Com Nautilus Lifeline regitrado, protagonista de Mar Aberto nunca mais.

Ok, o filme Mar Aberto é horrível. Mas a inspiração para o filme foi um fato real e coisas assim acontecem mesmo. É um pesadelo recorrente entre mergulhadores – emergir longe da vista do barco e não conseguir voltar. Todo mergulhador experiente provavelmente já passou por um sufoquinho de estar um pouco longe do barco enfrentando ondas e correnteza e percebeu como isso pode se tornar complicado. Neblina, ondas altas, estar atrás de uma ilha, correnteza afastar rápido demais ou o barco simplesmente ter ido embora… neblinaNão são incomuns os mergulhadores “deixados para trás”. Acompanhei algumas histórias recentes, algumas resultando no pior. Aqui dois exemplos:

http://www.deweyhammond.com/travel/lost-in-the-carribean-sea

http://edition.cnn.com/2014/02/17/travel/bali-divers-search/

Como tenho planejado viagens para locais mais remotos, como Revillagigedo (onde fui recentemente), Galápagos, Indonésia etc, a preocupação em não ser protagonista de um filme horrível como Mar Aberto cresceu.IMG_3644_h2o

Enfim, numa das minhas viagens aos EUA para adquirir equipamento Tech, comprei um Nautilus Lifeline – rádio marítimo com GPS à prova d´água que permite a comunicação do mergulhador com qualquer embarcação próxima, e até com os serviços de emergência locais (guarda costeira, bombeiros etc).

Já havia sido informada que no Brasil não era possível registrar o rádio e obter o tal número MMSI (Maritime Mobile Service Identity), pois a ANATEL só daria esse registro para rádio em embarcações, mas que isso só impediria de usar o botão vermelho. O rádio tem três botões, verde, laranja e vermelho. O vermelho é o sinal de socorro; se apertar este botão, sua posição em GPS é enviada para todos as embarcações num raio de até 55 Km, além da guarda costeira.

Não sei se este botão é absolutamente necessário, já que o verde permite conversar com qualquer barco próximo (vem ajustado para o canal 68) e o laranja é o canal de socorro internacional, o canal 16.  Mas como somente nesta função a posição em GPS é enviada automaticamente, me pareceu prudente ativá-la.

Quando comprei, em julho de 2014, a notícia era que no Brasil não era possível registrar um rádio sem estar atrelado a uma embarcação. Conheci algumas pessoas que tinham o rádio e nenhuma delas tinha registrado. Até que recebi a notícia que um conhecido de um amigo tinha conseguido registrar. Que tinha sido difícil demorou e tal, mas não consegui receber informação sobre o processo.

Como boa funcionária pública, estou acostumada a lidar com burocracia e a ter paciência. Então não me intimidei.

Busquei no site da ANATEL o procedimento para registro de rádio marítimo.

Bom, como o site vive mudando, a busca foi mais ou menos assim: serviço regulado  – outorga – serviço móvel marítimo.

Aqui o texto que encontrei na página.

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Bom, tudo muito bem explicado, menos a parte do rádio não estar ligado a uma embarcação.

Vantagem de morar numa capital, preenchi previamente o formulário e fui na sede da ANATEL, no endereço:  Praça XV de novembro, 20, 9 andar. É o prédio da antiga bolsa de valores, e a entrada é pela rua do Mercado, pelo subsolo.

Cada capital tem uma sala do cidadão (vi em consumidor, canais de atendimento). Reproduzo a página abaixo.

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Aqui a placa com o horário de atendimento.
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Sugiro ir no horário em que os dois tipos de atendimento estão funcionando, o protocolo e o atendimento ao público.

Cheguei lá com  o formulário parcialmente preenchido, pois não sabia como preencher os campos de informação da embarcação e outros detalhes do rádio.

Expliquei para a moça do protocolo, que sabia vagamente algo sobre o assunto e chamou um rapaz que poderia me ajudar. De fato, veio me atender um rapaz que sabia do caso (aparentemente trabalhou na regulamentação) e me ajudou a completar o formulário, e anexou a homologação do Nautilus Lifeline ao meu processo. Soube então que este rádio já está homologado na ANATEL.

Aqui as duas páginas do formulário:

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Dei entrada com a moça do protocolo, que me deu um número para acompanhar pela internet. A previsão seria de duas semanas para receber os boletos.

Eis que,  uma semana depois, recebo a correspondência.

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O que parecia estar resolvido de repente não estava, pediram os dados da embarcação.

Fui pessoalmente de novo, encontrei a mesma moça no protocolo, mencionei o problema e pedi para falar com o mesmo rapaz, e logo fui atendida.

Ele pegou meu processo e logo detectou o problema, um dos campos do formulário não havia sido preenchido – e então o preenchemos com uma informação do tipo “equipamento para salvamento de mergulhador”, pode ser qualquer descrição que deixe claro que não é equipamento para barco e sim para mergulhador.
Feito, o processo seguiu, 15 dias depois recebo os boletos para pagamento, com um prazo de vencimento bem longo.

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Paguei um pouco antes do prazo, para não atrasar muito o processo.

Uma semana depois de pagas as taxas, recebo em casa a licença e o número MMSI.

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Já havia instalado o “desktop software” do Nautilus Lifeline no meu PC, necessário para fazer atualizações e o registro. Conectei o radinho ao PC e segui os procedimentos. Pronto, rádio registrado! Menos de dois meses para o processo todo. Pode ser menos de um mês, se não houver pendência e se o pagamento for imediato.

De qualquer forma, espero nunca precisar usar o botão vermelho…

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Cilindros para mergulho

Vez por outra precisamos de informações sobre peso, capacidade etc. dos cilindros. Neste artigo, que pretende ajudar na pesquisa, juntei algumas informações. Na lista abaixo estão os principais cilindros que são usados no mundo do mergulho.
As informações a seguir foram recolhidas a partir de uma variedade de fontes, incluindo os fabricantes Luxfer, Catalina, os antigos Pressed Steel Tank (PST) e OMS e mais alguns manuais e sites especializados.
Você deve, antes de planejar qualquer uso destas informações apresentadas, confirma-las com os fabricantes. Lembre-se, é de sua responsabilidade o planejamento dos seus mergulhos.

Mas antes de sair por ai solicitando o cilindro A ou B, você sabe “ler” as informações contidas nos cilindros?
Abaixo as informações dos cilindros de alumínio LUXFER.luxfer_markingsmarcas_luxferAs marcações diferenciam um pouco de fabricante para fabricante e de cilindros de alumínio para os de aço, mas as informações básicas são as mesmas. No final desta matéria existem links em que você poderá se aprofundar mais nas especificações técnicas de alguns fabricantes.

As principais informações para a maioria dos mergulhadores são:

Peso total do cilindro – cilindros enormes e pesados, incompatíveis com o tamanho dos mergulhadores (as) não são uma boa ideia;

Flutuabilidade do cilindro vazio – isto afeta a quantidade de lastro que você terá que adicionar para compensar a flutuação do cilindro vazio;

Flutuabilidade do cilindro cheio – dá uma diretriz para a quantidade de lastro que você precisará para afundar no início do mergulho;

Quantidade de ar – escolher o cilindro correto para o uso que deseja e a capacidade que necessita.

Cilindros LUXFER de alumínio (unidade métrica)
info_luxfer* na água salgada e com válvula


aco_imperial al_imperial* Pesos vazios não incluem válvulas (exceto Pressed Steel e OMS), acrescentar 0,5/1,0 Kilo.

alum_cilindrosA matemática – quantidade de ar
Sempre falei para os meus alunos que aprender a mergulhar não era difícil, o que atrapalhava era a matemática! Para relembrar, vou deixar a “matemática” abaixo.

A formula que determina a quantidade de ar no cilindro é:
Q = pressão de trabalho em atm X volume hidrostático em litros.
Lembre-se que estes dados são apresentados em cilindros brasileiros e europeus.

Nos americanos, que são os mais usados, são apresentadas as informações de pressão de trabalho e a quantidade de ar em pés cúbicos, na pressão de trabalho. Sendo necessário fazer a conversão: 1 pé cúbico = 28,317 litros.

Calculadora on-line de flutuabilidade de cilindros.

Faça o download da SCUBA Safety Guide

Sites dos fabricantes, clique para visitar:

Mais informações técnicas sobre cilindros.
ABNT NBR 13183 – Inspeção e ensaios de cilindros de liga de alumínio sem costura para gases – Procedimento
ABNT 12274 – Inspeção em cilindros de aço, sem costura, para gases
ABNT NBR 13243 – Cilindros de aço para gases comprimidos – Ensaio hidrostático pelo método de camisa d’ água – Método de ensaio
Compressed Gas Association
DOT Cylinder Maintenance,
Retest and Certification Requirements
Treinamento para Inspetor Visual de cilindros PSI-PC

Como disse anteriormente: É de sua responsabilidade o planejamento dos seus mergulhos. Planeje seu mergulho e mergulhe seu plano.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

O dia em que quase tudo deu errado ou o jogo dos sete erros.

O título também poderia ser: Dormindo mal e suas consequências para o mergulho tech.

Passei uma semana envolvida com vários problemas e com pouco sono.

O mergulho estava previsto para domingo, aparentemente haveria tempo para me recuperar. Sexta feira uma happy hour com amigos se transformou numa noitada com  direito a cachaça. Mas tinha o sábado para me recuperar… dia em que também não consegui dormir cedo.

Acordo domingo tudo aparentemente normal, porém passei ao lado do meu carro com o equipamento e NÃO VI. Continuei procurando o carro até me lembrar onde tinha deixado. Já comecei a ficar meio preocupada – eu passei DO LADO arrastando o equipamento e meu carro não é prata ou preto, é azul.

Mas vamos lá, perdoável, eu estava olhando para longe, onde achava que o carro estava.

Missão do dia, eu e mais um tech já credenciados íamos descer junto com o instrutor e três alunos em check out de tech. Alguém ia carretilhar e íamos mergulhar no nada, só para treinar, mas com descompressão real.mergulho01_02

Montei o equipamento perfeitamente, eu achava. Fui de sidemount e resolvi reduzir 2 kg de lastro em relação ao último mergulho, pois estive muito pesada. Coloquei os 8 kg na “placa” de pesos que fica atrás do colete, excelente para uso com side. Assim, só precisava de mais dois na cintura para completar os 10 kg que eu queria. Coloquei os lastros – eu tinha certeza – e aparafusei a placa, uma tarefa meio chata, principalmente com todos os lastros, que repito, eu tinha certeza que estavam lá…

Montagem dos três cilindros (dois S80 do side e o stage), revisão do planejamento, acerto do computador, análise do gás, marcação do cilindro… fui fazendo com calma, e, eu achava, com a devida atenção.

Seguindo as orientações do instrutor, eu tinha certeza de qual era a missão e meu papel – eu e meu dupla já credenciados passaríamos a carretilha e faríamos o nosso mergulho enquanto os outros faziam sua aula. Eu estava convicta da tarefa e eu estava certa também que meu dupla iria passar a carretilha. Só esqueci de conferir com ele se ele estava tão convicto quanto eu…

Começa o mergulho, chego ao fundo e percebo que estou mais para neutra, não estou pesada como é de se esperar no início de um mergulho tech com dois S80 e um S40 tudo cheio. Já fico meio preocupada ponderando se devo fazer descompressão ou devo parar o mergulho antes.

Os alunos acabam levantando muita suspensão, um salseiro danado, e é complicado achar meu dupla. Lá pelas tantas, acho meu dupla, mas o cabo eu já não sei onde está. Meu dupla está parado, esperando não sei o que. Quando o instrutor irritado e/ou assustado aborta o mergulho e manda todo mundo subir…

Segundo erro: não combinei com meu dupla. Embora eu estivesse certa da missão eu não perguntei a ele se ele estava certo também.

Fiquei até aliviada, pois eu já estava pensando em abortar o mergulho mesmo, devido ao lastro insuficiente. Subimos, o instrutor foi dando a bronca e revendo o planejamento para retornar ao mergulho. Eu decidi ir buscar mais lastro. Pensava em acrescentar os 2 kg que eu pensava ter reduzido.

Primeiro pedi ao barco um cinto com 2 kg e tentamos colocar dentro d´água. Tenta assim, tenta assado, cansa, desisti. Resolvi subir, desequipar e colocar o cinto.

A tripulação estava ocupada com qualquer coisa, tirei o stage, chamei para alguém vir pegar, mas tive dificuldade para tirar o cilindro do lado esquerdo, e sem ajuda tentei  subir com os dois, fiquei entalada na escada, voltei para a água, já sem as nadadeiras, mar balançando, apanhei um pouco para tirar, fechei o cilindro para desconectar a mangueira da roupa seca… acabei subindo já estressada e cansada. Coloquei o cinto, mas resolvi esperar um pouco… pensei, não, isso não está legal. Já gastei muito ar, já estou cansada, nada de descompressivo hoje. Largamos os stages no barco.

Talvez uma das únicas decisões sensatas do dia.

Resolvemos fazer um recreativo mesmo nas pedrinhas.

Ao iniciar a descida resolvi trocar logo o regulador para o cilindro da esquerda, pois o da direita já estava com só 120 bar. Eis que estava fechado, pois tinha fechado para desconectar a mangueira da roupa seca e não abri novamente… e foi a primeira vez na minha vida que lembro de levar um regulador à boca sem purgar para testar, logo essa, que estava fechado. Volta para o regulador do cilindro da direita, abre a torneira… Eu estava melhor lastreada, mas ainda com dificuldade para descer. E sem entender. Pior, sem notar que algo teria que estar errado. Meu dupla me ajuda a descer, a roupa seca começa a me apertar, levo o dedo ao botão para inflar a roupa, eis que a mangueira está desconectada… bora conectar. Isso me rendeu algumas manchinhas roxas nos braços…

Começo o mergulho bem e tal… mas lá pela metade começo a ficar MUITO positiva. Meu dupla arruma uma pedra e eu passo mais da metade do mergulho agarrada a ela, mas por duas vezes ela caiu e fiz um enorme esforço para pegá-la.mergulho01_03

Acabamos o mergulho sem grandes incidentes, volto para o barco, e ao desmontar o equipamento… só tinham QUATRO kilos na placa de lastro ao invés dos oito que deveriam estar lá. Desvendado o segredo da flutuabilidade descontrolada.

Depois disso, só me restava chegar em casa e ajoelhar no milho.

Uma sequencia de erros que poderia ter levado a problemas BEM sérios.

E nunca mais pensar em fazer mergulho tech sem estar bem descansada, bem dormida, bem atenta.

Monica Di Masi

Arquiteta, PhD em Planejamento Energético e Ambiental, Dive Master PADI e Mergulhadora Tech.

Cuidados com sua caixa estanque

E vamos falar de caixa estanque outra vez. Desta vez, algumas dicas de como conservar a sua caixa estanque e evitar problemas.

1⇒ Após o uso, lave a sua caixa com água doce. Caso isso não seja possível, deixe-a em um tanque com água salgada a fim de evitar a formação de cristais de sal. Se não houver um tanque com água que você possa coloca-la, umedeça uma toalha com água e enrole a caixa até que seja possível lava-la com água doce;

2⇒ Use graxa de silicone com moderação. A graxa não é o que veda, quem faz isso é o o-ring. Graxa de silicone demais facilita o acúmulo de sujeira e detritos. Basta usar o suficiente para manter o o-ring lubrificado;

3⇒ Não abra a caixa sem que seja absolutamente necessário. Toda vez que você abre a caixa aumenta a chance de entrar água, areia e umidade ou alguma coisa grudar na sede do o-ring ou no próprio o-ring;

4⇒ Sempre que for abrir sua caixa, procure colocar a parte da lente para cima, isso evita que qualquer coisa caia dentro da caixa ou na câmera;

5⇒ Muito cuidado ao abrir a caixa depois do mergulho, principalmente se você estiver molhado. Cuidado com o cabelo e roupas molhadas, gotas podem causar um dano enorme se caírem na sua câmera ou nas partes eletrônicas da caixa;

6⇒ Desmonte as conexões, cabos do flash, portas, espaçador etc regularmente, especialmente onde diferentes materiais se encontram. A corrosão tem uma tendência de atacar nesses lugares;

7⇒ Use sacos de sílica para absorver a umidade e evitar o embaçamento – especialmente se você tiver uma caixa de policarbonato. Certifique-se de colocá-los onde não podem tocar nos controles;

8⇒ Remova os o-rings de vedação da caixa para guarda-la. Você não tem que removê-los após cada mergulho. Preste atenção extra se você esteve mergulhando onde há areia muito fina. Se for necessário, limpe-os;

9⇒ Não use detergentes para limpar a caixa, exceto se for específico para tal. Isso pode danificar o acabamento e retirar a graxa de silicone dos anéis de vedação, especialmente nos botões. Use água morna, se você precisar dissolver cristais de sal ou quaisquer outros resíduos;

10⇒ Verifique se a caixa está seca e livre de poeira antes de guarda-la. Deixe-a fechada para evitar que poeira ou qualquer outro tipo de sujeira entre. Troque o o-ring sempre que ele perder a sua forma original ou a qualquer outro sinal de desgaste;

11⇒ Remova as baterias da câmera e dos flashs ou do kit de iluminação quando do armazenamento. Elas podem se romper e o ácido pode causar danos irreparáveis;

12⇒ Tenha cuidado com a manutenção feita por pessoas não qualificadas. Se necessário envie seu equipamento para o fabricante ou autorizada;

13⇒ No mínimo uma vez ao ano faça uma revisão geral com a trocas de todos os o-rings e ajustes dos controles. Faça isso com o fabricante ou autorizada;

14⇒ Evite pular na água com a câmera. Sempre que possível entre na água e peça para alguém passar seu equipamento. Pancadas com o equipamento podem deslocar a câmera dentro da caixa ou até mesmo deslocar a tampa de vedação;

15⇒ Entre na água com o seu equipamento desligado e antes de liga-lo verifique se não há nenhum vazamento e se tudo está correto, isso pode evitar maiores prejuízos em caso de alagamento;

16⇒ Se sua caixa possui um grande domo tenha cuidado para não desloca-lo e causar um alagamento durante o mergulho;

17⇒ Jamais, eu disse, jamais monte sua câmera dentro da caixa na correria! Isso é fatal.

Todos os direitos reservados © José Dias
Todos os direitos reservados © José Dias

Se mesmo tomando todo o cuidado o pior acontecer:

1⇒ Respeite a velocidade de subida e paradas de descompressão, se houverem. Lembre-se que nenhum equipamento vale o seu bem estar;

2⇒ Retire as baterias o mais rápidos possível, pois o ácido contidos nelas aumenta o estrago;

3⇒ Desmonte e lave sua caixa com água doce e coloque-a para secar. Um secador de cabelos ajuda;

4⇒ Retire o cartão de memória e lave-o em água doce e deixe-o secar. Dificilmente você perderá os registros das imagens em cartões alagados;

Alguns fotógrafos/cinegrafistas aconselham lavar a câmera com água doce e deixa-la secar ou usar um secador de cabelos. Uma vez alagada poucas são as chances de salvar alguma coisa da câmera, pois a água salgada fará o que o alagamento não fez, destruirá o que sobrou.
Nunca salvei câmeras fazendo isso mas já obtive sucesso salvando um monitor de LCD de uma GoPro e pelos menos uns quatro cartões de memória de amigos utilizando este método. Cabe a você decidir o que fazer.

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

Lentes de grau para máscara de mergulho

Se você ainda não tem a necessidade de lentes de correção para ver o seu timer, o seu computador de mergulho ou as configurações da câmera, aguarde, chegará o dia em que seu braço não será longo o suficiente para afastar o painel com as letrinhas borradas.

E isso aconteceu comigo já vão alguns anos. Ir perdendo a definição do que você está vendo é como dirigir um carro que está perdendo o freio, você vai se acostumando até que uma determinada situação te pega de surpresa.

No caso do mergulhador, algumas opções estão disponíveis para quem necessita de lentes de correção, ele pode optar por colocar uma lente de grau feita em ótica especializada, alguns optam por usar lentes de contato. Eu não uso lentes de contato e já vi e ouvi inúmeros casos de mergulhadores que ao desalagarem a máscara perderam suas lentes. Há opção de se mandar a máscara para a ótica para que seja instalada uma lente corretora mas isso nunca me agradou, simplesmente porque a lente fica colada no vidro da sua máscara e caso algo aconteça na sua máscara você perde as suas lentes. Até mesmo uma simples troca de máscara vira um trabalhão. Além de que instalar em máscara com um vidro único não pode, pelo menos era isso até um tempo atrás. Tenho amigos que usam e gostam, mas não é difícil vê-los torcer o nariz quando pensam em trocar de máscara.

Depois do artigo publicado fui informado pelo amigo Sergio Viegas (DAN Brasil), através dos comentários, que existe a opção de comprar outra máscara da mesma marca e modelo e transferir as lentes da máscara antiga para a máscara nova.

Lentes Mares Bi-Focal para X-Vision 2013 e anterior
Lentes Mares Bi-Focal para X-Vision 2013 e anterior

Diante das minhas restrições procurei outras opções. Encontrei lentes prontas para serem trocadas pelo vidro original da máscara com opção de diversos graus, embora seja uma boa opção, novamente tem o problema de que “tem que ser a máscara XYZ”, pois as lentes são específicas para cada modelo de máscara. Se você possui uma máscara Mares, Tusa, Atomic Aquatics, Cressi, XS Scuba, Oceanic, pode ser uma ótima solução desde que exista a lente para o seu modelo de máscara. Não é o meu caso.

Máscara XS Scuba 2014 Gauge Reader
Máscara XS Scuba 2014 Gauge Reader

Continuei a minha busca e encontrei a solução que queria. Uma lente de plástico maleável – Polymer Aspheric – que parece silicone, pode ser colocada em qualquer máscara somente utilizando água quente! Genial e simples a solução. Será que funciona? Sim, funciona maravilhosamente bem, desde a instalação até o uso.
A instalação é bem simples, lava-se bem a máscara, inclusive com água morna para retirar totalmente a gordura, lavam-se também as lentes e depois é só colocar um pouco de água morna dentro da máscara e pressionar com os dedos o local aproximado das lentes no vidro. Esvazia-se a máscara e com calma vai se alinhando as lentes com os dedos, coloca-se a máscara no rosto, acerta mais um pouquinho, coloca novamente no rosto e mais um pouco pra cá e pra lá e pronto.

Lentes DiveOptx® Polymer Aspheric
Lentes DiveOptx® Polymer Aspheric

Resolvido uma parte do problema, a outra parte foi descobrir se funcionariam dentro d’água, se não soltariam durante o mergulho, se na hora de usar o produto ou a saliva para desengordurar a máscara antes do mergulho as lentes se soltariam. Na primeira vez que usei as lentes elas se soltaram depois de 5 dias de mergulho, refiz o processo de limpeza e “colagem” e elas nunca mais soltaram, e estamos falando de uns 3 anos! Você pode me ver usando as lentes no auto retrato que ilustra esta matéria.

Animado com as minhas lentes, cheguei a trazer algumas para amigos, resolvi que era a hora de comprar um novo par de lentes para colocar na máscara reserva. Não encontrei da mesma marca, DiveOptx®, infelizmente. Encontrei a Aqua Optics, que não é tão prática, é de vidro e necessita de uma cola que acompanha o produto. A parte interessante é que são reutilizáveis, bastando lavar a máscara com água morna para que a cola solte. Fiz a instalação conforme o recomendado e parti para o mergulho. Elas duraram no local exatos 6 mergulhos, parece que a cola sofre com a água salgada pois outros usuários reclamaram do mesmo problema.

Lentes Aqua Optics
Lentes Aqua Optics

E você ainda tem braço longo ou já arrumou uma solução para o problema?

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias

Caixa Estanque – Levando sua câmera para debaixo d’água

housing_h2oCaixa estanque, waterproof housing, waterproof case, estojo para gravações subaquáticas ou blimp, como é conhecida no meio televisivo, refere-se a um equipamento que protege e permite que sua câmera registre imagens debaixo d’água. A caixa estanque possui uma estrutura própria para resistir às altas pressões exercidas pela água durante um mergulho, quanto mais fundo maior esta pressão.

Existem vários modelos de caixas, tanto para câmeras fotográficas quanto para filmadoras. Diferem pelo material que são fabricadas, se possuem controles manuais ou eletrônicos, se são específicas para um determinado modelo, se possuem acessórios e se permitem a instalação de filtros e troca da porta dianteira. Seja qual for o modelo é necessário estar ciente do que cada uma oferece, seja na sua utilização, controles, praticidade, resistência e principalmente na sua manutenção.

Caixa estanque da Croma customizada com domo
Caixa estanque da Croma customizada com domo da Amphibico®

No Brasil, a linha CROMA, fabricada pela Seal Pro  é capaz de produzir caixa estanque para qualquer tipo de câmera. Suas caixas são produzidas em acrílico e oferecem um ótimo custo benefício. A Seal Pro ainda oferece a possibilidade de se customizar a caixa da maneira que o cinegrafista/fotografo necessitar.

Caixa estanque da Croma customizada
Caixa estanque da Croma customizada

As caixas de custo mais elevados são as fabricadas em alumínio, pois aguentam uma maior profundidade e tem teoricamente uma maior durabilidade. Elas podem chegar a custar mais do que o dobro da própria câmera, caso você venha a adquirir os modelos com todos os acessórios. Como regra geral as caixas de alumínio possuem um custo mais elevado e as de acrílico ou PVC possuem um menor custo.

A caixa usada para fotografar surf não serve para mergulho, pois não é feita para resistir a pressões e alguns modelos não oferecem todos os controles necessários, da mesma forma que as caixas para mergulho não são adequadas para fotografar/filmar surf.
Caixa para fotografar surf

Caixa para fotografar surf

Tamanho e peso

Talvez você ainda se lembre do que foi ensinado na escola, o Princípio de Arquimedes: Um corpo imerso num líquido, total ou parcialmente, flutua com uma força igual ao peso do líquido deslocado.  Fica fácil entender a relação tamanho e peso das caixas estanques.

Quanto maior é a caixa, mais água ela desloca e, portanto mais positiva ela será, o que acarretará na necessidade de mais lastro. O que tornará o kit mais pesado fora d’água. Um kit maior e mais pesado pode ser um problema em viagens ou em barcos que não possuem boas acomodações. Todavia, uma caixa grande embaixo d’água é mais fácil de se manter estável, sem deslocamentos indesejáveis, pois a pressão da água contra sua área suavizará os movimentos. Por outro lado, o arrasto produzido por um kit pesado é grande e não deve ser desconsiderado no planejamento do seu mergulho e do tipo de trabalho que estará realizando.

As caixas de alumínio são mais pesadas fora d’água e normalmente mais compactas, o que acarretará na necessidade de menos lastro, pois possuem uma área interna menor e portanto menos ar no seu interior, o que deixará o kit muitas vezes mais leve do que as de acrílico.

Flutuabilidade e equilíbrio

Com a câmera dentro da caixa, a flutuabilidade deve ser próxima do neutro. Uma flutuabilidade mais positiva ou negativa é uma questão de preferência pessoal. Independente da sua preferência, uma caixa não deve tender a levantar a frente ou a traseira, o que acarretará uma fadiga nos seus pulsos durante o mergulho. Se você não consegue manter confortavelmente o seu kit em suas mãos, dificilmente conseguirá ficar estável e obter boas imagens.

Equilíbrio

Kits de câmera com caixa

Alguns fabricantes de câmeras possuem caixas estanques para os seus próprios produtos/modelos, a Intova, GoPro, Canon e Sony são alguns destes. Essas caixas tem uma vantagem de possuírem todos os controles necessários para manusear sua câmera, custo reduzido e normalmente suportam profundidades de até 40 metros, o que atende a uma boa parte dos mergulhadores. Além disso, alguns modelos ainda aceitam lentes conversoras e filtros, possibilitando ótima qualidade de imagem.

Como estas caixas, na sua maioria são fabricadas para digitais compactas, todo o conjunto de câmera e caixa estanque acaba ficando com seu tamanho bem reduzido, o que é uma ótima opção para quem quer proteger sua câmera da água, areia da praia ou lama.
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Este foi um dos motivos da câmera GoPro se tornar tão famosa no mercado e usada nos mais diversos segmentos.

Bolsa Estanque

Existe também no mercado bolsas/sacos estanques, mas deve-se observar que estes não possuem resistência para grandes profundidades. Estas bolsas à prova d’água possibilitam registrar imagens subaquáticas, e em alguns modelos até o movimento da objetiva zoom é permitido. Normalmente seu custo é bem baixo se comparado a uma caixa estanque, por outro lado oferece a limitação da resistência a maiores pressões. Estas bolsas são bem interessantes para serem utilizadas na praia ou sob chuva e ventania.

Ewa-Marine U-A Underwater Housing PVC laminado. Resiste até -20 m
Ewa-Marine U-A Underwater Housing
PVC laminado. Resiste até -20 m

O assunto caixa estanque é extenso, seu uso vai desde simplesmente proteger um equipamento da ação do tempo até o mais avançado uso no cinema. Hoje, graças a tecnologia e a digitalização das imagens, temos caixas para todo tipo de equipamento, facilitando bastante o trabalho de fotógrafos e cinegrafistas, bem diferente das dificuldades dos pioneiros.

Boutan (à esquerda) e suas luzes duplas. Sua câmera é vista na parte superior central.
Boutan (à esquerda) e suas luzes duplas. Sua câmera é vista na parte superior central.

História

  • Há quem credite ao inglês William Thompson a primeira foto subaquática em 1856, embora a câmera tenha se inundado e a foto não tenha saído satisfatória.
  • Em 1893 o biologista francês Louis Boutan obteve fotos subaquáticas que publicou em 1900 no seu livro La Photographie sous-marine et les progrès de la photographie. Para a tomada das fotos Boutan construiu uma caixa estanque que pesou cerca de 200 kg e usou um tempo de exposição de 30 minutos para obter fotos em chapa 5×7″.
  • Em 1927 Charles Martin e William H. Longley obtiveram a primeira fotografia subaquática a cores.
  • Em 1957 Jean De Wouters criou a câmera subaquática Calypso-Phot a pedido de Jacques-Yves Cousteau que passou a ser comercializada no ano de 1961 pela empresa La Spirotechnique. A câmera usava filmes 35mm e suportava profundidade de 50m.
  • Em 1963 a Nippon Kogaku (atualmente Nikon) lança a primeira câmera da linha Nikonos -a Nikonos I– baseada no Calypso-Phot cujos direitos adquiriu. As câmeras Nikonos (também conhecida como Calypso-Nikkor) sucederam-se até 1980, quando foram substituídas por câmeras automatizadas. A linha Nikonos sofreu descontinuidade em 1996.

Artigo publicado originalmente em 2012, atualizado em 2015

José Dias

José Dias

Diretor de fotografia, fotógrafo, instrutor de mergulho, foto e vídeo subaquáticos. Mergulhador tech e de cavernas.
José Dias