sem dúvida um dos naufrágios mais bonitos do Brasil. De tão bom fizemos dois mergulhos no mesmo dia.

rap1741 Para fechar o nosso primeiro dia com chave de ouro, fizemos nosso terceiro mergulho, logo após um almoço dos Deuses, preparado pelo Chef Cícero, no Pirapama. Onde o fotógrafo Roberto Palmer pode registrar as tartarugas que fazem a festa dos mergulhadores.

O Pirapama está localizado a 6 milhas da costa, entre Olinda e Recife e é frequentemente visitado pelas operadoras de Recife. Contudo, nos mergulhos que fizemos, tivemos o privilégio de ter esse naufrágio só para nós.

pirapama1 pirapama2jpgO mergulhador Adair Ribeiro realizou o primeiro dia de mergulho com o rebreather Optima, fabricado pela Dive Rite. Infelizmente no último mergulho do dia, ao chegar à superfície foi verificado que o backplate de “plástico” estava quebrado. O backplate é a peça básica onde são fixados todos os outros itens. Para tristeza de Adair, não houve a possibilidade da Dive Rite enviar um novo backplate, este de alumínio, para Recife. Mas com o auxílio do Nico, rapidamente um setup de duplas AL80 foi disponibilizado para o restante da viagem.

Dia 11 – Acordamos cedo e ansiosos para conhecer o Walsa, um reborcador que repousa em posição de navegação aos 40 metros de profundidade. O naufrágio está inteiro, ainda com pouca vida devido ao pouco tempo no fundo, desde 28/05/2009. Ainda é possível ver o nome do rebocador Walsa no costado e na popa. O Walsa é mais uma bela opção para o mergulho técnico.

walsa1_pm walsa2O segundo mergulho do dia foi no naufrágio conhecido como Chata de Noronha. Segundo o que é relatado, esta chata fazia transporte de material entre recife e a Ilha de Fernando de Noronha e que teria naufragado durante uma forte tempestade.

chata2_pm chata1 Após o almoço, realizamos um mergulho no Vapor de Baixo.

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Aproveitamos que ainda estávamos ancorados na base da Aquáticos e antes do jantar fomos passear por Recife. Compramos algumas lembranças para familiares, baterias e pilhas e visitar o Shopping Center Paço Alfândega.

Dia 12 – Depois de prepararmos as misturas de trimix e separarmos as stages para descompressão, partimos em direção ao Vapor dos 48. Este naufrágio, também desconhecido é assim denominado devido a sua profundidade e não por ser seu nome real.

Neste mergulho, pegamos uma leve correnteza, a única em toda a viagem, mas que não impossibilitou em nada desfrutar deste ótimo naufrágio.

Como este mergulho é profundo e no dia seguinte teríamos outro mergulho, ainda mais profundo, fizemos um intervalo de superfície bem longo e finalizamos o dia com um mergulho ao cair da noite no Pirapama.

No retorno, preparamos novas misturas e stages para o naufrágio mais esperado e um dos melhores de Recife, a Corveta Camaquã.

Dia 13 – Eu e o Adair já havíamos feitos alguns mergulhos na corveta, mas confesso que nunca havíamos pego uma condição de mar tão perfeita. A estratégia do Nico em chegarmos ao ponto de mergulho no momento correto do estofo da maré foi perfeita. Nenhuma correnteza, uma visibilidade de 40 metros e uma água por volta de 28º, possibilitou, o que eu considero um dos melhores mergulhos que realizamos naquele naufrágio. A Corveta Camaquã está em uma profundidade de 55 metros e foi possível mesmo nesta profundidade, ver a proa do hélice. Melhor condição impossível!

camaqua camaqua1 Como o retorno à Recife foi cedo, fomos “esticar as pernas” em Olinda.

Dia 14 – O primeiro mergulho do dia foi o rebocador Marte (1998). Este naufrágio artificial está inteiro. Localizado em Serrambi possui bastante vida e é diversão garantida.

Para completar o dia realizamos dois mergulhos no naufrágio do Gonçalo Coelho. Originalmente um navio de desembarque de carros de combate LST (Landing Ship Tank), depois, durante alguns anos realizou o transporte de carga entre Recife e a Ilha de Fernando de Noronha, até que em 1999 afundou próximo ao Marte.

marte gcoelhoLogo após mais um maravilhoso jantar, partimos em direção a Maceió (AL). Uma das noites mais estreladas que me recordo de ter visto.

A previsão era de navegarmos a noite inteira para estarmos no local do nosso próximo mergulho às 7 horas da manhã.

Dia 15 – Navegamos a noite inteira e as 7 da manhã em ponto estávamos sobre o Navelloyde Nº4, conhecido como Sequipe, que só teve sua identificação confirmada em 2007, pelo pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho durante a Expedição de 2007. Este naufrágio encontra-se inteiro a 30 metros de profundidade. Possui um enorme guincho sobre seu casco onde vários cardumes costumam se abrigar.

sequipe1_pm sequipe2_pmApós um belo lanche durante intervalo de superfície zarpamos para mais um mergulho, este no naufrágio do Draguinha. O Draguinha é na realidade a Draga Nº 9, que também foi identificada em 2006 pelo pesquisador Maurício Carvalho.

Depois de um ótimo almoço preparado pelo Chef Cícero, partimos para mergulhar no André Rebouças, conhecido como Dragão.

drag4_pm drag2_pm drag3_pmDurante a navegação para Barra de São Miguel, onde a Atlantis possui sua base, o Adair, moderador do fórum ScubaBR sorteou alguns brindes. Anotamos os nomes de todos os participantes, inclusive da tripulação e chamamos o Nico para sortear os ganhadores. Ele avisou de ante mão: Eu sempre tiro o meu nome. Ninguém acreditou. A foto está abaixo para comprovar.

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Para não corrermos o risco com o Nico, chamamos para o segundo sorteio o chef Cícero, o que não adiantou nada. Tirou o próprio nome! A sorte da tripulação só foi quebrada após mestre Djalma ter sorteado o Paulo Menezes.

Os brindes foram:
T-Shirt ScubaBR – Nico e Paulo Menezes;
Mini-ferramentas – Cícero.

Depois de uma noite navegando e três mergulhos maravilhosos nas águas calmas e quentes de Alagoas, fomos dar uma volta em Barra de São Miguel. Pelo sorriso estampado no rosto de todos, percebe-se que a noite foi divertida.

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Dia 16 – Os dois mergulhos do último dia seriam no Itapagé. Naufrágio com 120 metros de comprimento e que merece muitos mergulhos. Sempre repleto de vida para diversão dos fotógrafos e cinegrafistas.

O Itapagé. é um dos mais belos naufrágios de Alagoas e sua história nos remete a 2º Guerra Mundial, quando foi atingido por dois torpedos lançados pelo U-Boat U-161, afundando na altura da Lagoa Azeda.

itapage1 itapage2 itapage4 itapage5 banho2 ita_pmÉ possível ver várias peças dos caminhões que o navio carregava e muita louça, inclusive uma enorme variedade de garrafas. Os motores a diesel, com 6 metros de altura merecem atenção especial, logo ao lado é possível encontrar máquinas a vapor.

Para finalizar nossa expedição, mestre Djalma nos brindou com um atum fresquinho, que ele mesmo pescou durante a navegação. E como não podia ser diferente, o Chef Cícero, mais uma vez nos surpreendeu.

sashimi ciceroturma_4754E assim finalizamos com chave de ouro nosso live-aboard. Todos felizes com os mergulhos, acomodações, atendimento, segurança, novas amizades e a certeza de que no próximo ano estaremos lá novamente!

TRIPULAÇÃO: Nico, Djalma, Juan, Cícero e Rodrigues.
MERGULHADORES: Adair Ribeiro (São Paulo), Alexandre e José Antonio Alvares (Cuiabá), Rafael, Daniel e Alberto Oda (São Paulo), Paulo Menezes e José Dias (Rio de Janeiro) e Roberto Palmer (Brasília).

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias