Com Nautilus Lifeline regitrado, protagonista de Mar Aberto nunca mais.

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Ok, o filme Mar Aberto é horrível. Mas a inspiração para o filme foi um fato real e coisas assim acontecem mesmo. É um pesadelo recorrente entre mergulhadores – emergir longe da vista do barco e não conseguir voltar. Todo mergulhador experiente provavelmente já passou por um sufoquinho de estar um pouco longe do barco enfrentando ondas e correnteza e percebeu como isso pode se tornar complicado. Neblina, ondas altas, estar atrás de uma ilha, correnteza afastar rápido demais ou o barco simplesmente ter ido embora… neblinaNão são incomuns os mergulhadores “deixados para trás”. Acompanhei algumas histórias recentes, algumas resultando no pior. Aqui dois exemplos:

http://www.deweyhammond.com/travel/lost-in-the-carribean-sea

http://edition.cnn.com/2014/02/17/travel/bali-divers-search/

Como tenho planejado viagens para locais mais remotos, como Revillagigedo (onde fui recentemente), Galápagos, Indonésia etc, a preocupação em não ser protagonista de um filme horrível como Mar Aberto cresceu.IMG_3644_h2o

Enfim, numa das minhas viagens aos EUA para adquirir equipamento Tech, comprei um Nautilus Lifeline – rádio marítimo com GPS à prova d´água que permite a comunicação do mergulhador com qualquer embarcação próxima, e até com os serviços de emergência locais (guarda costeira, bombeiros etc).

Já havia sido informada que no Brasil não era possível registrar o rádio e obter o tal número MMSI (Maritime Mobile Service Identity), pois a ANATEL só daria esse registro para rádio em embarcações, mas que isso só impediria de usar o botão vermelho. O rádio tem três botões, verde, laranja e vermelho. O vermelho é o sinal de socorro; se apertar este botão, sua posição em GPS é enviada para todos as embarcações num raio de até 55 Km, além da guarda costeira.

Não sei se este botão é absolutamente necessário, já que o verde permite conversar com qualquer barco próximo (vem ajustado para o canal 68) e o laranja é o canal de socorro internacional, o canal 16.  Mas como somente nesta função a posição em GPS é enviada automaticamente, me pareceu prudente ativá-la.

Quando comprei, em julho de 2014, a notícia era que no Brasil não era possível registrar um rádio sem estar atrelado a uma embarcação. Conheci algumas pessoas que tinham o rádio e nenhuma delas tinha registrado. Até que recebi a notícia que um conhecido de um amigo tinha conseguido registrar. Que tinha sido difícil demorou e tal, mas não consegui receber informação sobre o processo.

Como boa funcionária pública, estou acostumada a lidar com burocracia e a ter paciência. Então não me intimidei.

Busquei no site da ANATEL o procedimento para registro de rádio marítimo.

Bom, como o site vive mudando, a busca foi mais ou menos assim: serviço regulado  – outorga – serviço móvel marítimo.

Aqui o texto que encontrei na página.

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Bom, tudo muito bem explicado, menos a parte do rádio não estar ligado a uma embarcação.

Vantagem de morar numa capital, preenchi previamente o formulário e fui na sede da ANATEL, no endereço:  Praça XV de novembro, 20, 9 andar. É o prédio da antiga bolsa de valores, e a entrada é pela rua do Mercado, pelo subsolo.

Cada capital tem uma sala do cidadão (vi em consumidor, canais de atendimento). Reproduzo a página abaixo.

Clique para visitar a página
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Aqui a placa com o horário de atendimento.
placa_anatel

Sugiro ir no horário em que os dois tipos de atendimento estão funcionando, o protocolo e o atendimento ao público.

Cheguei lá com  o formulário parcialmente preenchido, pois não sabia como preencher os campos de informação da embarcação e outros detalhes do rádio.

Expliquei para a moça do protocolo, que sabia vagamente algo sobre o assunto e chamou um rapaz que poderia me ajudar. De fato, veio me atender um rapaz que sabia do caso (aparentemente trabalhou na regulamentação) e me ajudou a completar o formulário, e anexou a homologação do Nautilus Lifeline ao meu processo. Soube então que este rádio já está homologado na ANATEL.

Aqui as duas páginas do formulário:

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Dei entrada com a moça do protocolo, que me deu um número para acompanhar pela internet. A previsão seria de duas semanas para receber os boletos.

Eis que,  uma semana depois, recebo a correspondência.

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Clique para ampliar

O que parecia estar resolvido de repente não estava, pediram os dados da embarcação.

Fui pessoalmente de novo, encontrei a mesma moça no protocolo, mencionei o problema e pedi para falar com o mesmo rapaz, e logo fui atendida.

Ele pegou meu processo e logo detectou o problema, um dos campos do formulário não havia sido preenchido – e então o preenchemos com uma informação do tipo “equipamento para salvamento de mergulhador”, pode ser qualquer descrição que deixe claro que não é equipamento para barco e sim para mergulhador.
Feito, o processo seguiu, 15 dias depois recebo os boletos para pagamento, com um prazo de vencimento bem longo.

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boleto2h2oboleto3h2o

 

 

 

 

Paguei um pouco antes do prazo, para não atrasar muito o processo.

Uma semana depois de pagas as taxas, recebo em casa a licença e o número MMSI.

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Clique para ampliar

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Já havia instalado o “desktop software” do Nautilus Lifeline no meu PC, necessário para fazer atualizações e o registro. Conectei o radinho ao PC e segui os procedimentos. Pronto, rádio registrado! Menos de dois meses para o processo todo. Pode ser menos de um mês, se não houver pendência e se o pagamento for imediato.

De qualquer forma, espero nunca precisar usar o botão vermelho…

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.


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Publicado por

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

2 thoughts on “Com Nautilus Lifeline regitrado, protagonista de Mar Aberto nunca mais.”

  1. Vou dar aqui meu depoimento, mesmo que meio ‘Barrichello mode on’… 😉

    Conheci o aparelho em 2012 no Spirit of Freedom, liveaboard na Barreira de Corais, Austrália. Posteriormente comprei uma unidade em Paris, onde estive por uns dias antes de uma viagem ao Mar Vermelho. Consegui rapidamente o MMSI online, registrando-o na Inglaterra, onde não existe a restrição (não era possível fazer o registro na França). Posteriormente a Nautilus mudou o modelo, como se sabe, e o novo aparelho não tem mais o componente de rádio, mantendo apenas o envio da posição (o antigo botão vermelho é o único que restou).

    Recentemente, em Margate, África do Sul, o operador de mergulho tinha algumas unidades do modelo antigo em estoque, e aproveitei para comprar mais um, que já veio com MMSI ativado nos EUA, e vendi o meu antigo para um colega.

    É incrível que tenham removido a função mais usada do aparelho, que era o rádio marítimo, e deixado apenas a função de PLB (personal location beacon). A razão alegada é que o aparelho era muito difícil de registrar, restringindo sua venda a países onde não é exigido o registro vinculado a uma embarcação. Isto impedia sua venda em quase toda a Europa, principal mercado. Pena, pois este equipamento deveria ser item obrigatório para todo mergulho no mar.

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