Dicas sobre Noronha para marinheiros de primeira viagem

Estas dicas são bem pessoais, um guiazinho mesmo, preparei para amigos e resolvi publicar, especialmente para quem está indo pela primeira vez, mergulhador ou não. Na segunda vez você já não vai precisar de dica nenhuma!

Caso ainda não tenha planejado a viagem, minha sugestão é estende-la o máximo que puder. É caro mesmo, mas vale a pena. Eu escolho não pensar muito em quanto a viagem está custando… e curtir o paraíso.

  • Tem pousada para todos os bolsos, quer dizer quase todos, já que nada em Noronha é barato. Antigamente as pousadas domiciliares eram conhecidas pela precariedade, mas esta realidade mudou. Hoje há uma maior profissionalização e mesmo nas pousadas mais simples é possível ter conforto suficiente para não estragar a estadia. Minha sugestão é ficar onde dê para ir a pé (sem andar demais) até a Praça Flamboyant e a Vila dos Remédios.  Ali pela Vila dos Remédios, Floresta Nova, Floresta Velha, Vila dos Trinta.
    Pode ver aqui: http://www.ilhadenoronha.com.br/pt/index.php
Todos os direitos reservados © Monica Di Masi
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  • A pousada deve ter transfer mas de qualquer forma os táxis não são caros e têm preço tabelado. Pegadinha de algumas pousadas: dizem oferecer o transfer, mas este está atrelado à compra posterior de algum passeio.  Se não comprar o passeio, na hora de ir embora da ilha não terá o transfer. Os únicos “passeios” que acho válidos são o planasub e a trilha do Capim Açu (a do Atalaia é discutível…). De resto não precisa de guia para nada. Não ter transfer não chega a ser nenhum problema, pois o custo do táxi não é o problema da viagem.
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  • Pague a taxa de preservação pela internet pelo menos dois dias antes de viajar e leve impresso. Tem a TPA e tem a taxa de entrada do parque, as duas podem pagar pela internet. Mas só a TPA tem que ser apresentada no aeroporto, e a taxa do parque tem que ser trocada pela carteirinha na ilha. O pagamento da TPA pode ser feito antecipadamente através do site do governo http://www.noronha.pe.gov.br/
    A taxa do ingresso do Parque Nacional Marinho Fernando de Noronha é de R$ 89,00 para brasileiros e R$ 178,00 para estrangeiros. Este ingresso, válido por 10 dias, dá ao visitante o direito de acessar todas as áreas deste Parque Nacional destinadas ao uso público. Os ingressos podem ser comprados pelo site https://www.parnanoronha.com.br.
Guia Turístico de Fernando de Noronha
Guia Turístico de Fernando de Noronha
  • Como os voos chegam sempre à tarde, vá até a Praia do Cachorro – essa praia é bem no centro, dessa praia dá para ir até a Praia do Meio e a Praia da Conceição; entre a do Cachorro e a Praia do Meio tem um bar, é um lugar bom para ver o primeiro por do sol na ilha.

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  • Faça logo no dia que chegar a carteira para entrada no parque, no meio da Praça Flamboyant tem um quiosque onde faz e sempre ande com a carteira. Meu programa de primeiro dia costuma ser: pegar a carteira do parque, ir a uma praia ali pelo centro e passar na Atlantis (nossa operadora de mergulho do coração). Passe na loja logo no dia que chegar quando estiver voltando do por do sol (fica bem na Vila dos Remédios) para programar o batismo ou os mergulhos se já credenciado
  • Só existem duas companhias aéreas fazendo voos para Fernando de Noronha, a Gol e a Azul. Os voos saem de Natal ou Recife.
Todos os direitos reservados © José Dias
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  • Os táxis são confiáveis e o preço das corridas tabelado (veja o link), pode pedir táxi na NORTAX – Associação Noronhense de Taxistas, pelo telefone (81) 36191314; as pessoas na ilha são confiáveis. Dá para se locomover bem na ilha com ônibus – custa R$ 3,00, é seguro e leva perto de todas as praias, não tão perto quanto carro ou táxis levam, mas é perfeitamente possível a caminhada. Também é comum pegar carona na volta das praias, isso é normal.  Para sair dos locais de passeio de táxi é um pouco mais complicado, mas dá para chamar por telefone ou deixar agendado um horário. De qualquer forma não estará muito longe da estrada e do ônibus em nenhum ponto da ilha (com exceção da trilha do Capim Açu, mas esta tem que fazer com guia mesmo), que será sempre uma opção.
  • Ilhatur: dura umas 8 horas, acho que não vale a pena, principalmente se a ideia é alugar buggy. A ilha é muito simples de entender e circular, está razoavelmente bem sinalizada. De qualquer forma, se optar pelo Ilhatur, só faz algum sentido se for no primeiro dia (dia seguinte ao da chegada). Eu prefiro já usar este dia para mergulhar.
  • Programas de índio na minha opinião: Praia do Atalaia e sair de madrugada para a Baia dos Golfinhos – tem que pagar um guia, tem fila, e não se perde nada não indo. No Atalaia depois de horas de fila só pode ficar 20 minutos com um fiscal do IBAMA te enchendo o saco para não encostar em nada. Na Baia dos Golfinhos os bichos nem sempre aparecem ou aparecem só de longe. Vá no mirante outra hora do dia.
  • Programa que todo mundo diz que é legal mas eu nunca senti vontade de fazer na ilha: palestra do IBAMA, tem todas as noites. De qualquer forma, vale dar uma parada na lojinha do TAMAR em algum horário. Bom para levar algum souvenir.
  • No segundo ou terceiro dia: para quem não mergulha, batismo de mergulho – sugiro a Atlantis –  Vá logo, pode dar vontade de mergulhar outras vezes. Para quem mergulha: já chegou na ilha com mergulho agendado para todos os dias, com certeza. As saídas são cedo, o carro da operadora pega e devolve na pousada sem custo adicional, estará de volta antes do almoço. Dá para mergulhar todos os dias e ainda aproveitar bem a ilha.  Tem saída à tarde também, mas eu acho que deixa o dia meio comprometido. Tem noturno segunda, quarta e sexta, para os viciados em mergulho vale a pena.
Todos os direitos reservados © José Dias
  • Planasub (“snorkel” a reboque de uma lancha) é muito legal também.  Atenção quem  estará  praticando mergulho autônomo: Doença Descompressiva é uma questão real aqui… o sobe e desce rápido do planasub pode bagunçar eventuais bolhinhas no seu corpo. Não será o primeiro… Não acho tão legal o barco com fundo de vidro, é claustrofóbico e ruim para quem enjoa. Mas para quem não quer se molhar pode ser uma opção.
  • Há uma operadora nova trabalhando com mergulho autônomo de praia – permite visitar o naufrágio do Porto que é bem legal.
  • Duas praias imperdíveis pela beleza: Sancho e Praia do Leão. As duas tem uma caminhada para chegar, mas são muito especiais. A  praia do Sueste é fácil de chegar (chega de carro ou ônibus) e mansinha, mas eu nem gosto tanto. Essas praias ficam dentro do “parque” e existe uma estrutura com quiosque, banheiro e é necessário apresentar a carteira do parque na entrada.
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  • Por do sol: Mirante do Boldró (onde tem um bar e toca o bolero de Ravel) eu acho chato, é badalado, bom para quem quer ver o movimento, mas também tem vários pontos nesse mesmo lado da ilha onde dá para ver o por do sol. Também é legal na praia Cacimba do Padre.
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  • O Forte dos Remédios é legal de visitar, bom para o fim de tarde também.
  • Vá a todas as praias – Cachorro, Conceição, Meio, dos Ingleses, Boldró, Cacimba, Sancho, Sueste, Leão… algumas são “ligadas” e dá para ir andando de uma para a outra; deixe alguns dias para repetir o que gostou mais. Eu pessoalmente gosto muito da Cacimba do Padre, pena que colocaram umas barracas, nada a ver…
  • Tem trilhas mais pesadas para quem gosta, eu fiz uma de 10 km, a trilha do Capim  Açu que é a do farol voltando pelas pedras e terminando na Praia do Leão, mas essa tem que ir com guia. Pode ser um  programa para o ultimo dia, sem mergulho.  Subir no Morro do Pico está proibido, infelizmente.
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  • No ultimo dia, como o voo é sempre à tarde, e melhor ainda se pegar o último horário, ainda dá para curtir uma praia.
  • Reserve um dia para almoço tardio/ fim de tarde no Restaurante Mergulhão, no porto – é meio (bem) caro, melhor ficar nos belisquetes. A vista é linda, não cansa. Vai dar vontade de ir mais vezes.
  • Os restaurantes das pousadas Maravilha e Zé Maria são chiques mas muito caros. Geralmente quem vai reclama que o preço não vale. Nunca fui. O restaurante da pousada Teju Açu é elogiado, eu fui só para a sobremesa.
  • Para refeições corriqueiras: Empório São Miguel  e Flamboyant (quilo) – este último, no meio da Praça Flamboyant, é onde todo mundo vai, mas o primeiro, quase em frente, é bem melhor, tanto que os locais frequentam.
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  • Para a noite sem gastar muito, Pizzaria na Moita (na BR em direção ao Porto, dá para ir a pé da Praça Flamboyant) – bom e barato; lanche no Açaí da Vila (onde tem o Mundo Verde, no “alto”, Floresta Nova, perto da escola) – tem açaí, tapioca, sanduíches bem feitos, é point dos surfistas. Eu amo comer o açaí Noronha, metade açaí e metade creme de cupuaçu.
  • Restaurante simples: tipo arroz, feijão e peixe: tem um na vila dos remédios decente, o Jacaré.
  • Noitada só bem depois da meia noite, na Vila dos Remédios: Bar do Cachorro e pizzaria ao lado da igreja (ou é forró, ou reggae, ou samba). Como sempre estou mergulhando todos os dias, não sou frequentadora… poderia começar mais cedo, né?
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  • A ilha tem banco Santander, Bradesco e tem caixa do Banco do Brasil no correio; praticamente todos os bares e restaurantes tem máquina de cartão, embora a conexão seja ruim. Alguns bares de praia não aceitam cartão, por não terem conexão.
  • Tem mercado (para comprar água, por exemplo), farmácia, etc mas presta atenção no horário de funcionamento, domingo fecha, etc. O preço não é o do continente, o que já é de se esperar.
  • Boné, filtro solar e água, sempre!
  • Muita disposição para andar no sol, nas ruas esburacadas e pirambeiras. Às vezes falta água na ilha. Mas nada apaga o brilho de Noronha.
  • Esqueça o salto alto!
  • Interaja com o povo da ilha. São simpaticíssimos. E assista o filme “Sangue Azul” antes de ir, vai dar uma outra visão da ilha.

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  • O melhor da ilha está embaixo da água. Não perca. Se não mergulha, faça logo o batismo e porque não o curso básico na ilha. Quem foi a Noronha e não mergulhou viu só um pedacinho. Dica para os iniciantes no mergulho: respire sempre, respire com calma. Aconteça o que acontecer, mantenha a respiração calma.  Tem arraia, tartaruga, moreia, tubarão, tubarão, tubarão…
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  • A internet é uma bosta, o sinal de telefone some… mas você vai esquecer disso!
    Em 2017 fiz uma atualização das dicas. Dá uma lida clicando aqui.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.