Caixa Estanque – Levando sua câmera para debaixo d’água

housing_h2oCaixa estanque, waterproof housing, waterproof case, estojo para gravações subaquáticas ou blimp, como é conhecida no meio televisivo, refere-se a um equipamento que protege e permite que sua câmera registre imagens debaixo d’água. A caixa estanque possui uma estrutura própria para resistir às altas pressões exercidas pela água durante um mergulho, quanto mais fundo maior esta pressão.

Existem vários modelos de caixas, tanto para câmeras fotográficas quanto para filmadoras. Diferem pelo material que são fabricadas, se possuem controles manuais ou eletrônicos, se são específicas para um determinado modelo, se possuem acessórios e se permitem a instalação de filtros e troca da porta dianteira. Seja qual for o modelo é necessário estar ciente do que cada uma oferece, seja na sua utilização, controles, praticidade, resistência e principalmente na sua manutenção.

Caixa estanque da Croma customizada com domo
Caixa estanque da Croma customizada com domo da Amphibico®

No Brasil, a linha CROMA, fabricada pela Seal Pro  é capaz de produzir caixa estanque para qualquer tipo de câmera. Suas caixas são produzidas em acrílico e oferecem um ótimo custo benefício. A Seal Pro ainda oferece a possibilidade de se customizar a caixa da maneira que o cinegrafista/fotografo necessitar.

Caixa estanque da Croma customizada
Caixa estanque da Croma customizada

As caixas de custo mais elevados são as fabricadas em alumínio, pois aguentam uma maior profundidade e tem teoricamente uma maior durabilidade. Elas podem chegar a custar mais do que o dobro da própria câmera, caso você venha a adquirir os modelos com todos os acessórios. Como regra geral as caixas de alumínio possuem um custo mais elevado e as de acrílico ou PVC possuem um menor custo.

A caixa usada para fotografar surf não serve para mergulho, pois não é feita para resistir a pressões e alguns modelos não oferecem todos os controles necessários, da mesma forma que as caixas para mergulho não são adequadas para fotografar/filmar surf.
Caixa para fotografar surf

Caixa para fotografar surf

Tamanho e peso

Talvez você ainda se lembre do que foi ensinado na escola, o Princípio de Arquimedes: Um corpo imerso num líquido, total ou parcialmente, flutua com uma força igual ao peso do líquido deslocado.  Fica fácil entender a relação tamanho e peso das caixas estanques.

Quanto maior é a caixa, mais água ela desloca e, portanto mais positiva ela será, o que acarretará na necessidade de mais lastro. O que tornará o kit mais pesado fora d’água. Um kit maior e mais pesado pode ser um problema em viagens ou em barcos que não possuem boas acomodações. Todavia, uma caixa grande embaixo d’água é mais fácil de se manter estável, sem deslocamentos indesejáveis, pois a pressão da água contra sua área suavizará os movimentos. Por outro lado, o arrasto produzido por um kit pesado é grande e não deve ser desconsiderado no planejamento do seu mergulho e do tipo de trabalho que estará realizando.

As caixas de alumínio são mais pesadas fora d’água e normalmente mais compactas, o que acarretará na necessidade de menos lastro, pois possuem uma área interna menor e portanto menos ar no seu interior, o que deixará o kit muitas vezes mais leve do que as de acrílico.

Flutuabilidade e equilíbrio

Com a câmera dentro da caixa, a flutuabilidade deve ser próxima do neutro. Uma flutuabilidade mais positiva ou negativa é uma questão de preferência pessoal. Independente da sua preferência, uma caixa não deve tender a levantar a frente ou a traseira, o que acarretará uma fadiga nos seus pulsos durante o mergulho. Se você não consegue manter confortavelmente o seu kit em suas mãos, dificilmente conseguirá ficar estável e obter boas imagens.

Equilíbrio

Kits de câmera com caixa

Alguns fabricantes de câmeras possuem caixas estanques para os seus próprios produtos/modelos, a Intova, GoPro, Canon e Sony são alguns destes. Essas caixas tem uma vantagem de possuírem todos os controles necessários para manusear sua câmera, custo reduzido e normalmente suportam profundidades de até 40 metros, o que atende a uma boa parte dos mergulhadores. Além disso, alguns modelos ainda aceitam lentes conversoras e filtros, possibilitando ótima qualidade de imagem.

Como estas caixas, na sua maioria são fabricadas para digitais compactas, todo o conjunto de câmera e caixa estanque acaba ficando com seu tamanho bem reduzido, o que é uma ótima opção para quem quer proteger sua câmera da água, areia da praia ou lama.
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Este foi um dos motivos da câmera GoPro se tornar tão famosa no mercado e usada nos mais diversos segmentos.

Bolsa Estanque

Existe também no mercado bolsas/sacos estanques, mas deve-se observar que estes não possuem resistência para grandes profundidades. Estas bolsas à prova d’água possibilitam registrar imagens subaquáticas, e em alguns modelos até o movimento da objetiva zoom é permitido. Normalmente seu custo é bem baixo se comparado a uma caixa estanque, por outro lado oferece a limitação da resistência a maiores pressões. Estas bolsas são bem interessantes para serem utilizadas na praia ou sob chuva e ventania.

Ewa-Marine U-A Underwater Housing PVC laminado. Resiste até -20 m
Ewa-Marine U-A Underwater Housing
PVC laminado. Resiste até -20 m

O assunto caixa estanque é extenso, seu uso vai desde simplesmente proteger um equipamento da ação do tempo até o mais avançado uso no cinema. Hoje, graças a tecnologia e a digitalização das imagens, temos caixas para todo tipo de equipamento, facilitando bastante o trabalho de fotógrafos e cinegrafistas, bem diferente das dificuldades dos pioneiros.

Boutan (à esquerda) e suas luzes duplas. Sua câmera é vista na parte superior central.
Boutan (à esquerda) e suas luzes duplas. Sua câmera é vista na parte superior central.

História

  • Há quem credite ao inglês William Thompson a primeira foto subaquática em 1856, embora a câmera tenha se inundado e a foto não tenha saído satisfatória.
  • Em 1893 o biologista francês Louis Boutan obteve fotos subaquáticas que publicou em 1900 no seu livro La Photographie sous-marine et les progrès de la photographie. Para a tomada das fotos Boutan construiu uma caixa estanque que pesou cerca de 200 kg e usou um tempo de exposição de 30 minutos para obter fotos em chapa 5×7″.
  • Em 1927 Charles Martin e William H. Longley obtiveram a primeira fotografia subaquática a cores.
  • Em 1957 Jean De Wouters criou a câmera subaquática Calypso-Phot a pedido de Jacques-Yves Cousteau que passou a ser comercializada no ano de 1961 pela empresa La Spirotechnique. A câmera usava filmes 35mm e suportava profundidade de 50m.
  • Em 1963 a Nippon Kogaku (atualmente Nikon) lança a primeira câmera da linha Nikonos -a Nikonos I– baseada no Calypso-Phot cujos direitos adquiriu. As câmeras Nikonos (também conhecida como Calypso-Nikkor) sucederam-se até 1980, quando foram substituídas por câmeras automatizadas. A linha Nikonos sofreu descontinuidade em 1996.

Artigo publicado originalmente em 2012, atualizado em 2015

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias


Viajando para mergulhar sozinha e o dupla mala

Eu viajo muito sozinha e “desempacotada”, o que dá uma liberdade incrível, mas traz um probleminha: chegar ao ponto de mergulho sem dupla.

O que fazer quando chegamos para o mergulho sem dupla e calha de nós arrumarem um dupla problemático?

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Já aconteceu comigo algumas vezes.

Tem o dupla que cisma de dar um perdido. Uma vez, num ponto com baixa visibilidade, correnteza e orientação difícil, a ordem era seguir o guia. Mas o dupla teimava em se afastar. Eu tentava me posicionar entre os dois, de forma que visse ambos. Mas foi ficando difícil, difícil… Aí eu não sabia se seguia o dupla ou o guia. Optei por c@)&%#r para o dupla e seguir o guia, que sabia melhor onde estava indo. Quando chegou na parada de segurança, o dupla tinha sumido. Avisei ao guia, que largou o deco marker comigo e outra dupla e foi procurar, não encontrando, abortou a parada de segurança e subiu. Ao subirmos, encontramos a figura tranquila como se nada tivesse acontecido, um pouco distante de nós. Mas além de me deixar preocupada, ele colocou a todos em risco, pois o guia largou três mergulhadores a deriva para procurar o tal e abortou a parada preocupado. O que fazer com casos assim? Uma boa é nunca mais mergulhar com esse dupla, mas deveria haver forma de evitar esse comportamento. Mergulhadores mal formados ultimamente infelizmente abundam. Muitas vezes acabo tendo que assumir um papel que não é meu quando estou de turista: ser a única responsável pela orientação, guiando o mergulho e ainda me preocupando com o ar do dupla, que não confere quando deveria.

Quando mergulhei na Flórida me deparei com péssimos mergulhadores, infelizmente parecem comuns por lá. Duplas com nenhum controle da flutuabilidade, batendo a nadadeira no fundo ou ficando muito acima do naufrágio por não ter controle para ficar perto dele… nadando muito rápido, não sei se por ansiedade ou falta de controle de flutuabilidade também. Um dupla mala (mais um) resolveu nadar em disparada atrás de um mero, quando o melhor comportamento seria ficar imóvel, pois o peixão assim estava.
Abrolhos_AEstas experiências remetem à discussão que já acompanhei algumas vezes: é efetivo o sistema de duplas? Tem-se falado de mergulho solo. Com o nível de treinamento que tenho aliados a treinamento e equipamento específicos já não acho impossível um mergulho solo. Existem varias opiniões contrárias ao sistema de duplas, mas para mim ainda predominam as supostas vantagens. Sinceramente é sempre reconfortante ter um ser humano por perto, nunca sabemos que dificuldade pode surgir. Um mergulhador básico pode prender seu cilindro se esse soltar, por exemplo.

Eu por enquanto prefiro manter o padrão, mas espero que todos os mergulhadores se esforcem por ser um bom dupla. Talvez este aspecto deva ser mais reforçado nos cursos.

E vocês, têm alguma história de dupla mala? Cartas para a redação…rs…

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.