Cilindros para mergulho

Vez por outra precisamos de informações sobre peso, capacidade etc. dos cilindros. Neste artigo, que pretende ajudar na pesquisa, juntei algumas informações. Na lista abaixo estão os principais cilindros que são usados no mundo do mergulho.
As informações a seguir foram recolhidas a partir de uma variedade de fontes, incluindo os fabricantes Luxfer, Catalina, os antigos Pressed Steel Tank (PST) e OMS e mais alguns manuais e sites especializados.
Você deve, antes de planejar qualquer uso destas informações apresentadas, confirma-las com os fabricantes. Lembre-se, é de sua responsabilidade o planejamento dos seus mergulhos.

Mas antes de sair por ai solicitando o cilindro A ou B, você sabe “ler” as informações contidas nos cilindros?
Abaixo as informações dos cilindros de alumínio LUXFER.luxfer_markingsmarcas_luxferAs marcações diferenciam um pouco de fabricante para fabricante e de cilindros de alumínio para os de aço, mas as informações básicas são as mesmas. No final desta matéria existem links em que você poderá se aprofundar mais nas especificações técnicas de alguns fabricantes.

As principais informações para a maioria dos mergulhadores são:

Peso total do cilindro – cilindros enormes e pesados, incompatíveis com o tamanho dos mergulhadores (as) não são uma boa ideia;

Flutuabilidade do cilindro vazio – isto afeta a quantidade de lastro que você terá que adicionar para compensar a flutuação do cilindro vazio;

Flutuabilidade do cilindro cheio – dá uma diretriz para a quantidade de lastro que você precisará para afundar no início do mergulho;

Quantidade de ar – escolher o cilindro correto para o uso que deseja e a capacidade que necessita.

Cilindros LUXFER de alumínio (unidade métrica)
info_luxfer* na água salgada e com válvula


aco_imperial al_imperial* Pesos vazios não incluem válvulas (exceto Pressed Steel e OMS), acrescentar 0,5/1,0 Kilo.

alum_cilindrosA matemática – quantidade de ar
Sempre falei para os meus alunos que aprender a mergulhar não era difícil, o que atrapalhava era a matemática! Para relembrar, vou deixar a “matemática” abaixo.

A formula que determina a quantidade de ar no cilindro é:
Q = pressão de trabalho em atm X volume hidrostático em litros.
Lembre-se que estes dados são apresentados em cilindros brasileiros e europeus.

Nos americanos, que são os mais usados, são apresentadas as informações de pressão de trabalho e a quantidade de ar em pés cúbicos, na pressão de trabalho. Sendo necessário fazer a conversão: 1 pé cúbico = 28,317 litros.

Calculadora on-line de flutuabilidade de cilindros.

Faça o download da SCUBA Safety Guide

Sites dos fabricantes, clique para visitar:

Mais informações técnicas sobre cilindros.
ABNT NBR 13183 – Inspeção e ensaios de cilindros de liga de alumínio sem costura para gases – Procedimento
ABNT 12274 – Inspeção em cilindros de aço, sem costura, para gases
ABNT NBR 13243 – Cilindros de aço para gases comprimidos – Ensaio hidrostático pelo método de camisa d’ água – Método de ensaio
Compressed Gas Association
DOT Cylinder Maintenance,
Retest and Certification Requirements
Treinamento para Inspetor Visual de cilindros PSI-PC

Como disse anteriormente: É de sua responsabilidade o planejamento dos seus mergulhos. Planeje seu mergulho e mergulhe seu plano.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

O dia em que quase tudo deu errado ou o jogo dos sete erros.

O título também poderia ser: Dormindo mal e suas consequências para o mergulho tech.

Passei uma semana envolvida com vários problemas e com pouco sono.

O mergulho estava previsto para domingo, aparentemente haveria tempo para me recuperar. Sexta feira uma happy hour com amigos se transformou numa noitada com  direito a cachaça. Mas tinha o sábado para me recuperar… dia em que também não consegui dormir cedo.

Acordo domingo tudo aparentemente normal, porém passei ao lado do meu carro com o equipamento e NÃO VI. Continuei procurando o carro até me lembrar onde tinha deixado. Já comecei a ficar meio preocupada – eu passei DO LADO arrastando o equipamento e meu carro não é prata ou preto, é azul.

Mas vamos lá, perdoável, eu estava olhando para longe, onde achava que o carro estava.

Missão do dia, eu e mais um tech já credenciados íamos descer junto com o instrutor e três alunos em check out de tech. Alguém ia carretilhar e íamos mergulhar no nada, só para treinar, mas com descompressão real.mergulho01_02

Montei o equipamento perfeitamente, eu achava. Fui de sidemount e resolvi reduzir 2 kg de lastro em relação ao último mergulho, pois estive muito pesada. Coloquei os 8 kg na “placa” de pesos que fica atrás do colete, excelente para uso com side. Assim, só precisava de mais dois na cintura para completar os 10 kg que eu queria. Coloquei os lastros – eu tinha certeza – e aparafusei a placa, uma tarefa meio chata, principalmente com todos os lastros, que repito, eu tinha certeza que estavam lá…

Montagem dos três cilindros (dois S80 do side e o stage), revisão do planejamento, acerto do computador, análise do gás, marcação do cilindro… fui fazendo com calma, e, eu achava, com a devida atenção.

Seguindo as orientações do instrutor, eu tinha certeza de qual era a missão e meu papel – eu e meu dupla já credenciados passaríamos a carretilha e faríamos o nosso mergulho enquanto os outros faziam sua aula. Eu estava convicta da tarefa e eu estava certa também que meu dupla iria passar a carretilha. Só esqueci de conferir com ele se ele estava tão convicto quanto eu…

Começa o mergulho, chego ao fundo e percebo que estou mais para neutra, não estou pesada como é de se esperar no início de um mergulho tech com dois S80 e um S40 tudo cheio. Já fico meio preocupada ponderando se devo fazer descompressão ou devo parar o mergulho antes.

Os alunos acabam levantando muita suspensão, um salseiro danado, e é complicado achar meu dupla. Lá pelas tantas, acho meu dupla, mas o cabo eu já não sei onde está. Meu dupla está parado, esperando não sei o que. Quando o instrutor irritado e/ou assustado aborta o mergulho e manda todo mundo subir…

Segundo erro: não combinei com meu dupla. Embora eu estivesse certa da missão eu não perguntei a ele se ele estava certo também.

Fiquei até aliviada, pois eu já estava pensando em abortar o mergulho mesmo, devido ao lastro insuficiente. Subimos, o instrutor foi dando a bronca e revendo o planejamento para retornar ao mergulho. Eu decidi ir buscar mais lastro. Pensava em acrescentar os 2 kg que eu pensava ter reduzido.

Primeiro pedi ao barco um cinto com 2 kg e tentamos colocar dentro d´água. Tenta assim, tenta assado, cansa, desisti. Resolvi subir, desequipar e colocar o cinto.

A tripulação estava ocupada com qualquer coisa, tirei o stage, chamei para alguém vir pegar, mas tive dificuldade para tirar o cilindro do lado esquerdo, e sem ajuda tentei  subir com os dois, fiquei entalada na escada, voltei para a água, já sem as nadadeiras, mar balançando, apanhei um pouco para tirar, fechei o cilindro para desconectar a mangueira da roupa seca… acabei subindo já estressada e cansada. Coloquei o cinto, mas resolvi esperar um pouco… pensei, não, isso não está legal. Já gastei muito ar, já estou cansada, nada de descompressivo hoje. Largamos os stages no barco.

Talvez uma das únicas decisões sensatas do dia.

Resolvemos fazer um recreativo mesmo nas pedrinhas.

Ao iniciar a descida resolvi trocar logo o regulador para o cilindro da esquerda, pois o da direita já estava com só 120 bar. Eis que estava fechado, pois tinha fechado para desconectar a mangueira da roupa seca e não abri novamente… e foi a primeira vez na minha vida que lembro de levar um regulador à boca sem purgar para testar, logo essa, que estava fechado. Volta para o regulador do cilindro da direita, abre a torneira… Eu estava melhor lastreada, mas ainda com dificuldade para descer. E sem entender. Pior, sem notar que algo teria que estar errado. Meu dupla me ajuda a descer, a roupa seca começa a me apertar, levo o dedo ao botão para inflar a roupa, eis que a mangueira está desconectada… bora conectar. Isso me rendeu algumas manchinhas roxas nos braços…

Começo o mergulho bem e tal… mas lá pela metade começo a ficar MUITO positiva. Meu dupla arruma uma pedra e eu passo mais da metade do mergulho agarrada a ela, mas por duas vezes ela caiu e fiz um enorme esforço para pegá-la.mergulho01_03

Acabamos o mergulho sem grandes incidentes, volto para o barco, e ao desmontar o equipamento… só tinham QUATRO kilos na placa de lastro ao invés dos oito que deveriam estar lá. Desvendado o segredo da flutuabilidade descontrolada.

Depois disso, só me restava chegar em casa e ajoelhar no milho.

Uma sequencia de erros que poderia ter levado a problemas BEM sérios.

E nunca mais pensar em fazer mergulho tech sem estar bem descansada, bem dormida, bem atenta.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.