As nossas capitais mundiais dos naufrágios

Por Adair Ribeiro

Sempre ouvimos falar de viagens maravilhosas e novos pontos de mergulho a cada dia. Relatos com “indescritíveis” mergulhos feitos ao redor do mundo, sobre visibilidades enormes e temperatura de água acima 27º C e grande vida marinha. Comentários sobre “live aboards” com excelente estrutura, comida deliciosa e operação de mergulho impecável que fazem os diferenciais que todo mergulhador procura na hora da escolha de sua próxima viagem.

Ao contrário do que muitos imaginam, está no Brasil, mais precisamente no Nordeste, uma das melhores regiões de mergulho em naufrágios do mundo. São mais de 150 naufrágios registrados pelo pesquisador Maurício Carvalho, distribuídos pela região. E, para os que exigem operações e estrutura impecáveis, não terão surpresas, pois temos uma das melhores operações de mergulho em naufrágios do mundo!

Além disso, há grande quantidade e diversidade de vida marinha e os mais variados perfis de mergulhos.

Já há alguns anos, sempre no mês de janeiro, o cinegrafista subaquático José Dias reúne um grupo de mergulhadores (as) técnicos, mas sempre com a participação e espaço para mergulhadores recreacionais com experiência comprovada e partimos para uma expedição aos naufrágios do nordeste. Mergulhamos em aproximadamente 20 destes naufrágios.

Já utilizamos, em algumas dessas viagens, o ENTERPRISE, um catamarã de 75’, com oito confortáveis suítes, que atualmente está em operação em Parati e Ilha Grande.

Atualmente, os nossos live aboards são feitos a bordo do charmoso VOYAGER. Um catamarã vela/motor de 60’, todo construído com a finalidade única de proporcionar todo o conforto e estrutura necessária às operações de mergulho, tanto com perfis recreacionais, como para mergulhadores técnicos de todos os níveis.

Voyager_PLANTAUm dos grandes diferenciais destas expedições é a qualidade insuperável da tripulação:

– O experiente Nico, coordenando toda a operação de mergulho, desde a colocação dos mergulhadores na água até a logística de fornecimento de todos os gases necessários aos mergulhos;

– O mestre Rodrigues, que substituiu o mestre Djalma, que se aposentou. Experiente navegador que transmite toda a segurança em nossas navegações, sejam elas durante o dia ou à noite.

– A cada ano, temos um dive master/safety diver, responsável pela amarração da boia nos naufrágios e segurança dos mergulhadores na água. Já contamos com o profissionalismo do Henrique Maranhão, Nascimento (PQD), Juarez, Nilo e o Marcel do Espírito Santo, entre outros. Todos sempre atenciosos e simpáticos.

All Rights Reserved / Todos os Direitos Reservados. Proibido a reprodução sem autorização por escrito dos autores. Todos os textos e fotos estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais nº 9.610, de 19.02.98.
Chef Cícero Foto © Paulo Menezes

No comando da cozinha, uma das atrações à parte da expedição, temos as delícias preparadas pelo Chef Cícero, vindo de Noronha. É impossível resistir aos famosos bolos de chocolate e pães de queijo nos intervalos dos mergulhos. As saborosas e diversas refeições realizadas ao longo do dia nos deixam com pelo menos 2 kg a mais ao final da viagem.

Mergulhadores de várias partes do Brasil já tiveram a oportunidade de se reunir nestas expedições e conhecer de perto as maravilhas de nossos naufrágios e a grande diversidade de nossa vida marinha.

Já mergulhamos desde as agitadas águas do Rio Grande do Norte, conhecendo as maravilhas e a história dos naufrágios São Luis e Comandante Pessoa; e descobrindo os mistérios da Risca do Zumbi e Batente das Agulhas, que segundo a opinião do geólogo e mergulhador Cláudio Couto, que já participou de nossas expedições, seriam:


“ Arenitos de praia submersos, também conhecidos como recifes inorgânicos, ou seja, areias de praia cimentadas pela precipitação de carbonato de cálcio da água do mar. Agora, uma coisa é entender como as rochas se formaram, outra, seria saber como a erosão produziu aquelas formas (colunas e buracos) que vimos nos nossos mergulhos. Não encontrei nada na literatura científica sobre a erosão que produziu essas formas inusitadas do relevo submarino. Mas uma erosão forte normalmente acontece com exposição aérea. Ou seja, nos seus avanços e recuos cíclicos, o nível do mar deve ter deixado tais rochas expostas e a ação do vento, chuva, rios e etc fizeram seu trabalho. As partes mais resistentes ou mais cimentadas sobrevivem mais e ficam como um registro da história do planeta.”


De Natal, após navegação nem sempre muito tranquila para os mais novatos, já descobrimos as maravilhas dos mares da Paraíba. Do pequeno naufrágio Alvarenga ao vapor Queimado (Erie).

Em Pernambuco, a conhecida capital brasileira dos naufrágios, e uma das capitais mundiais dos naufrágios, não nos cansamos de filmar e fotografar toda a exuberância de moreias, arraias, tartarugas, cardumes de enxadas, meros, cardumes de piragicas gigantes, barracudas, pampos, xaréus, cirurgiões, peixes de passagem, lambarus enormes e toda a vida marinha que habita os seus naufrágios.

All Rights Reserved / Todos os Direitos Reservados. Proibido a reprodução sem autorização por escrito dos autores. Todos os textos e fotos estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais nº 9.610, de 19.02.98.
Vapor Bahia Foto © Roberto Palmer

Da majestade do Vapor Bahia às profundezas da Corveta Camaquã e Vapor dos 48, da história do Pirapama aos rebocadores Flórida, Mercurius, Marte e o Servemar I, do não identificado Vapor de Baixo ao polêmico Gonçalo Coelho, das dragas Dragão (que o biólogo e pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho, em uma das expedições, identificou como André Rebouças) e Draguinha, às chatas Sequipe e chata de Noronha, do recente naufrágio artificial Walsa aos tantos outros naufrágios da região, não nos cansamos de efetuar, a cada ano, mergulhos e mais mergulhos.

All Rights Reserved / Todos os Direitos Reservados. Proibido a reprodução sem autorização por escrito dos autores. Todos os textos e fotos estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais nº 9.610, de 19.02.98.
Carlão Foto © Paulo Menezes

Em Alagoas, o Itapagé, um dos mais belos naufrágios do Brasil e do mundo, com sua história nos remetendo à 2º Guerra Mundial, quando foi atingido por dois torpedos lançados pelo U-Boat U-161, afundando na altura da Lagoa Azeda. Meu primeiro mergulho neste naufrágio foi em 1989, saindo da Barra de São Miguel, a bordo de uma “janga”, pequena embarcação típica de Alagoas. E, não nos cansamos de dizer que em uma única expedição – uma semana de mergulhos, com aproximadamente 18 mergulhos – não seria suficiente para conhece toda a grandeza do Itapagé.

Em cada imersão, uma nova descoberta, novas imagens e novas emoções que atraem a atenção dos mergulhadores, dos fotógrafos e cinegrafistas de plantão. Noturnos incríveis que nos mostram uma exuberante e diferente fauna marinha que habitam os naufrágios longe da luz do sol.

Como já tive a sorte de conhecer, em duas expedições, o sonho de consumo de 10 em cada 10 mergulhadores de naufrágios – TRUK LAGOON – e já ter mergulhado em vários dos naufrágios existentes na Flórida e no Caribe, não tenho receio de fazer uma comparação que pode deixar muita gente perplexa: Os nossos mergulhos no nordeste não deixam nada a desejar para lugar nenhum do mundo.

As águas com temperaturas médias de 28ºC, visibilidade de 20-30 metros, uma vida marinha rica e diversificada, fazem a alegria dos mergulhadores, principalmente, para os amantes de naufrágios e para os mergulhadores que não abrem mão de uma operação segura e estruturada em saídas técnicas. Com disponibilidade de vários tipos de misturas, inclusive trimix e com facilidades para mergulhadores de rebreather.

All Rights Reserved / Todos os Direitos Reservados. Proibido a reprodução sem autorização por escrito dos autores. Todos os textos e fotos estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais nº 9.610, de 19.02.98.
Marte Foto © Roberto Palmer

Isto é o que encontramos aqui bem perto, sem precisar sair do Brasil e com a qualidade que todo mergulhador deseja!

E como se não bastasse, ainda temos as belezas de Recife, Olinda, Maceió, Itamaracá, Jacaré e tantos outros lugares que visitamos nas nossas expedições, seja para tomar uma “gelada” ou somente para esticar as pernas. Tudo isso completa o melhor live-aboard do Brasil.

Dicas para um melhor aproveitamento na expedição:

– Certificação: Mergulhador Avançado, Nitrox e de Naufrágios com preferência para Nitrox Avançado e acima.

Para maiores informações sobre naufrágios existentes no Brasil, consultar: www.naufragiosdobrasil.com.br.

Se quiser receber informações das expedições aos naufrágios do nordeste. Preencha o formulário abaixo.


Expedição Rebreather

No ano de 2012 realizamos o 1º Live aboard exclusivo para mergulhadores de rebreather no Brasil a bordo do catamarã Atlantis Voyager.
Participaram os mergulhadores: Adair Ribeiro, André Domingues, Carlos Janovitch e José Maurício Rodrigues.

Voyager Foto © Roberto Palmer
Voyager
Foto © Roberto Palmer


O Voyager é um motor-sailer de 60 pés para até 10 passageiros.
Ele foi construído especialmente para alcançar pontos remotos e entrar em lugares de difícil acesso (calado = 1,40m).
Acomodações:
– 2 cabines com cama de casal na proa.
– 4 cabines com 2 camas (beliche) nos corredores.
– 2 banheiros com chuveiro (1 em cada casco).
Ficha técnica:
Fabricação: Dolphin Catamarans (2004)
Motorsailer / catamarã 60 pés (18,00m x 8,30m).
Tripulação: 4.
Vel. max: 18 nos / Vel. trab.: 11 nos
2 motores inboard 6cil / 170 HP / Mercedes Benz
Óleo: 2700 lts / Água: 2500 lts
Ar condicionado / 2 Geradores Kohler / Dessalinizador
Cozinha externa
2 Compressores

Voyager_PLANTAPara conhecer a história dos naufrágios que iremos mergulhar, vá ao site do biólogo e pesquisador de naufrágios Maurício Carvalho em Naufrágios do Brasil.

Veja algumas fotos do que rolou no nosso live aboard no Voyager em 2012.


dada1 dada2 grupo3 grupo4 andre1 rb grupo_2 grupo_1 grupo6

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

Live-aboard no Catamarã Atlantis Enterprise

Pelo terceiro ano consecutivo mergulhamos pelos naufrágios e por alguns outros pontos interessantes do nordeste brasileiro. Em 2008 e 2009, essa aventura aconteceu a bordo do confortabilíssimo Catamarã Enterprise.

Em 10 de janeiro de 2009, sob o calor de Recife embarcamos em uma viagem de 7 dias organizada pelo cinegrafista subaquático José Dias com o apoio da Atlantis. Nosso objetivo: mergulhar nos naufrágios de Recife (PE) e Maceió (AL), muita descontração e alegria. Além do 1º Curso de Vídeo Sub a bordo do Enterprise.

O ponto de encontro dos 10 mergulhadores foi o Porto de Recife, no Marco Zero. Vindos dos Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo nosso grupo foi recebido pelos 7 tripulantes altamente qualificados da bela embarcação.

Como de costume, montamos os equipamentos de mergulho no fim do dia, logo após o briefing e o cocktail de boas vindas.

No primeiro dia de mergulho partimos ainda cedo, logo após o café da manhã e às 10:00 horas já estávamos na água mergulhando no Reboque Flórida.

Florida-(9)Depois de um pequeno lanche para acompanhar o intervalo de superfície, estávamos pronto para o segundo mergulho do dia, Servemar I.

Depois de um ótimo almoço, preparado pelo Chef Ítalo Sales e de um bom descanso, fomos para o nosso terceiro mergulho do dia no Vapor de Baixo.

Com uma água com mais de 20 metros de visibilidade e 27º de temperatura, fizemos um mergulho de 45 minutos neste naufrágio, que embora pequeno, oferece a rara possibilidade de se observar um vapor com as suas duas rodas de propulsão ainda na posição de uso.

Vapor-de-Baixo-1o-(33) Servemar-(6)Acordamos cedo para o nosso segundo dia de mergulho, que começaria no Vapor Bahia. O Bahia dispensa qualquer comentário, um dos naufrágios mais bonitos e curiosos, principalmente pela sua trágica história de colisão com o Pirapama. Realizamos dois mergulhos com aproximadamente 60 minutos cada.

Vapor-Bahia-1o-(4) Vapor-Bahia-1o Vapor-Bahia-1o-(3)

Depois de um magnífico almoço e um bom descanso partimos em direção ao Porto de Recife. No caminho, ao cair da tarde, um mergulho no Pirapama.

O Pirapama está localizado a 6 milhas da costa, entre Olinda e Recife e é frequentemente visitado pelas operadoras de Recife. Contudo, nos mergulhos que fizemos, tivemos o privilégio de ter esse naufrágio só para nós.

Depois de ancorarmos no Porto de Recife para o pernoite e de nos deliciarmos com o jantar, o grupo se espalhou por passeios em Recife. Todos retornaram cedo ao Enterprise, pois no dia seguinte começariam os mergulhos mais profundos e um bom descanso com uma boa noite de sono cairia muito bem.

Acordamos e tomamos nosso café da manhã partindo para o Vapor dos 48. Este vapor é assim denominado devido a sua profundidade e não por ser seu nome real. Como vários naufrágios de Recife, sua origem também é desconhecida.

Vapor-dos-48-(31)No Vapor dos 48 foram usadas misturas gasosas para garantir a segurança e podermos desfrutar ao máximo este lindo naufrágio.

No retorno, fizemos um segundo mergulho no Vapor de Baixo.

Seguindo com os mergulhos profundos, chegou a hora do naufrágio mais esperado e um dos melhores de Recife. A Corveta Camaquã

A Corveta Camaquã foi ao fundo devido às péssimas condições de mar. Hoje, as cargas de profundidade usadas para combater os submarinos do eixo na 2ª Guerra Mundial estão espalhadas pelo fundo próximo da popa e continuam intactas.

A Corveta Camaquã está a 55 metros de profundidade apoiada no fundo de areia pelo bordo de boreste. Seu estado de conservação é perfeito, embora as chapas internas já estejam bastantes fragilizadas.

Depois de um mergulho profundo realizado com absoluto sucesso, só nos restava retornar a Recife para o pernoite. Isso seria o normal em qualquer operação de mergulho, mas não no Enterprise. Encerrarmos o dia com mais um mergulho no maravilhoso Pirapama.

Nossa estada em Recife estava chegando ao fim e, portanto, resolvemos encerrar o dia visitando Olinda.

Na manhã seguinte, ainda muito cedo partimos para Serrambi para mergulharmos no Rebocador Marte. O Marte é um naufrágio artificial criado em 1998.

Marte-(16) Marte-(17)

Saimos do Marte para realizarmos dois mergulhos no naufrágio do Gonçalo Coelho.

O Gonçalo Coelho era um navio de desembarque de carros de combate LST (Landing Ship Tank). Após a 2ª Guerra Mundial foi reformado para outros serviços. Fez durante alguns anos o transporte de carga entre Recife e Fernando de Noronha. Com o intuito de servir de recife artificial foi afundado em 1999.

Goncalo-Coelho-2o-(16)

Depois de dois maravilhosos mergulhos no Gonçalo Coelho, zarpamos em direção a Alagoas. Nossa navegação duraria a noite toda e a previsão era de que no dia seguinte, amanhecêssemos em cima do naufrágio do Dragão – André Rebouças.

102_0284 102_0272

Embora tenha naufragado em 1927, este naufrágio só foi identificado em janeiro de 2006, pelo pesquisador e biólogo Maurício Carvalho, na expedição a bordo do Catamarã Voyager. O nome correto deste naufrágio é André Rebouças.

Depois de uma hora de mergulho e um lanche para acompanhar o intervalo de superfície, partimos para o segundo mergulho do dia no Draguinha. O Draguinha é na realidade a Draga Nº 9. Foi identificada também em 2006 pelo pesquisador Maurício Carvalho. O tempo em Alagoas estava nublado e com uma chuva fina, mas o mar estava totalmente parado.

Nosso terceiro mergulho do dia foi no naufrágio do Sequipe, uma chata cujo nome correto é Novelloyde Nº 4. Este naufrágio encontra-se inteiro a 30 metros de profundidade. Possui um enorme guincho sobre seu casco onde vários cardumes costumam se abrigar.

Nosso último dia de mergulho! Para fecharmos com chave de ouro, 120 metros de naufrágio. O Itapagé é um dos mais belos naufrágios de Alagoas e sua história nos remete a 2º Guerra Mundial, quando foi atingido por dois torpedos lançados pelo U-Boat U-161, afundando na altura da Lagoa Azeda.

Itapage-1o-(10) Itapage-1o-(13) Itapage-1o-(44)

É possível ver várias peças dos caminhões que o navio carregava e muita louça, inclusive uma enorme variedade de garrafas. Os motores a diesel, com 6 metros de altura merecem atenção especial, logo ao lado é possível encontrar máquinas a vapor.

Enterprise_2009-072TRIPULAÇÃO: Nico, Djalma, Jacson, Bruno Noronha, Ítalo, Luciana e Edilka.
MERGULHADORES:
Adair Ribeiro, Carlos Augusto Bruno, Cláudio Couto, Consuelo Magalhães, Renzo Martins, Eduardo Tellechea, Pedro Máximo, Vivian Szterling, Maurício Carvalho e Jose Dias.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias